terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Cobras

As cobras são o grupo de serpentes mais comum da Terra. Antes de causar alguma confusão ao longo do artigo, cobra não é sinónimo de serpente. O termo "serpente" é muito mais abrangente que "cobra". As cobras pertencem todas à família Colubridae, enquanto que as outras serpentes pertencem a várias outras famílias: Acrochordidae (serpentes-verruga), Aniliidae (falsas-cobras-coral), Anomochilidae (serpentes-pipa-anãs), Atractaspididae (víboras-toupeira), Boidae (jibóias), Bolyeriidae (serpentes-das-Maurícias), Cylindrophiidae (serpentes-escavadoras), Elapidae (najas), Loxocemidae (pitões-mexicanas), Pythonidae (pitões), Tropidophiidae (jibóias-anãs), Uropeltidae (serpentes-pipa), Viperidae (víboras), Xenopeltidae (serpentes-sol), Anomalepididae (cobras-cegas-primitivas), Gerrhopilidae (cobras-cegas-asiáticas), Leptotyphlopidae (cobras-cegas-delgadas), Typhlopidae (cobras-cegas-de-cauda-longa) e Xenotyphlopidae (cobras-cegas-de-Madagáscar).


As cobras constituem cerca de 55% de todas as espécies de serpentes no planeta. As cobras devem ter surgido há cerca de 33 milhões de anos, descendentes de outras espécies de serpentes, mas estas provaram ser muito mais adaptáveis. Existem em todos os continentes, com a excepção da Antárctida.
Todas as espécies de serpentes portuguesas (com a excepção de duas espécies de víboras) são cobras, sendo que três, entre nove, são venenosas (apesar de não serem mortais).
As cobras são as únicas serpentes que podem possuir toxinas que não sejam veneno.




Nome: Cobra-dos-pântanos (Boiga dendrophila)
Tamanho: 2,4 metros de comprimento
Alimentação: Répteis, aves, mamíferos e peixes
Local: Sudeste Asiático
Tipo: Colubríneo (subfamília numerosa de cobras)

As cobras não costumam ser répteis venenosos ou, pelo menos, perigosamente venenosos. As espécies venenosas, pelo menos em Portugal, possuem um veneno muito fraco para matar humanos. No entanto, a cobra-dos-pântanos possui um veneno muito forte. Apesar de não haver mortes registadas, as mordidas podem causar suor intenso e dificuldade em respirar.


Nome: Boomslang (Dispholidus typus)
Tamanho: 1,83 metros de comprimento
Alimentação: Répteis, mamíferos e aves
Local: África subsaariana
Tipo: Colubríneo

A boomslang (traduzindo do inglês: "calão explosivo"), é uma das poucas cobras registadas capazes de matar seres humanos. O seu veneno é mortífero e é o equivalente à mamba-negra (serpente da família Elapidae) no grupo das cobras. O seu ataque é rápido e o veneno forte.



Nome: Cobra-pau (Thelotornis capensis)
Tamanho: 1,2 metros de comprimento
Alimentação: Lagartos, rãs e aves
Local: África
Tipo: Colubríneo

A cobra-pau é uma espécie de cobra que se camufla perfeitamente nos galhos e ramos de uma árvore ou arbusto. Faz-lo para obter alimento passando-se despercebida. Possui também um veneno poderoso, capaz de matar seres humanos.



Nome: Dorso-de-quilha-de-pescoço-vermelho (Rhabdophis subminiatus)
Tamanho: 90 centímetros de comprimento
Alimentação: Rãs e peixe
Local: Sudeste Asiático
Tipo: Natricíneo (dorsos-de-quilha, cobras-d'água, etc.)

O dorso-de-quilha-de-pescoço-vermelho é uma espécie de cobra mortífera, devido, obviamente, ao seu veneno. Não me perguntem como é que o indivíduo na imagem conseguiu pegar na cobra, porque eu não sei!


Nome: Yamakagashi (Rhabdophis tigrinus)
Tamanho: 1 metro de comprimento
Alimentação: Rãs e sapos
Local: Ásia Oriental (China, Rússia, Coreia, Taiwan, Vietname e Japão)
Tipo: Natricíneo

A yamakagashi, ou dorso-de-quilha-tigre, é um parente próximo da dorso-de-quilha-de-pescoço-vermelho. É venenosa, mas possui uma peculiaridade. Produz toxinas, numa região na base do pescoço, que são irritantes ao toque. A cobra obtém esta toxina não-venenosa (nota-se que o veneno é apenas um tipo específico de toxina) a partir dos sapos que consome. Esta toxina é produzida especialmente no inverno, onde as serpentes estão dormentes e lentas para organizar um ataque.
Um ataque provocado por uma cobra venenosa nem sempre é mortífero, por dois factores. A intensidade do veneno, pois nem todas as cobras possuem veneno mortal, e a posição dos dentes inoculadores que, em todas as cobras, coloca-se muito para trás na boca, o que implica provocar uma dentada bem grande e, por isso, é difícil e evitado mesmo pelas cobras mais perigosas. Isto não acontece com as víboras, pois elas possuem dentes inoculadores retracteis que se situam mesmo à frente da boca.


Nome: Cobra-chicote-do-Cáspio (Dolichophis caspius)
Tamanho: 2,5 metros de comprimento
Alimentação: Roedores, aves, lagartos e outras cobras
Local: Sudeste da Europa e Médio Oriente
Tipo: Colubríneo

A cobra-chicote-do-Cáspio é uma das maiores (senão a maior) cobra da Europa. Com 2,5 metros de comprimento não é venenosa, apesar de ser agressiva e de morder rapidamente e sem aviso. No entanto, a cobra-chicote-do-Cáspio é uma espécie muito importante para o controlo da população de roedores.
Muitas espécies de cobras e outras serpentes não devem ser mortas quando avistadas. A maior parte das serpentes e cobras não são venenosas, e as que são, raramente mordem ou possuem um veneno não fatal. Para além disso, fazem parte do ecossistema e só mordem se se sentirem ameaçadas. Eu sei que isto pode parecer só paleio, mas é algo que deve ser verdadeiramente considerado, pois é mais provável que uma cobra acabe morta por uma cachola ou picareta do que alguém morrer mordido por uma.



Nome: Cobra-negra-de-Günther (Bothrolycus ater)
Tamanho: 46 centímetros de comprimento
Alimentação: Répteis, anfíbios, etc.
Local: África Central
Tipo: Boodontíneo (cobras primitivas)

A cobra-negra-de-Günther é uma espécie de cobra extremamente rara de África. É pouco conhecida e acredita-se que seja uma espécie de cobra primitiva. Apesar de a morfologia da sua cabeça relembrar a de uma víbora, essa semelhança apenas deve-se a um mecanismo de defesa. A víbora, serpente venenosa, é evitada pelos predadores, permitindo que a cobra não seja atacada.



Nome: Cobra-d'água-castanha-comum (Lycodonomorphus rufus)
Tamanho: 85 centímetros de comprimento
Alimentação: Rãs e roedores
Local: África do Sul, Lesoto e Zimbabué
Tipo: Boodontíneo

A cobra-d'água-castanha-comum é uma espécie de cobra que habita em regiões aquáticas da África Austral. Não é venenosa e raramente morde. É comum em pântanos, rios, lagos e, por vezes, tanques e piscinas.


Nome: Cobra-de-capuz-ocidental (Macroprotodon brevis)
Tamanho: 44 centímetros de comprimento
Alimentação: Lagartos (principalmente)
Local: Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia e Saara Ocidental
Tipo: Boodontíneo

A cobra-de-capuz-ocidental é uma espécie de cobra que existe em Portugal. É provavelmente venenosa, mas o seu veneno é extremamente fraco e não tem nenhum efeito no homem. A cobra é pequena e utiliza o seu veneno para matar pequenos répteis, como os lagartos e os licranços. Distingue-se de outras cobras europeias devido a uma mancha escura na nuca, que lhe dá o nome. A única espécie em Portugal que é extremamente difícil de distinguir é a aparentada e igualmente venenosa cobra-de-capuz.


Nome: Cobra-toupeira (Pseudaspis cana)
Tamanho: 2 metros de comprimento
Alimentação: Pequenos mamíferos, aves e rãs
Local: África Austral
Tipo: Boodontíneo

A cobra-toupeira é uma grande espécie de cobra não venenosa de África. É agressiva e possui uma coloração negra, castanha, cinzenta ou amarela. Ao contrário da maior parte das cobras, esta espécie não põem ovos, mas dá à luz crias vivas, como os mamíferos. Apesar de não ter hábitos subterrâneos, o seu nome deriva do hábito de caçar toupeiras-douradas.


Nome: Cobra-de-nariz-de-anzol (Scaphiophis raffreyi)
Tamanho: 1,74 metros de comprimento
Alimentação: Pequenos animais
Local: África Oriental
Tipo: Colubríneo

A cobra-de-nariz-de-anzol parece ser uma espécie de cobra que faz a transição entre os boodontíneos (cobras primitivas) e os colubríneos (cobras comuns e evoluídas). É uma cobra pacífica em comportamento e não é venenosa.


Nome: Cobra-leopardo (Zamenis situla)
Tamanho: 90 centímetros de comprimento
Alimentação: Roedores (principalmente)
Local: Sudeste da Europa e Médio Oriente
Tipo: Colubríneo

A cobra-leopardo é uma espécie de cobra manchada de anéis pretos preenchidos a vermelho ou castanho. Não é venenosa. Alimenta-se principalmente de roedores.
A cobra-leopardo faz parte de um grupo de cobras que utiliza os seus sentidos apurados principalmente para a caça de roedores. Durante a caça, as serpentes utilizam o seu apurado sentido de visão, olfacto, audição, tacto e paladar. A visão das cobras é avançada, de modo a detectar cada movimento importante e ínfimo. A maxila da cobra, encostada ao chão, consegue detectar as vibrações do animal que pretende caçar. O olfacto da cobra pode ser detectado pelas narinas que sentem o odor e a radiação térmica da presa. Mas é a língua que faz o maior trabalho. A língua bifurcada sente todas as partículas que a presa liberta, sendo um órgão olfactório muito mais eficaz (sim, as cobras cheiram a partir da língua)! Como uma antena, as duas pontas da língua direccionam exactamente a posição da presa sem precisar de a ver. Uma vez encontrada a presa, a cobra apenas precisa de atacar e prendê-la, de modo a que esta não escape.
As cobras e serpentes não-venenosas costumam morder e prender a presa, por vezes matando-a a partir da força do seu próprio corpo, de modo a que esta sufoque até à morte. Muitas serpentes venenosas, especialmente as víboras, mordem e deixam a presa fugir até esta morrer por efeito do veneno. A seguir, a serpente apenas tem de seguir o trilho térmico, odorífero e até mesmo ultravioleta, devido aos reflexos que este espectro luminoso produz na urina da presa, até encontrar a sua refeição. Muitas serpentes têm uma digestão lenta, dependendo do tamanho e metabolismo da espécie.


Nome: Cobra-escavadora-da-América-Média (Adelphicos quadrivirgatum)
Tamanho: 22 centímetros de comprimento
Alimentação: Pequenos animais
Local: América Central
Tipo: Dipsadíneo (outro grupo de cobras menos comum)

A cobra-escavadora-da-América-Média habita as regiões húmidas das florestas tropicais do México, Guatemala e Belize. É pequena, lenta, nocturna e não venenosa.




Nome: Cobra-verme-ocidental (Carphophis vermis)
Tamanho: 37 centímetros de comprimento
Alimentação: Vermes e larvas
Local: EUA Central
Tipo: Xenodontíneo (cobras-verme)

A cobra-verme-ocidental é outro tipo de cobra que prefere viver em regiões subterrâneas. Esta espécie não-venenosa consta-se entre as cobras mais pequenas (as serpentes mais pequenas são as cobras-cegas com 10 centímetros). Alimenta-se especialmente de pequenos invertebrados.


Nome: Cobra-de-cauda-afiada (Contia tenuis)
Tamanho: 30 centímetros de comprimento
Alimentação: Lesmas e insectos
Local: EUA Ocidental e Colúmbia Britânica
Tipo: Contia (cobras-de-cauda-afiada)

A cobra-de-cauda-afiada é uma cobra pequena e estreita, difícil de ver ao ar livre. Costuma esconder-se debaixo das rochas e da terra, sendo, vistas por um olhar pouco atento, confundidas com minhocas! O seu mecanismo de defesa consiste em enrolar o seu corpo numa bola, já que não possui uma mordida venenosa. O nome desta cobra deve-se a uma ponta afiada na cauda que se deve a uma extensão das vértebras finais, o qual só tem utilidade na imobilização das presas.


Nome: Cobra-de-pescoço-anelado (Diadophis punctatus)
Tamanho: 46 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados, anfíbios e lagartos
Local: América do Norte
Tipo: Dipsadíneo

A cobra-de-pescoço-anelado é uma espécie de cobra venenosa, apesar de o veneno não ter efeito no homem, que possui um mecanismo de defesa peculiar. Esta cobra possui um veneno fraco, incapaz de afectar mamíferos e aves, mas répteis e anfíbios. Os mamíferos e aves são os seus principais predadores e, para se defender, esta cobra desenvolveu um ventre amarelo-avermelhado para avisar os predadores de que é mortífera. É comum na natureza muitas espécies possuírem colorações vivas como estas como um aviso de que não são saudáveis para o consumo, o que significa que são tóxicas. Apesar de isso não se aplicar à cobra-de-pescoço-anelado, a adopção desta coloração faz com que os predadores se intimidem rapidamente com este réptil e, desse modo, não a comem.


Nome: Cobra-comedora-de-caracóis-de-Catesby (Dipsas catesbyi)
Tamanho: 82 centímetros de comprimento
Alimentação: Caracóis e lesmas
Local: América do Sul
Tipo: Dipsadíneo

A cobra-comedora-de-caracóis-de-Catesby é uma espécie de cobra sul-americana nocturna e não-venenosa especializada na caça de moluscos. O seu corpo é extremamente flexível, como uma fita viva, de modo a que se entranhe nos ramos e folhas densas da floresta tropical.
A sua dieta baseia-se em caracóis e lesmas, os quais são moles e lentos, sendo fácil para uma cobra se alimentar. As cobras não mastigam. No entanto, as suas mandíbulas possuem ossos soltos, ou seja, que se movimentam independentemente para poder puxar a presa para dentro da sua boca. As mandíbulas soltam-se e abrem-se bem mais do que as bocas humanas, sendo capazes assim de engolir um animal maior que a sua própria cabeça!


Nome: Cobra-da-noite (Hypsiglena torquata)
Tamanho: 66 centímetros de comprimento
Alimentação: Essencialmente lagartos e pequenas serpentes
Local: México
Tipo: Dipsadíneo

A cobra-da-noite é uma espécie de cobra venenosa com veneno muito fraco para afectar humanos. O veneno é útil para matar répteis. A sua defesa contra predadores consiste em expandir a sua cabeça de modo a que esta assemelhe-se à cabeça de uma víbora. Desse modo, os predadores evitarão o seu encontro.


Nome: Cobra-arborícola-de-cabeça-dura (Imantodes cenchoa)
Tamanho: 1,5 metros de comprimento
Alimentação: Pequenos répteis e anfíbios
Local: América Central e do Sul
Tipo: Imantodes (cobras-trepadeiras-de-cabeça-dura)

A cobra-arborícola-de-cabeça-dura é uma espécie venenosa, de veneno fraco, que habita nas florestas tropicais. É uma das cobras mais bizarras. Com 1,5 metros de comprimento, esta cobra é extremamente longa e fina mas possui uma cabeça grande. É essencialmente nocturna e possui um corpo muito flexível.


Nome: Serpente-olho-de-gato-anelada (Leptodeira annulata)
Tamanho: 75 centímetros de comprimento
Alimentação: Anfíbios e répteis
Local: América Central e do Sul
Tipo: Xenodontíneo

A serpente-olho-de-gato-anelada é uma espécie de cobra de veneno fraco, o qual produz apenas irritação e suor, mas nada que produza risco de vida no ser humano. É comum nas regiões florestais do Brasil e é raro ocorrerem mordidas provocadas por esta cobra.


Nome: Cobra-dos-pinhais (Rhadinaea flavilata)
Tamanho: 33 centímetros de comprimento
Alimentação: Rãs e lagartos
Local: Sudeste dos EUA
Tipo: Colubríneo

A cobra-dos-pinhais é uma espécie de veneno fraco, pouco conhecida. Distingue-se a partir da sua coloração unicolor castanha-avermelhada. É encontrada debaixo de troncos, casca e cepos.



Nome: Cobra-pescadora-da-montanha (Synophis insulomontanus)
Tamanho: 44,6 centímetros de comprimento
Alimentação: Pequenos animais
Local: Peru
Tipo: Dipsadíneo

A cobra-pescadora-da-montanha é uma espécie recentemente descoberta, no ano passado. Acredita-se que é na América do Sul e na América Central onde ainda se está por descobrir novas espécies de cobras, completamente desconhecidas pela ciência.


Nome: Cobra-corre-campo (Thamnodynastes pallidus)
Tamanho: 60 centímetros de comprimento
Alimentação: Pequenos animais
Local: América do Sul
Tipo: Dipsadíneo

A cobra-corre-campo é uma espécie de cobra comum no Brasil. Costuma expandir a parte da frente do seu corpo para parecer-se mais intimidadora e a sua cabeça torna-se semelhante à de uma víbora, de modo a provocar um aviso nítido para os predadores.




Nome: Cobra-dado (Natrix tesselata)
Tamanho: 1,3 metros de comprimento
Alimentação: Peixes e anfíbios
Local: Europa Central e Oriental e Ásia Ocidental
Tipo: Natricíneo

A cobra-dado é uma espécie de cobra-d'água não-venenosa. É grande e alimenta-se essencialmente de peixes e anfíbios, sendo capaz de derrubar espécimes bem grandes. A cobra-dado raramente morde e distingue-se de outras cobras-d'água europeias devido ao seu corpo gordo e cores pouco vivas.


Nome: Cobra-d'água-castanha-africana (Afronatrix anoscopus)
Tamanho: 79 centímetros de comprimento
Alimentação: Animais aquáticos
Local: África
Tipo: Natricíneo

A cobra-d'água-castanha-africana é uma espécie pouco conhecida de cobra. Habita em cursos de água e alimenta-se exclusivamente de peixes e anfíbios. Não é venenosa e é uma boa nadadora, sendo que não utiliza a mordida como defesa primária.




Nome: Dorso-de-quilha-de-listas-amarelas (Amphiesma stolatum)
Tamanho: 90 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados, peixes, anfíbios e osgas
Local: Sul da Ásia
Tipo: Natricíneo

A dorso-de-quilha-de-listas-amarelas é uma cobra não-venenosa muito comum na Ásia. É encontrada muito frequentemente em terra, mas não é raro o seu avistamento na água. Quando se encontra em ameaça, recorre à expansão do seu corpo, expondo uma região colorida entre as escamas, que serve como um aviso de morte, quando na verdade é apenas "bluff".


Nome: Cobra-de-dorso-de-quilha-dourada (Atretium schistosum)
Tamanho: 87 centímetros de comprimento
Alimentação: Caranguejos, peixes e anfíbios
Local: Índia, Bangladesh, Sri Lanka e Nepal
Tipo: Atretium (cobras-de-dorso-de-quilha-douradas)

A cobra-de-dorso-de-quilha-dourada vive no subcontinente indiano. Não é venenosa e é normalmente vista durante o dia. É seguro pegar na cobra, devido à raridade que este réptil tem em morder. Durante o Verão, entra num estado de adormecimento, para poder suportar a estação seca.


Nome: Cobra-de-Kirtland (Clonophis kirtlandii)
Tamanho: 46 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados, peixes e anfíbios
Local: EUA Central
Tipo: Natricíneo

A cobra-de-kirtland é uma espécie de cobra-d'água não-venenosa. A sua estratégia de defesa consiste na compressão do seu corpo até este ficar fino e rígido. O seu ventre é vermelho-vivo, de modo a afugentar predadores. Esta espécie está quase em vias de extinção. Esta cobra experimenta um método bizarro de reprodução: a ovoviviparidade. É um misto de viviparidade, o qual consiste em dar à luz crias vivas (ex.: mamíferos, exceptuando o ornitorrinco e o equidna, alguns lagartos e serpentes, algumas salamandras e peixes, etc.), e de oviparidade, o qual consiste em pôr ovos e esses ovos vão, por sua vez, dar origem a novos indivíduos (ex.: ornitorrincos, equidnas, muitas espécies de répteis, aves, muitos anfíbios, muitos peixes e muitas espécies de invertebrados). Os animais ovovivíparos produzem ovos no interior dos seus corpos, mas estes não recebem nutrientes do progenitor, tal como os bebés vivíparos. Quando os ovos eclodem, as crias apenas são dadas à luz. Exemplos incluem alguns lagartos e serpentes, alguns anfíbios, alguns peixes e alguns invertebrados.


Nome: Dorso-de-quilha-verde (Macrophistodon plumbicolor)
Tamanho: 61 centímetros de comprimento
Alimentação: Pequenos animais
Local: Índia, Paquistão, Sri Lanka, Bangladesh e Myanmar
Tipo: Macrophistodon (víboras-falsas)

A dorso-de-quilha-verde é uma cobra não-venenosa, criando muita atenção a quem a vê, devido à cor verde-clara. No entanto, o seu habitat florestal torna-a muito difícil de ver. Os juvenis distinguem-se por possuírem uma marca de V em preto na nuca, logo à frente de outro V em amarelo.


Nome: Cobra-d'água-de-colar (Natrix natrix)
Tamanho: 1,9 metros de comprimento
Alimentação: Anfíbios, peixes e invertebrados
Local: Europa, Ásia do Norte e África do Norte
Tipo: Natricíneo

A cobra-d'água-de-colar é uma grande cobra europeia que pode ser encontrada em abundância em Portugal. Distingue-se de outras cobras-d'água devido a um colar branco ou amarelo que separa a cabeça do resto do corpo. O corpo é cinzento com manchas pretas e o ventre é branco ou amarelo. Não é venenosa e raramente morde quando é apanhada. As suas técnicas de defesa são a construção de um fluído malcheiroso, proveniente das glândulas anais, e a de fingir-se de morta, podendo observar-se irrigações de sangue da sua boca e nariz que são totalmente normais. As cobras-d'água são as espécies de cobras mais pacíficas e podem facilmente ser apanhadas à mão sem o risco de ser mordido.


Nome: Cobra-d'água-diamante (Nerodia rhombifer)
Tamanho: 1,7 metros de comprimento
Alimentação: Invertebrados, peixes e anfíbios
Local: EUA e México
Tipo: Natricíneo

A cobra-d'água-diamante é uma espécie de cobra-d'água grande e gorda. Não é venenosa, mas assemelha-se a uma cascavel, serpente altamente venenosa. Desse modo, muitas espécies de predadores podem evitar o seu encontro.
Os parentes da cobra-d'água-diamante têm técnicas de caça excepcionais. A cobra-dos-pântanos-salgados utiliza a língua para formar uma pequena agitação na água que atrai os peixes.


Nome: Cobra-rainha (Regina septemvittata)
Tamanho: 61 centímetros de comprimento
Alimentação: Anfíbios, peixes e invertebrados
Local: EUA Oriental
Tipo: Natricíneo

A cobra-rainha é uma espécie de cobra-d'água não-venenosa, identificável por uma risca amarela a atravessar cada flanco. Sendo muito inofensiva, esta cobra é uma presa fácil para guaxinins, lontras, visons, gaviões e garças. É bem possível que fosse um petisco preferível para os ameríndios. Qualquer cobra ou serpente é comestível, desde que a cabeça e as tripas sejam removidas, pois é aí onde se encontra o veneno.


Nome: Cobra-dos-pântanos (Seminatrix pygaea)
Tamanho: 55 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados, peixes e anfíbios
Local: EUA Oriental
Tipo: Natricíneo

A cobra-dos-pântanos é uma espécie de cobra-d'água não-venenosa caracterizada pelo seu dorso negro (em vez de castanho às pintas, como a cobra-de-Kirtland) e o seu ventre vermelho-vivo, útil para afugentar predadores potenciais, que caçam outras cobras-d'água.



Nome: Cobra-d'água-oriental (Sinonatrix percarinata)
Tamanho: 1,1 metros de comprimento
Alimentação: Camarões, peixes e rãs
Local: China, Índia, Vietname, Laos, Tailândia, Myanmar
Tipo: Sinonatrix (cobras-d'água-orientais)

A cobra-d'água-oriental é uma espécie de cobra-d'água não-venenosa. Ao contrário de muitas outras cobras-d'água, é agressiva e é quase garantido que tente morder quando apanhada.



Nome: Cobra-castanha (Storeria dekayi)
Tamanho: 49 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados terrestres
Local: América do Norte e Central
Tipo: Natricíneo

A cobra-castanha é uma espécie de cobra não-venenosa, comum nas regiões terrestres da América do Norte. Alimenta-se principalmente de lesmas, caracóis e outros invertebrados moles. As fêmeas dão à luz crias vivas, eclodidas de ovos, o que se chama de ovoviviparidade.



Nome: Cobra-garter-terrestre-ocidental (Thamnophis elegans)
Tamanho: 1 metro de comprimento
Alimentação: Invertebrados, peixes, anfíbios e pequenos mamíferos
Local: América do Norte
Tipo: Natricíneo

A cobra-garter-terrestre-ocidental é uma cobra de veneno fraco que habita as regiões da América do Norte. Pertence ao grupo das cobras-garter, que são espécies puramente norte-americanas. Existem mais de 25 espécies de cobras-garter, todas elas venenosas, mas incapazes de matar o ser humano (de facto, o veneno não tem qualquer utilidade para a cobra). Têm uma boa capacidade para lidar com o frio, hibernando em latitudes de temperatura muito baixa e algumas espécies são mesmo migradoras. Algumas cobras-garter juntam-se em números para o acasalamento, sendo que as fêmeas podem acabar enroladas por montes de machos à sua volta. Alguns machos, durante os inícios da primavera, podem adoptar a aparência de uma fêmea de modo a que vários outros machos se juntem a ele, com o intuito de se aquecer!


Nome: Cobra-de-linha (Tropidoclonion lineatum)
Tamanho: 53 centímetros de comprimento
Alimentação: Minhocas
Local: EUA Central
Tipo: Natricíneo

A cobra-de-linha não é venenosa. Ao contrário dos seus parentes próximos, habita regiões longe de cursos de água e prefere invertebrados terrestres para incluir na sua dieta.




Nome: Cobra-d'água-doce (Tropidonophis mairii)
Tamanho: 1 metro de comprimento
Alimentação: Anfíbios e lagartos
Local: Norte da Austrália
Tipo: Natricíneo

A cobra-d'água-doce é uma espécie de cobra-d'água nativa da Austrália. É semelhante à taipan, a serpente mais venenosa do mundo, evitando assim os predadores mais cautelosos. Tem uma leve capacidade de imunidade a toxinas, sendo capaz de comer sapos-da-cana-do-açúcar, os quais são tóxicos, a partir de uma certa idade.


Nome: Cobra-da-terra-rija (Virginia striatula)
Tamanho: 25 centímetros de comprimento
Alimentação: Invertebrados
Local: EUA Oriental
Tipo: Natricíneo

A cobra-da-terra-rija é uma pequena espécie de cobra não-venenosa especializada na captura de pequenos invertebrados terrestres. Esta minhoca, por exemplo, é um petisco preferível. É vivípara, como os mamíferos, dando à luz crias vivas, ao contrário de muitas outras cobras, que são ovíparas, pois põem ovos.


Nome: Cobra-d'água-asiática (Xenochrophis piscator)
Tamanho: 1,7 metros de comprimento
Alimentação: Peixes e rãs
Local: Ásia Central e do Sul
Tipo: Xenochrophis (dorsos-de-quilha-pintados)

A cobra-d'água-asiática é uma grande cobra-d'água não-venenosa, quase ameaçada de extinção. É das maiores cobras-d'água do planeta, mas infelizmente é caçada ilegalmente pela sua pele valiosa.



Nome: Cobra-comedora-de-caracóis-de-Iwasaki (Pareas iwasakii)
Tamanho: 22 centímetros de comprimento
Alimentação: Caracóis
Local: Japão
Tipo: Pareatíneo (cobras-comedoras-de-caracóis)

A cobra-comedora-de-caracóis-de-Iwasaki é uma cobra invulgar. É uma espécie adaptada para a caça de caracóis que, apesar de muito lentos, ainda recebem ataques furiosamente rápidos de uma cobra que não precisa de o fazer. É tão adaptada que as suas mandíbulas são assimétricas de modo a caçar caracóis com carapaças de enrolamento destro no sentido do ponteiro dos relógios. Alguns cientistas descobriram que começam a haver mais caracóis nas Ilhas Ryukyu (habitat natural da cobra) a desenvolver carapaças de enrolamento destro no sentido contrário ao ponteiro dos relógios.


Nome: Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus)
Tamanho: 2 metros de comprimento
Alimentação: Lagartos (principalmente)
Local: Sul da Europa, Ásia Ocidental e Norte de África
Tipo: Psamofíneo (grupo menos comum de cobras)

A cobra-rateira é uma das maiores cobras da Europa, definitivamente a maior de Portugal. É venenosa, mas o veneno raramente é injectado e quando o é apenas causa dor, inchaço, irritação e dificuldades respiratórias, mas nunca causa a morte da vítima. Apesar do seu nome, não é uma caçadora activa de roedores, preferindo caçar répteis. A cobra-rateira é uma grande cobra, distinguível pelo seu tamanho e cor, que varia desde o cinzento-escuro até ao verde. É agressiva, por isso é difícil não ser mordido quando se tenta pegar numa. É mais provável sofrer envenenamento em espécimes maiores. É das serpentes mais fáceis de identificar no território português.


Nome: Cobra-corredora-da-areia-longa (Psammophis longifrons)
Tamanho: 1,4 metros de comprimento
Alimentação: Lagartos e rãs
Local: Índia
Tipo: Psammophis (cobras-corredoras-da-areia)

A cobra-corredora-da-areia-longa é semelhante à cobra-rateira, tanto em aparência como em comportamento. Alimenta-se principalmente de animais de sangue frio e é venenosa, mesmo que o seu veneno seja fraco e inofensivo para os humanos. Vive em ambientes terrestres ou arbóreos.
As cobras são das espécies mais adaptáveis de serpentes, encontrando-se em qualquer habitat, desde os cursos de água até ao topo das árvores. Muitas espécies são encontradas nos dois ambientes. A cobra-voadora é uma espécie extremamente bizarra, conhecida por achatar as suas costelas e abdómen para poder planar de árvore a árvore, como um esquilo-voador!


Nome: Cobra-skaapsteker-rômbica (Psammophylax rhombeatus)
Tamanho: 1,4 metros de comprimento
Alimentação: Rãs, lagartos e mamíferos
Local: África Austral
Tipo: Psammophylax (cobras-skaapsteker)

A cobra-skaapsteker-rômbica é um parente menos agressivo da cobra-rateira que habita nas regiões áridas da África Austral. Possui um veneno fraco e tem pouca tendência a morder, mesmo se provocada.



Nome: Cobra-de-bico-ruiva (Rhamphiophis oxyrhynchus)
Tamanho: 1,1 metros de comprimento
Alimentação: Anfíbios, lagartos, serpentes e mamíferos
Local: África Austral e Oriental
Tipo: Rhamphiophis (cobras-de-bico)

A cobra-de-bico-ruiva é uma espécie de cobra venenosa, distinguível pelo seu focinho em forma de bico e uma listra negra à frente do olho. É parente da cobra-rateira e possui um veneno especializado para afectar pequenos mamíferos, mas não tem efeito nocivo para os seres humanos.


Nome: Cobra-nariz-de-porco-oriental (Heterodon platirhinos)
Tamanho: 1,1 metros de comprimento
Alimentação: Anfíbios
Local: Canadá e EUA
Tipo: Xenodontíneo

A cobra-nariz-de-porco-oriental é uma das cobras mais bizarras do planeta. O seu alimento é composto por rãs, sapos e salamandras. A injecção do veneno mata rãs e salamandras mas, por vezes, os sapos morrem devido ao inchaço recebido pela mordida, deixando a entrada de ar para o organismo do animal até que este literalmente exploda! A cobra produz um veneno incapaz de matar humanos, mas para indivíduos alérgicos pode-se observar suor ligeiro.
Mas o que torna esta serpente bizarra é a sua estratégia de defesa. Ela espalma o seu crânio e parte da frente do corpo, de modo a parecer-se bem maior, como uma víbora. Apesar de não haverem víboras semelhantes a esta cobra na América do Norte, é claramente um aviso intimidador para qualquer animal.


Nome: Cobra-rinoceronte (Rhynchophis boulengeri)
Tamanho: 1,6 metros de comprimento
Alimentação: Roedores, aves, répteis, etc.
Local: China e Vietname
Tipo: Colubríneo

A cobra-rinoceronte é uma espécie de cobra inconfundível devido à sua coloração verde e ao seu nariz arrebitado, que lembra um chifre. Não é venenosa e é, aparentemente, pacífica. Para além do seu chifre, nada mais tem de especial.



Nome: Cobra-voadora-dourada (Chrysopelea ornata)
Tamanho: 1,3 metros de comprimento
Alimentação: Rãs, lagartos, roedores e morcegos
Local: Sudeste Asiático
Tipo: Colubríneo

A cobra-voadora-dourada é uma espécie de cobra adaptada para a vida aérea. Não voa na realidade, mas tem a capacidade de planar! Ao espalmar as costelas por todo o seu corpo, consegue criar uma maior área para poder utilizar a resistência do ar e movimentar-se. A cobra nada mais faz do que cair, mas ao espalmar as costelas, consegue cair mais lentamente, como um pára-quedas. À medida que cai, também faz movimentos ondulatórios em pleno ar, de forma a encobrir distância, como se estivesse a caminhar no ar! Sabe-se de alguns espécimes que encobriram distâncias de até 100 metros! A cobra-voadora é venenosa, mas o veneno não é perigoso para os seres humanos.


Nome: Cobra-tentáculo (Erpeton tentaculatum)
Tamanho: 90 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixe
Local: Sudeste Asiático
Tipo: Homalopsíneo (cobras-da-lama)

A cobra-tentáculo é uma cobra da subfamília Homalopsinae. Ainda é discutida a hipótese de a subfamília Homalopsinae ser de facto uma família distinta de serpentes: Homalopsidae. Se tal for provado, a cobra-tentáculo deixará de ser considerada uma cobra.
A cobra-tentáculo é invulgar devido à existência de duas protuberâncias no focinho que são utilizadas para a detecção do movimento das suas presas: os peixes. Em águas lamacentas, a orientação visual é difícil, por isso estes tentáculos são úteis. A cobra-tentáculo é venenosa, mas o seu veneno é incapaz de matar seres humanos.


Cobras portuguesas


Em Portugal, existem 11 espécies de serpentes. Nove delas são cobras e as outras duas são víboras. Todas as víboras portuguesas são venenosas, mas nenhuma é conhecida por provocar mortes (mas não significa que não são capazes de o fazer). Três cobras portuguesas são venenosas e apenas uma é conhecida por injectar veneno nos seres humanos. Nenhuma cobra portuguesa é capaz de matar seres humanos.
Este curto guia permitirá identificar as cobras e víboras de Portugal. Muitas serpentes são mortas à cachola e à forquilha sem necessidade. Muitas serpentes só atacarão caso estiver bastante próximo e normalmente só as víboras atacam sem piedade. Para além de que muitas serpentes não são venenosas, as que são são inofensivas para o homem. Independentemente do tipo de serpente, nunca a mate, pois é um desrespeito para o animal e para o ambiente, pois é essencial para a estabilidade do ecossistema.


Cobras


Nome: Cobra-de-ferradura (Hemorrhois hippocrepis)
Tamanho: 1,5 metros de comprimento
Alimentação: Répteis, mamíferos e aves
Local: Península Ibérica, Sardenha, Magrebe
Tipo: Colubríneo

A cobra-de-ferradura não é venenosa e distingue-se pelo seu dorso manchado com losangos escuros e uma série de X claros. Na parte de cima da sua cabeça e nuca encontra-se uma forma clara semelhante a uma ferradura, dando-lhe o nome. Vive em regiões áridas e possui uma pupila circular, típica das cobras portuguesas, que distingue-as das víboras, que têm uma pupila vertical. Não é uma espécie ameaçada.


Nome: Cobra-lisa (Coronella austriaca)
Tamanho: 92 centímetros de comprimento
Alimentação: Répteis
Local: Europa e Ásia Ocidental
Tipo: Colubríneo

A cobra-lisa não é venenosa. É rara em Portugal, sendo uma cobra típica de climas frios e montanhosos. Possui leves padrões mais escuros no seu corpo cinzento ou castanho. Distingue-se da sua parente, a cobra-bordalesa, devido a uma listra que começa no focinho, passa pelo olho e acaba na base das mandíbulas. É ovovivípara. A sensação de toque quando se segura nesta serpente é a de escamas lisas, o que distingue as cobras das víboras, com escamas rugosas, e também é o que dá nome a esta espécie. É pequena e o seu estatuto de conservação ainda está por ser determinado pela IUCN.


Nome: Cobra-bordalesa (Coronella girondica)
Tamanho: 62 centímetros de comprimento
Alimentação: Répteis
Local: Sudoeste Europeu e Magrebe
Tipo: Colubríneo

A cobra-bordalesa não é venenosa. É mais pequena e mais castanha que a cobra-lisa e vive em ambientes mais amenos. Os padrões escuros são mais visíveis e a listra escura começa no olho e acaba na base das mandíbulas. Esta cobra não é uma espécie ameaçada.



Nome: Cobra-de-escada (Rhinechis scalaris)
Tamanho: 1,6 metros de comprimento
Alimentação: Mamíferos (principalmente)
Local: Península Ibérica, Sul de França, Mónaco, Ilha Minorca e uma pequena região de Itália
Tipo: incertae sedis (grupo taxonómico desconhecido)

A cobra-de-escada não é venenosa. É uma cobra gorda e comprida, muito identificável. Os adultos possuem uma coloração castanha com duas riscas a correr no mesmo sentido do corpo. Alimenta-se principalmente de roedores. É grande e lenta, sendo fácil de pegar, se não fosse pelas suas mordidas, compostas por dentes afiados. Grandes presas, como crias de coelho, são subjugadas a partir da constrição. As fêmeas permanecem com os ovos até estes eclodirem mas, ao contrário de muitas outras serpentes, algumas fêmeas não abandonam os filhotes nas primeiras semanas.
Os filhotes são amarelos e possuem no dorso duas linhas escuras no mesmo sentido do corpo com riscas semelhantes a teclas de piano, com o seguinte padrão: negro, amarelo, negro, amarelo, negro, amarelo, etc. Esse padrão faz lembrar uma escada de mão a percorrer todo o comprimento do juvenil, dando o nome a essa espécie.
A cobra-de-escada não é uma espécie ameaçada. Não se sabe a que grupo pertence, mas é bem provável que seja um colubríneo.


Nome: Cobra-de-capuz (Macroprotodon cucullatus)
Tamanho: 55 centímetros de comprimento
Alimentação: Lagartos (principalmente)
Local: Sudoeste Europeu, Norte de África e Médio Oriente
Tipo: Boodontíneo

A cobra-de-capuz é venenosa, mas o seu veneno é incapaz de ser injectado no ser humano e muito menos matar um. O veneno desta cobra tem apenas efeito nas suas presas, que são lagartos. Distingue-se das cobras-lisas devido a uma mancha negra na nuca, semelhante a um capuz, que lhe dá o nome. Distingue-se da cobra-de-capuz-ocidental devido a possuir uma listra ocular bem mais pequena.
A cobra-de-capuz não é uma espécie ameaçada.


A cobra-de-capuz-ocidental (Macroprotodon brevis), mencionada acima, possui uma listra ocular que se estende para a base da mandíbula. É a serpente mais pequena de Portugal. É venenosa, mas o seu veneno não afecta os seres humanos.
É uma espécie quase ameaçada de extinção.


A cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), mencionada acima, é a maior serpente de Portugal. É venenosa, mas o veneno raramente é injectado numa mordida e, quando o é, a morte nunca ocorre. Ao contrário do nome, não é uma caçadora activa de roedores, sendo também chamada de cobra-bastarda. É agressiva. Distingue-se pela sua cor cinzenta ou verde monótona. Possui dois pequenos altos no crânio. Os juvenis são castanho-claros e pintados, distinguindo-se das outras cobras pela espessura do corpo, que é reduzida.
Não é uma espécie ameaçada.


Nome: Cobra-d'água-viperina (Natrix maura)
Tamanho: 85 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixe e anfíbios
Local: Europa Ocidental e Norte de África
Tipo: Natricíneo

A cobra-d'água-viperina é uma das duas espécies de cobras-d'água existentes em Portugal. Não é venenosa. Em relação ao seu parente, a cobra-d'água-de-colar, o tamanho é radicalmente menor. É gorda, possui uma cabeça semelhante à da víbora, dando-lhe o nome. A distinção entre esta cobra e a víbora é a pupila circular.
Esta cobra nunca morde e defende-se a partir de silvos e ataques falsos, os quais nunca consistem numa boca aberta. Quando na água, a cobra-d'água-viperina assemelha-se à cobra-d'água-de-colar. Para as distinguir, basta olhar para os padrões do dorso, que são muito menos espaçados que os da cobra-d'água-de-colar. É pacífica e é seguro nadar com cobras-d'água, para além de que é muito divertido também (eu já experimentei). A coloração varia desde o cinzento, passando pelo castanho, verde e amarelo, até ao laranja.
Provavelmente não está ameaçada de extinção.


A cobra-d'água-de-colar (Natrix natrix), mencionada acima, é uma cobra não-venenosa. Raramente morde quando incomodada. A sua técnica de defesa é a produção de um líquido anal malcheiroso, o fingimento da sua morte e a libertação de sangue pelo nariz e boca. É bem maior que a cobra-d'água-viperina. Possui uma cabeça mais semelhante à de uma cobra normal. Tem manchas nos flancos do pescoço que são claras e estão rodeadas por um colar preto, daí o seu nome. Possui manchas escuras espaçadas pelo seu corpo. É cinzenta, castanha ou verde-acinzentada. É fácil de se pegar e é completamente inofensiva.
Não está ameaçada de extinção.


Víboras


Nome: Víbora-cornuda (Vipera latastei)
Tamanho: 72 centímetros de comprimento
Alimentação: Répteis e mamíferos
Local: Península Ibérica e Magrebe
Tipo: Não é uma cobra

A víbora-cornuda é a víbora mais comum e mais conhecida de Portugal. Distingue-se da outra víbora, a víbora-de-seoane, devido ao seu padrão de losangos negros no dorso. Tem um pequeno corno na ponta do focinho e a ponta da cauda é amarela, provavelmente para atrair presas. O veneno da serpente não é capaz de matar seres humanos, mas é poderoso e cria efeitos visíveis no organismo, podendo entrar no limite do perigo em indivíduos jovens, idosos, doentes ou alérgicos. É a única serpente portuguesa ameaçada de extinção.
As víboras distinguem-se das cobras pelo seu corpo gordo e curto, cabeça larga em forma de V, dentes inoculadores retracteis e pupilas verticais.


Nome: Víbora-de-seoane (Vipera seoanei)
Tamanho: 75 centímetros de comprimento
Alimentação: Répteis e mamíferos
Local: Norte da Península Ibérica e uma pequena região de França
Tipo: Não é uma cobra

A víbora-de-seoane foi, outrora, considerada, uma subespécie da víbora-negra, mas é hoje classificada como uma espécie distinta. A víbora-negra possui um veneno forte, mas raramente fatal. Nunca houve fatalidades registadas provocadas por víboras-de-seoane, mas é possível que os jovens, idosos, doentes ou alérgicos estejam sujeitos à morte!
A víbora-de-seoane só existe no Norte de Portugal. Os machos são negros e as fêmeas são castanho-claras, com um padrão escuro de ziguezague no dorso. Não possui chifre.
Não é uma espécie ameaçada.

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