sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os super-poderes dos animais

Há muito tempo que é sabido de que os animais têm capacidades que ultrapassa as do ser humano. Apesar de a inteligência e a criatividade do ser humano serem motivo de nosso orgulho, nenhum homem ou mulher consegue saltar como uma rã, nadar como um tubarão ou flutuar na água como um pato. Estes animais estão realmente dotados de super-poderes. Mas esta lista vai nos revelar que a queda miraculosa de um gato ou o olfacto apurado do cão não são nada comparados com os verdadeiros poderes dos animais espalhados pela Terra. Tal como na série dos X-men, existem animais com auto-regeneração, que controlam a mente, que desafiam as leis da gravidade e que são capazes de nunca envelhecer! Espécies que literalmente ressuscitam, que conseguem sobreviver a temperaturas extremamente baixas, que se camuflam de modo incrível e de deixar de respirar por horas, dias, ou até semanas! Podem passar anos sem comer ou beber, reproduzir-se de forma espontânea e até mesmo de viajar no tempo! Se gostam de super-poderes e, no entanto, de animais reais, então esta é a perfeita combinação.


Parece uma visão exagerada, mas em termos biológicos, Hugh Jackman não faz nenhum papel autêntico. Os animais conseguiram evoluir das maneiras mais bizarras. No entanto, não é a sua aparência que mais atrai os zoólogos, mas as suas capacidades. Porque haveria uma rã de evoluir uma arma tão letal? De que modo um urso-d'água evoluiu para este método de sobrevivência brilhante? E como consegue um pequeno mustelídeo controlar a mente das suas presas? Antes que fique baralhado com todas estas questões que não fazem sentido, é melhor prosseguirmos com a lista.


X-men do mundo dos animais



Nome: Rã-peluda (Trichobatrachus robustus)
Tamanho: 11 centímetros de comprimento
Alimentação: Moluscos e artrópodes
Tempo: 122 - 0 M.a. (Cretácico Inferior até hoje)
Local: África Central
Tipo: Anfíbio

A rã-peluda, também conhecida por rã-do-horror ou rã-wolverine, é uma rã bizarra. Chama-se assim por possuir filamentos semelhantes a pêlos nos seus flancos. Mas o seu verdadeiro super-poder é o mais aparentado ao do Wolverine, da série X-men. Esta rã, tal como todas as rãs, não tem garras, mas os ossos da ponta dos dedos, embrenhados dentro da carne, são em forma de garras. Quando a rã sente-se ameaçada retrai as "garras" e estas saem para fora dos dedos. Tal como o Wolverine, a rã-peluda perfura a carne para que as "garras" saiam para fora. A rã, ao retraí-las para dentro vai ter de regenerar a pele e a carne que tiveram de ser rasgadas. A regeneração é surpreendentemente rápida nesta rã, quando comparado com um ferimento de dimensão semelhante num ser humano. Apesar de as "garras" da rã-peluda serem ridículas quando em comparação com as do Wolverine, ainda é um exemplo muito especial.


Nome: Arminho (Mustela erminea)
Tamanho: 32 centímetros de comprimento
Alimentação: Roedores e lagomorfos
Tempo: 15 - 0 M.a. (Miocénico até hoje)
Local: América do Norte e Euroásia
Tipo: Mustelídeo

O arminho, por mais bonito e natural que pareça, não é a espécie mais gentil e é dotado de um super-poder maligno. Ao contrário do seu "parente" dos X-men: o Professor X, um dos principais protagonistas da série. Tal como ele, o arminho é capaz de controlar a mente dos outros. Pode parecer um roedor, mas é um mamífero carnívoro, adaptado para a caça de ratos, hamsters, lemingues e coelhos. Ao saltar pelo meio do prado, todo contente e feliz, aparentemente, não há como não deixar de olhar. Até os coelhos ficam a olhar para este animal bonito e fofinho, a saltar e a deitar-se na relva. Mas à medida que vai enganando os coelhos, o arminho aproxima-se cada vez mais e, no final, consegue apanhar a presa. O arminho hipnotiza as suas presas, assim como um turista que não pode deixar passar um momento tão querido como este.


Nome: Lagarto-cornudo-do-Texas (Phrynosoma cornutum)
Tamanho: 11 centímetros de comprimento
Alimentação: Formigas e outros insectos
Tempo: 145 - 0 M.a. (Cretácico Inferior até hoje)
Local: Sul dos EUA e México
Tipo: Iguânio (agamas, camaleões, iguanas, lagartos-cornudos, etc.)

O lagarto-cornudo-do-Texas é o equivalente ao Ciclope, dos X-men. Apesar de este réptil não conseguir libertar raios-laser pelos olhos, este lagarto liberta sangue pelos olhos! A pressão dos capilares sanguíneos nos olhos do lagarto-cornudo-do-Texas liberta um jacto de sangue em direcção ao inimigo. O sangue do lagarto tem propriedades irritantes nos canídeos e felídeos, assim como nos humanos. Os únicos que não são afectados por este método defensivo são as aves, por isso o réptil confia na sua cor semelhante à areia do deserto para que os corvos, corujas e urubus não o detectem.


Nome: Polvo-mímico (Thaumoctopus mimicus)
Tamanho: 60 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixes, moluscos e crustáceos
Tempo: 323 - 0 M.a. (Carbonífero Superior até hoje)
Local: Indo-Pacífico
Tipo: Polvo

O polvo-mímico é o equivalente da Mística. Tal como ela, o polvo chama a sua atenção na sua forma natural. Um tubarão, moreia ou golfinho veria este cefalópode como uma presa fácil. Mas tal como a Mística, o polvo tem um super-poder. Ao contrário dos camaleões e chocos, que se camuflam de forma impressionante, o polvo-mímico muda de forma para parecer outra espécie de animal. E, em vez de imitar apenas uma espécie, o polvo imita várias. As espécies que imita são, preferencialmente, perigosas para os caçadores de polvos. O polvo-mímico pode pôr todos os seus tentáculos para trás e nadar como uma solha, um peixe com um espigão afiado, que o torna uma presa desagradável para estar na boca. O polvo ainda pode nadar com os tentáculos todos abertos para parecer um peixe-leão, um peixe bastante venenoso. Pode enterrar os seus tentáculos na areia e mudar a forma da sua cabeça para parecer uma cabeça de congro, um predador voraz. Pode enterrar também apenas seis tentáculos na areia e deixar dois de fora e move-os de forma a que se assemelhe a uma serpente-marinha, uma das serpentes mais venenosas da Terra. No entanto, ao contrário da Mística, o polvo-mímico não tem boas capacidades de luta.


Nome: Esponja-tubo-de-fogão (Aplysina archeri)
Tamanho: 1,5 metros de altura
Alimentação: Microorganismos
Tempo: 635 - 0 M.a. (Ediacariano até hoje)
Local: Mar das Caraíbas
Tipo: Esponja

À primeira vista, este animal bizarro não lembra nenhum representante da série de filmes X-men. No entanto, a esponja-tubo-de-fogão tem semelhanças com o Multiple Man. O Multiple Man é capaz de se multiplicar em vários corpos individuais iguais ao original. Apesar de a esponja-tubo-de-fogão não ser muito diferente das outras esponjas, tem um poder sobrenatural para um ser humano. Esta esponja é capaz de se multiplicar em várias outras esponjas.
A esponja é um animal muito simples, composta por uma grande estrutura de células vivas. As esponjas não têm cérebro, vasos sanguíneos, coração, boca, pulmões, nariz ou olhos. As esponjas são quase rochas coloridas que crescem lentamente no mar. No entanto, a esponja é um animal. Se partirmos um pedaço de esponja viva e a colocarmos longe da esponja original, as células constroem uma outra estrutura, ou seja, outra esponja. Se pegarmos em dois pedaços, cada um de esponjas diferentes, e as pusermos encostadas, as células juntam-se e constroem uma nova esponja.


Nome: Elefante-asiático (Elephas maximus)
Tamanho: 8,06 metros de comprimento (maiores exemplares descobertos)
Alimentação: Árvores, frutos, gramíneas, etc.
Tempo: 2,5 - 0 M.a. (Pleistocénico até hoje)
Local: Sul da Ásia
Tipo: Proboscídeo

O elefante-asiático pouco tem de novo... para além do seu super-poder. É conhecido o facto de o elefante possuir uma memória excepcional, dado o facto de se lembrar como é que era a cara de uma pessoa que conheceu há cerca de 10 anos. Mas para além da sua capacidade em lembrar-se do passado, é capaz de construir uma ideia do futuro! Tal e qual Yukio, uma mutante com uma capacidade em saber o que vai acontecer no futuro.
Os elefantes têm outros super-poderes, como inteligência avançada e força sobre-humana. Mas têm também um campo de sentidos apurados. Para além do sentido de olfacto e audição, têm um sexto sentido. Os elefantes comunicam-se a partir de ultrassons, sons muito baixos para o ouvido humano. Esses sons são espalhados a partir do solo e os elefantes detectam-nos pelas patas. Dessa maneira, podem comunicar com outros elefantes a vários quilómetros de distância, tal como um telemóvel natural. Todos estes super-poderes são dignos de um elefante. No entanto, a previsão de acontecimentos futuros deve-se ao facto de possuir esse poder de detecção de ultrassons. Ao detectar sons de frequência baixa, podem sentir a frequência sísmica de um terramoto ou de uma actividade vulcânica, antes mesmo de estes cataclismos acontecerem. Várias pessoas foram salvas graças ao comportamento invulgar dos elefantes, minutos antes de um terramoto ou tsunami assolar a área.


Outros grandes super-poderes dos animais



Nome: Peixe-arqueiro-bandado (Toxotes jaculatrix)
Tamanho: 30 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos e outros invertebrados
Tempo: 100 - 0 M.a. (Cretácico Superior até hoje)
Local: Mangais das costas do Indo-Pacífico
Tipo: Peixe perciforme

O peixe-arqueiro-bandado tem outros poderes sobrenaturais. Esta é a categoria de poderes que, simplesmente, não se comparam aos poderes dos X-men. Este peixe possui olhos especializados para calcular a refracção da água. Este tipo de capacidade não é única e existe em várias espécies de animais aquáticos que caçam animais terrestres e vice-versa (como as garças a caçar peixe). No entanto, para apanhar as suas presas, o peixe-arqueiro manda um jacto de água que pode ser projectado até aos 3 metros. Este jacto é disparado com muita precisão até a um insecto desprevenido. Esse insecto, fortemente agarrado a um ramo, viria rapidamente a escorregar e cair na água. Aí, o peixe podia pegar no insecto e comê-lo.


Nome: Camarão-pistola-tigre (Alpheus bellulus)
Tamanho: 5 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixes e crustáceos
Tempo: 201 - 0 M.a. (Jurássico Inferior até hoje)
Local: Indo-Pacífico
Tipo: Alfeóideo (camarões-pistola e camarões-limpadores)

O camarão-pistola-tigre é o campeão da pontaria. No entanto, a precisão e a energia que produz é simplesmente inacreditável. O camarão possui pinças afiadas que, na maior parte dos crustáceos, é útil para agarrar nas presas e no alimento. Mas o camarão-pistola mata a presa sem sequer tocar nela! Ao bater com a pinça, faz-lo com uma força inacreditável. Isto cria uma onda de choque, acompanhado com um som ensurdecedor, o som mais forte que é produzido por um animal (sem contar com o ser humano). Esse som é tão intenso que é mesmo capaz de brilhar! Por escassos momentos, a onda de choque cria uma temperatura comparável à da superfície do Sol! A precisão necessária para libertar esta escassa fonte de energia para a sua presa é digno de um animal desta lista!


Nome: Camaleão-pantera (Furcifer pardalis)
Tamanho: 45 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos, outros invertebrados e até aves
Tempo: 61 - 0 M.a. (Paleocénico até hoje)
Local: Madagáscar
Tipo: Réptil escamoso (lagartos, serpentes e anfisbenídeos)

O camaleão-pantera é, para um camaleão, muito colorido e muito grande. No entanto, não é isto que o faz um animal digno desta lista. Ninguém sabe porque é que os camaleões evoluíram este método de mudança de cor, que é o mais preciso de todos os vertebrados. No entanto, parece bastante útil. Ao contrário da crença popular, a mudança de cor não serve para se camuflar, pois nesse caso, bastava que o animal fosse da cor do seu habitat. A cor original do camaleão é, de facto, a cor do seu ambiente, mas muda de cor para um espectáculo colorido essencialmente para chamar a atenção de machos e fêmeas. Isto faz com que os camaleões sejam bastante territoriais.
Mas para além desse super-poder único entre os vertebrados, existe o seu poder de visão. A visão do camaleão não é necessariamente apurada, mas os seus olhos, que se movem independentemente, são únicos entre os vertebrados terrestres. Ainda têm o poder da pontaria extrema, usando a sua língua comprida e viscosa para disparar contra as suas presas. Essa língua é projectada graças à sua elasticidade e não é comparável a nenhum animal vivo da Terra, nem mesmo às rãs e sapos que, apesar de apanharem as suas presas com as línguas compridas e viscosas, não são tão rápidas e tão precisas como as dos camaleões.


Nome: Choco-comum (Sepia officinalis)
Tamanho: 49 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixes e crustáceos
Tempo: 23 - 0 M.a. (Miocénico até hoje)
Local: Atlântico Oriental
Tipo: Sepídeo (chocos vulgares)

O choco-comum, tal como o camaleão-pantera, tem mais do que um super-poder. Tem a capacidade de mudar rapidamente de cor. Pode formar várias cores desde o vermelho-escuro até ao azul-escuro. Pode criar um padrão arenoso e um padrão axadreszado. Um macho pode disfarçar-se de fêmea para invadir o território de outro macho sem ser rejeitado. É também capaz de mudar de cor de forma hipnotizante, sem exageros. Sem exageros porque o outro grande super-poder do choco-comum é o controlo das mentes! Ao formar uma mudança de cor hipnotizante e uma posição estratégica dos seus tentáculos, consegue hipnotizar a sua presa, como, por exemplo, um caranguejo desafortunado. O choco usa este método para impedir que o caranguejo fuja a correr. Então, o choco prepara dois tentáculos com ventosas pegajosas e dispara-os em direcção à presa. Assim, o choco consegue a sua refeição.


Nome: Urutau-andino (Nyctibius maculosus)
Tamanho: 39 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos voadores
Tempo: 60 - 0 M.a. (Paleocénico até hoje)
Local: América do Sul
Tipo: Ave caprimulgiforme (noitibós)

O urutau-andino não muda de cor, no entanto a sua camuflagem é incrível. Esta ave é capaz de se camuflar entre galhos e troncos de árvores durante o dia, para não ser detectado por águias, milhafres e falcões. A plumagem desta espécie evoluiu de forma a não se distinguir enquanto dorme nas árvores. Esta ave é nocturna e acorda do seu esconderijo para poder caçar insectos, que detecta graças aos seus olhos enormes.
Outras aves são capazes de camuflagens incríveis, como a pita-africana que, apesar de ser incrivelmente colorida, consegue miraculosamente se camuflar no solo da floresta. Tarambolas e maçaricos conseguem disfarçar-se de seixos das praias. As corujas-das-neves são brancas e conseguem caçar as suas presas na neve sem sequer ser vista.


Nome: Polvo-comum (Octopus vulgaris)
Tamanho: 25 centímetros de comprimento
Alimentação: Peixes, crustáceos e moluscos
Tempo: 323 - 0 M.a. (Carbonífero Superior até hoje)
Local: Atlântico Oriental
Tipo: Octopodídeo (polvos-comuns)

Os polvos são espécies impressionantes, pois podem ter inteligência incrível, habilidades manuais avançadas e técnicas de caça e defesa infalíveis. Mas nalgumas dessas habilidades, o polvo-comum conquista o título do animal mais camuflado. Tal como se pode ver nesta imagem, o polvo passa desde a cor sépia do coral em que estava pousado até a um azul-vivo. A rapidez a que o polvo mudou de cor, assim como o facto de estar tão bem camuflado, garante-lhe um lugar nesta lista.


Nome: Secretário-pequeno (Polyboroides typus)
Tamanho: 66 centímetros de comprimento
Alimentação: Aves, répteis e mamíferos
Tempo: 50 - 0 M.a. (Eocénico até hoje)
Local: África Sub-Sahariana
Tipo: Ave acciptriforme (águias, milhafres, abutres e secretários)

O secretário-pequeno é na verdade uma espécie de milhafre. O seu super-poder é a capacidade de ter uma enorme flexibilidade no tornozelo. Ou seja, consegue dobrar o tornozelo para a frente e para trás de modo a conseguir alcançar as presas que estejam em locais bastante inacessíveis. Poucas outras espécies de aves de rapina conseguem ter uma flexibilidade deste tipo, o que permite que esta espécie prospere nas regiões equatoriais de África.


Nome: Pepino-do-mar-leopardo (Bohadschia argus)
Tamanho: 61 centímetros de comprimento
Alimentação: Detritos orgânicos
Tempo: 521 - 0 M.a. (Câmbrico Médio até hoje)
Local: Indo-Pacífico
Tipo: Aspidoquirótido (pepinos-do-mar gigantes)

Os pepinos-do-mar são, basicamente, as criaturas mais estranhas que poderia encontrar num recife de coral. Muitos variam desde a forma de esferas até à forma de uma grande serpente, mas geralmente têm a forma de um pepino, como este pepino-do-mar-leopardo. No entanto, certas espécies são enormes, chegando a dois metros.
Os seus super-poderes são muito esquisitos. Os pepinos-do-mar podem libertar tentáculos pegajosos pelo seu ânus e estes libertam um químico nocivo. A sua pele pode ser tóxica (apesar de certas espécies serem uma apreciação gastronómica). No entanto, o seu grande super-poder é o facto de ser capaz de passar por sítios difíceis. Mesmo um destes pepinos-do-mar com 61 centímetros de comprimento é capaz de passar por um buraco que apresenta um diâmetro um pouco maior que uma moeda de dois euros. Como é que ele faz isto? A flexibilidade destes animais é incrível, mas pode libertar muitos dos seus fluídos corporais e ficar tão viscoso que quase parece líquido! Desse modo, espécimes tão bizarros como o pepino-do-mar-leopardo são motivo de destaque nesta lista!


Nome: Escaravelho-bombardeiro-asiático (Pheropsophus jessoensis)
Tamanho: 9 milímetros de comprimento
Alimentação: Insectos
Tempo: 318 - 0 M.a. (Carbonífero Superior até hoje)
Local: Japão, Coreia e China
Tipo: Escaravelho-do-solo

O escaravelho-bombardeiro-asiático é uma espécie de insecto com super-poder. Já é sabido que os insectos são os "Vingadores" do mundo natural e, tal como certos naturalistas, são eles que dominam o mundo, não os mamíferos e as aves.
O super-poder do escaravelho-bombardeiro é a capacidade de libertar ácido, num jacto quente que pode chegar aos 100º C. Qualquer predador seria queimado com este jacto. O ácido é rico em benzoquin-1,4-ona e é bastante exotérmica, criando um espectacular lugar na lista. A razão para esta evolução é, no entanto, desconhecida.


Nome: Formiga-de-estalo (Odontomachus bauri)
Tamanho: 1,4 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos e outros invertebrados
Tempo: 93 - 0 M.a. (Cretácico Superior até hoje)
Local: América Central e do Sul
Tipo: Formiga

Outro insecto com um super-poder é, de um modo geral, a formiga. Várias espécies têm vários super-poderes. Esta formiga é invulgar, pois consegue saltar com as suas mandíbulas!
A formiga-de-estalo tem a maior aceleração ao fechar as mandíbulas, que permite apanhar as presas. No entanto, esta formiga tem uma mordida tão poderosa que se iguala à mordedura dos tubarões!
No entanto, para mover-se a grandes distâncias, apenas a força das mandíbulas desta formiga bastam para poder saltar até a uns 28 centímetros de altura. Seria o equivalente a um ser humano saltar até 36 metros de altura, apenas com a força das suas mandíbulas!


Nome: Formiga-carpinteira (Camponotus saundersi)
Tamanho: 1,65 centímetros de comprimento
Alimentação: Alimentos derivados de secreções de insectos
Tempo: 42 - 0 M.a. (Eocénico até hoje)
Local: Ilha do Bornéu
Tipo: Insecto himenóptero (formigas, vespas e abelhas)

A formiga-carpinteira é uma espécie de formiga com um super-poder suicida. É conhecida como sendo a "formiga-kamikaze". A cabeça enorme desta formiga suporta dois grandes gânglios mandibulares que possuem uma espécie de cola corrosiva. Quando se sente ameaçada esta formiga contrai os músculos do tórax e arrebenta, literalmente, a sua cabeça! A explosão liberta a cola corrosiva para os atacantes de modo a que eles não consigam escapar e acabem por morrer lentamente. Uma técnica incrivelmente bizarra para proteger o formigueiro.


Nome: Osga-cauda-de-folha-gigante (Uroplatus fimbriatus)
Tamanho: 33 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos e outros invertebrados
Tempo: 145 - 0 M.a. (Cretácico Inferior até hoje)
Local: Madagáscar e ilhas circundantes
Tipo: Réptil escamoso

A osga-cauda-de-folha-gigante é capaz de trepar paredes. Não parece grande coisa, várias espécies fazem isso. No entanto, as osgas são os reis dessa habilidade. Estes pequenos lagartos podem trepar paredes praticamente lisas, totalmente verticais. Podem trepar sobre janelas de vidro e sobre o tecto. Quase como se tivessem cola nos seus dedos... mas a verdade é que não têm nada disso! O seu segredo é a existência de várias pequenas lamelas nos seus dedos que são capazes de criar uma ínfima electricidade estática sobre outros objectos e permite-lhes praticamente colar-se às paredes. É uma técnica evolutiva bastante inteligente.


Nome: Basilisco-emplumado (Basiliscus plumifrons)
Tamanho: 91 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos, invertebrados, répteis, mamíferos, frutos e flores
Tempo: 190 - 0 M.a. (Jurássico Inferior até hoje)
Local: América Central
Tipo: Iguânio

As osgas não são os únicos répteis que desafiam as leis da gravidade. O basilisco-emplumado faz algo incrivelmente fantástico que inspirou várias pessoas: correr por cima da água. Não admira que o basilisco, por vezes, é chamado de "lagarto-jesus", devido à capacidade de fazer um milagre natural. De facto, o basilisco é capaz de correr por cima da água, mas não é devido ao facto de ser rápido. Por estranho que pareça, a corrida do basilisco mal ultrapassa os 5,4 km/h. Para um ser humano conseguir correr naturalmente por cima da água teria de alcançar uma velocidade de 144 km/h! Então como é que o basilisco corre por cima da água sem alcançar velocidades supersónicas?
As patas do basilisco possuem, tal como as osgas, uma espécies de lamelas que libertam uma pequena electricidade estática. No entanto, a estática afasta a água, em vez de a atrair, o que permite que o basilisco corra por cima de um líquido! Este lagarto, no entanto, não pode correr por muito tempo e acaba por cair dentro de água. O basilisco é também um bom nadador e pode passar 30 minutos debaixo de água.


Nome: Tubarão-cabeça-de-pá (Sphyrna tiburo)
Tamanho: 1,5 metros de comprimento
Alimentação: Peixes, moluscos e crustáceos
Tempo: 15 - 0 M.a. (Miocénico até hoje)
Local: Mares ao largo da América
Tipo: Carcariniforme (Tubarões-martelo, tubarões-gato, tubarões-tigre, tubarões-touro, etc.)

O tubarão-cabeça-de-pá é uma espécie de tubarão-martelo, que se distingue pela sua cabeça menos alongada. Tal como todos os tubarões, esta espécie possui um sexto sentido: electrorecepção. Este método é útil para detectar os impulsos nervosos das presas (é por isso que os tubarões atacam-nos se estivermos a mexer-nos). No entanto, os tubarões-martelo são os melhores nisso. A sua invulgar cabeça está coberta de células electroreceptoras que permite detectar com muita precisão as suas presas, mesmo aquelas como os bodiões, que se escondem no leito marinho de modo a que sejam praticamente indetectáveis!
No entanto, este super-poder não é o que mantém este tubarão na lista. Em 2001, uma fêmea de tubarão-cabeça-de-pá foi capturada e mantida num tanque. Devido à inexistência de um macho por perto, a fêmea produziu um método bizarro de reprodução. Consegue assegurar a sua própria descendência e ter um bebé sem sequer ter se reproduzido com um macho. Isso foi provado pois o mapa genético da cria era unicamente derivado da fêmea. Isto acontece pois a fêmea conseguiu produzir células masculinas dentro do seu próprio corpo e essas reproduziram-se com as células femininas já existentes! A cria era um macho, pois, num ambiente sem machos, a mãe podia, mais tarde, reproduzir-se com o seu filho e criar novas descendências! Um método de sobrevivência realmente fascinante!


Nome: Pulga-do-cão (Ctenocephalides canis)
Tamanho: 2,1 milímetros de comprimento
Alimentação: Sangue
Tempo: 174 - 0 M.a. (Jurássico Médio até hoje)
Local: Cosmopolita
Tipo: Pulga

A pulga-do-cão tem um super-poder que, pelo menos para mim, parece bastante óbvio. Ao contrário da formiga-de-estalo, a pulga salta com as patas, mas a aceleração do salto está entre as mais altas de todas as espécies modernas. A pulga consegue saltar o equivalente a um ser humano saltar com a aceleração de um foguetão espacial! Desse modo, este pequeno insecto consegue saltar de um organismo para outro, no pior dos casos, de um cão para nós.


Nome: Axolotle (Ambystoma mexicanum)
Tamanho: 45 centímetros de comprimento
Alimentação: Vermes, moluscos, insectos, peixes e outros axolotles
Tempo: 157- 0 M.a. (Jurássico Superior até hoje)
Local: México
Tipo: Caudata (salamandras, tritões, etc.)

O axolotle é um tipo de anfíbio que vive nos lagos cavernícolas do México. O seu poder é o da auto-regeneração. Tal como as lagartixas, se este animal perder a cauda, esta volta a crescer. Mas pode fazer mais do que isso. Os seus poderes auto-regenerativos comparam-se ao do Wolverine, apesar de não conseguir regenerar-se à mesma velocidade e de não regenerar ferimentos superficiais, é capaz de fazer crescer membros inteiros. Se perder uma pata, esta volta a crescer. É mesmo capaz de regenerar órgãos e até mesmo pedaços do cérebro! É ainda capaz de fazer transplantes de membros e de partes pouco importantes do cérebro vindos de outros axolotles. Poucas outras criaturas aparentadas são capazes de fazer isso.


Nome: Barata-americana (Periplaneta americana)
Tamanho: 4 centímetros de comprimento
Alimentação: Restos de comida
Tempo: 228 - 0 M.a. (Triássico Superior até hoje)
Local: Cosmopolita
Tipo: Insecto blatódeo (baratas e térmitas)

A barata-americana, apesar do nome, não é nativa da América, mas sim de África, que acabou por ser introduzida no continente americano e por todo o resto do mundo. As baratas são, de facto, uns dos insectos mais "indestrutíveis". São capazes de comer quase tudo, desde insectos mortos, até sabão, papel, cola e revestimento de fios eléctricos. São capazes de passar, no entanto, meses sem comer. Ainda assim sobrevivem em regiões com radiação massiva. Se lhe cortarmos a cabeça esta ainda sobrevive e acaba por morrer uma semana depois, apenas por não conseguir comer! Devido a esta "indestrutibilidade", a barata está nesta lista. Mas acreditem, que até mesmo esta resistência é bastante limitada comparada com outros animais, no final desta lista!


Nome: Ratazana-castanha (Rattus norvegicus)
Tamanho: 25 centímetros de comprimento
Alimentação: Matéria vegetal e animal (de um certo modo, qualquer coisa)
Tempo: 2,5 - 0 M.a. (Pleistocénico até hoje)
Local: Cosmopolita
Tipo: Murídeo (ratos e ratazanas)

A ratazana-castanha é uma espécie de roedor, como se deve esperar. No entanto, para um roedor, a ratazana é indestrutível. Elas são super-resistentes, começando pelo facto de conseguirem comer tudo, tal como as baratas (incluindo comendo as baratas). As ratazanas-castanhas são originárias da Ásia Central, mas o comércio ancestral transportou estes roedores para a Europa e os europeus espalharam para todos os cantos do mundo. E se ainda estão em todos os cantos do mundo, é porque adaptam-se a todo o lado. São capazes de saltar até três metros de altura sem partir um osso. Podem nadar quilómetros por mar (o equivalente entre França e Inglaterra). Ainda são capazes de quebrar paredes de tijolo, só com os seus dentes. As ratazanas são mesmo capazes de sobreviver a explosões nucleares, tal como aconteceu no teste nuclear das Ilhas Biquíni, no qual quase nada sobreviveu... excepto as ratazanas!


Nome: Formiga-do-deserto-do-Sahara
Tamanho: 7 milímetros de comprimento
Alimentação: Insectos e aranhas mortas
Tempo: 100 - 0 M.a. (Cretácico Superior até hoje)
Local: Deserto do Sahara
Tipo: Vespóideo (formigas e vespas)

Já devem ter reparado que as formigas têm vários super-poderes. Esta, no entanto, possui uma grande resistência. A formiga-do-deserto-do-Sahara possui a capacidade de sobreviver à temperatura mais alta que qualquer insecto era capaz de sobreviver. Conseguem sobreviver, ao máximo, até aos 70ºC, mas nessas temperaturas têm de estar sempre a mover-se, caso contrário, ficariam literalmente fritas! Estas formigas são necrófagas, o que significa que apanham qualquer insecto ou aranha mortas ao calor no deserto, o que não admira, pois qualquer insecto, que não a formiga-do-deserto-do-Sahara, estaria morto nestas condições inóspitas.


Nome: Rastejante-das-rochas-do-norte (Grylloblatta campodeiformis)
Tamanho: 3 centímetros de comprimento
Alimentação: Restos animais e vegetais
Tempo: 201 - 0 M.a. (Triássico Superior até hoje)
Local: Canadá e EUA
Tipo: Notóptero (rastejantes-das-rochas e gladiadores)

O rastejante-das-rochas-do-norte é, tal como a formiga-do-deserto-do-Sahara, um insecto que sobrevive em condições de temperaturas extremas! Mas este parente muito distante dos gafanhotos e grilos vive em temperaturas muito frias, em vez de muito quentes. De facto, prefere regiões muito frias, ao ponto de que é nocturno, o momento mais frio do dia. Habita montanhas altas e geladas e, em certos sítios, é o único insecto que se mantém vivo. Não admira que seja tão resistente ao frio, visto que não é capaz de resistir sequer ao calor de uma mão humana!


Nome: Bacalhau-do-antárctico (Dissostichus mawsoni)
Tamanho: 1,7 metros de comprimento
Alimentação: Peixes e invertebrados marinhos
Tempo: 100 - 0 M.a. (Cretácico Superior até hoje)
Local: Oceano Antárctico
Tipo: Peixe perciforme

O bacalhau-do-antárctico, tal como o rastejante-das-rochas-do-norte, consegue aguentar em temperaturas muito baixas. Apesar do nome, esta espécie de peixe não é aparentada com os bacalhaus, mas tem um parentesco muito mais próximo com o peixe-arqueiro, pois ambos pertencem à ordem dos Perciformes (a qual é a ordem mais comum de vertebrados na Terra). Sendo que os Perciformes são bastante abundantes (variam desde o segundo peixe mais pequeno do mundo, até aos gigantescos peixe-vela e espadarte), também devem ser munidos de várias resistências... e super-poderes!
O bacalhau-do-antárctico é o maior peixe ao largo dos mares deste continente gelado. O seu super-poder é a capacidade de criar glicoproteínas que o impedem de congelar na água fria. Assim ele consegue perseguir as suas presas favoritas, mais pequenas, que resistem melhor ao frio. Grandes animais têm de desenvolver técnicas de aquecimento para se manterem activas. Para além do bacalhau-do-antárctico, outros peixes não medem mais de 60 centímetros nos mares continentais da Antárctida. Como não existem tubarões ou outros grandes peixes predadores, os pequenos peixes evoluíram para o grande bacalhau-do-antárctico e, para garantir a sua existência, tinham de manter este colosso aquecido. Assim evoluíram esta brilhante capacidade anti-congelante.


Nome: Dipnóico-africano-ocidental (Protopterus annectens)
Tamanho: 1 metro de comprimento
Alimentação: Invertebrados e pequenos peixes
Tempo: 400 - 0 M.a. (Devónico Inferior até hoje)
Local: África Ocidental
Tipo: Peixe lepidosireniforme (dipnóicos africanos e sul-americanos)

O dipnóico-africano-ocidental é um outro peixe com super-poderes. Ao contrário do bacalhau-do-antárctico, o dipnóico está adaptado para o calor... ou melhor, para a falta de humidade. Este peixe consegue passar muito mais tempo fora de água do que qualquer outro peixe, pois possui um pulmão! Os dipnóicos, os quais constituem 6 espécies vivas, são basicamente os nossos antepassados mais antigos, que fizeram a transição desde peixes super adaptados à água até aos primeiros vertebrados terrestres. Não admira que eles tivessem evoluído para nós e, basicamente, todos os anfíbios, répteis, mamíferos e aves, que claramente são também muito adaptáveis. No entanto, estes velhos fósseis vivos possuem uma capacidade que, infelizmente, nós não herdamos.
Os dipnóicos precisam de manter a pele húmida, tal como qualquer peixe, por isso preferem manter-se na água. No entanto, em África, os rios secam muito rapidamente durante a estação seca. Todos os peixes que não escapam da seca são mortos, excepto os dipnóicos. Graças a um pulmão, com o qual respira ar fresco, consegue passar muito tempo fora de água. Mas, durante esses tempos, o dipnóico tem de escavar um casulo fundo na lama, para se manter húmido. Aí, ele pode passar meses sem comer. No entanto, poderia ser mesmo capaz de passar, no máximo, quatro anos neste estado! Sem o seu alimento habitual, os dipnóicos vão literalmente digerindo a sua massa muscular, para se manterem vivos por mais um dia! Quando os rios voltam a chegar à poça, o dipnóico usa a sua pouca energia para se libertar do casulo e para voltar a nadar no seu habitat favorito.


Nome: Carraça-mamona (Ixodes ricinus)
Tamanho: 1,1 centímetros de comprimento (fêmeas inchadas)
Alimentação: Sangue
Tempo: 419 - 0 M.a. (Devónico Inferior até hoje)
Local: Europa, Ásia Ocidental e África do Norte
Tipo: Carraça

A carraça-mamona, possui um super-poder semelhante ao do dipnóico. Consegue sobreviver sem alimento por muito tempo. No entanto, as carraças conseguem fazê-lo por 10 anos!
As carraças não são parentes das pulgas e piolhos, pois estes últimos são insectos. As carraças são aracnídeos, tal como as aranhas, os escorpiões e os ácaros. As carraças, pelo menos a maior parte, reproduz-se no solo. Os ovos eclodem em pequenas ninfas que crescem e chegam à idade adulta. Assim, as carraças adultas agarram-se a um trecho de vegetação e esperam que um grande mamífero passe, incluindo um ser humano. Aí, as carraças enchem-se até quase 25 vezes o seu próprio corpo em sangue. As fêmeas são maiores que os machos e são capazes de sobreviver quase uma década sem mais outra refeição. É possível atirar um piolho, ou talvez uma pulga, para o solo e este provavelmente não vai sobreviver, mas as carraças conseguem. Mesmo que você a deite num sítio quase inacessível, ela ainda estará lá, mesmo anos depois de você já se ter esquecido disso... e eventualmente você ou alguém lá irá.


Nome: Rato-toupeiro-nu (Heterocephalus glaber)
Tamanho: 10 centímetros de comprimento
Alimentação: Tubérculos
Tempo: 5 - 0 M.a. (Pliocénico até hoje)
Local: Etiópia, Somália e Quénia
Tipo: Rato-toupeiro-africano

O rato-toupeiro-nu é um roedor bastante bizarro! Não é indestrutível, tal como a ratazana mas tem grandes capacidades um bocado semelhantes. Este roedor, juntamente com o rato-toupeiro-de-Damara, são os únicos mamíferos conhecidos por viverem em estruturas eusociais, ou seja, que vivem como as formigas, térmitas e abelhas. Desse modo, as colónias do rato-toupeiro-nu e do rato-toupeiro-de-Damara constituem rainhas, ou matriarcas, assim como as obreiras que procuram por alimento na vastidão do subsolo africano. No entanto, o que torna o rato-toupeiro-nu realmente bizarro e motivo de inclusão nesta lista, é também o que o distingue do outro roedor eusocial, o rato-toupeiro-de-Damara.
Em regiões de muito calor, estes mamíferos evoluíram um método primitivo de controle de temperatura. O rato-toupeiro-nu pode passar de sangue quente para sangue frio. Nenhum outro mamífero possui ou, provavelmente, nunca possuiu tal habilidade. O último antepassado dos mamíferos a possuir sangue frio viveu há 275 milhões de anos, antes sequer da existência dos dinossauros. Espécies com sangue frio, no reino dos vertebrados terrestres, constituem apenas anfíbios, répteis e uma única espécie de mamífero: o rato-toupeiro-nu. Mas isto não é nada. Cientistas por todo o mundo andam intrigados sobre o envelhecimento deste pequeno animal! Estes roedores são capazes de viver muito mais tempo do que qualquer outro roedor do mesmo tamanho, chegando a 31 anos de idade, ao passo que um rato-doméstico, de tamanho ligeiramente inferior, apenas vive quatro anos! Estes pequenos animais são imunes a qualquer tipo de cancro, o que explica também o facto de não necessitar sequer do sentimento de dor. Estes roedores, que vivem muito tempo, que são imunes ao cancro e que são insensíveis à dor, merecem de certeza um lugar nesta lista. Mas quanto ao processo de envelhecimento, existem criaturas que levam o seu prolongamento até ao extremo!


Nome: Estrela-do-mar-azul-espinhosa (Coscinasterias tenuispina)
Tamanho: 20 centímetros de diâmetro
Alimentação: Equinodermes e moluscos bivalves
Tempo: 485 - 0 M.a. (Ordovícico Inferior até hoje)
Local: Oceano Atlântico
Tipo: Forcipulátido (grupo de estrelas-do-mar)

A estrela-do-mar-azul-espinhosa é, claramente, uma espécie de estrela-do-mar. As estrelas-do-mar são munidas de imortalidade biológica! Isto significa que, de um certo modo, as estrelas-do-mar nunca envelhecem. Quando uma parte do corpo envelhece, apenas faz crescer outra e, no final, a estrela-do-mar recupera-se! Também é imune a várias doenças mortais ao ser humano, típicas do envelhecimento. Ao fim e ao cabo, para matar uma estrela-do-mar, basta esta ser comida ou acabar morrendo com mudança de temperatura ou sufocamento quando esta está fora de água.


Nome: Alforreca-imortal (Turritopsis dohrnii)
Tamanho: 4,5 milímetros de diâmetro
Alimentação: Detritos animais e pequenos animais vivos
Tempo: 580 - 0 M.a. (Ediacariano até hoje)
Local: Todos os oceanos temperados e tropicais
Tipo: Hidróido atecato (alforrecas-imortais, etc.)

A alforreca-imortal tem, como se deve pensar, um poder de imortalidade. No entanto, o seu método é estranho, quando comparado aos outros animais que falamos anteriormente.
A alforreca-imortal é nativa do Oceano Pacífico, perto das costas do Japão. No entanto, acredita-se que foi transmitida por todo o globo, graças aos navios que passavam nessas regiões. Assim, a alforreca-imortal pode ser encontrada em todos os oceanos temperados e tropicais do mundo. Isso deve-se ao seu bizarro super-poder: esta alforreca viaja no tempo!
A alforreca-imortal, quando entra perto do final da idade adulta, utiliza um método de rejuvenescência cíclico. Consegue voltar ao estado de pólipo (o equivalente às larvas de uma alforreca), e recomeça a sua vida. Não é propriamente ressuscitação, mas este método é incrivelmente espantoso, pois ninguém consegue controlar a sua idade. Graças a este meio "imortal", esta espécie tem vindo a expandir-se por todos os oceanos. Alguns especialistas acreditam que a expansão desta espécie seja uma "invasão silenciosa" dos oceanos, pois estas espécies invasoras podem causar desequilíbrios nalguns ecossistemas marinhos e nem sequer damos por isso! E, outra teoria proposta, é a de que nesta espécie de organismo marinho estariam os segredos da verdadeira rejuvenescência.


Nome: Rã-dos-bosques (Rana sylvatica)
Tamanho: 7 centímetros de comprimento
Alimentação: Insectos e outros invertebrados
Tempo: 122 - 0 M.a. (Cretácico Inferior até hoje)
Local: América do Norte
Tipo: Rã

A rã-dos-bosques é outro grande imortal da natureza. Mas este sim tem um grande poder que é ainda melhor dos que vimos antes: a ressuscitação.
Provavelmente já viram em vários filmes de ficção científica, como Aliens, Star Trek e Interstellar, nos quais alguns astronautas, cientistas ou guerreiros, flutuam no espaço em câmaras criogénicas. Basicamente essas camas criogénicas congelavam o corpo e preservavam a sua vida, precisamente para dormir hoje e acordar no futuro (tal como uma mousse de chocolate no frigorífico). Mas, de um certo modo, tais coisas não são assim tão fáceis. A ideia de criogenia surgiu no início do século XX e não foi baseado em nenhum super-poder animal. Mas a rã-dos-bosques arranjou uma maneira, sem utilizar tecnologias avançadas, para se congelar a si própria.
A rã-dos-bosques (Rana sylvatica), foi nomeada pela ciência graças a John Eatton Le Conte, que a nomeou com um nome científico em 1825. No entanto, os seres humanos tiveram um primeiro contacto com a rã-dos-bosques há mais de 20 000 anos. Hoje, sabemos um pouco mais sobre este anfíbio e os seus super-poderes!
O parente mais próximo da rã-dos-bosques é a rã-leopardo-do-sul, a qual é também aparentada com a rã-verde, a rã-ibérica e outros. Nenhum destes é "imortal", excepto a rã-dos-bosques. Quando chega o Inverno, este anfíbio, que habita regiões tão setentrionais como o Alasca, não tem por onde fugir e, ao contrário do bacalhau-do-antárctico, deixa-se congelar. Abaixo dos 0ºC, a água congela e, como existe água dentro do corpo da rã, ela congela por dentro (pelas veias, nervos, pulmões, cérebro, coração, tudo). No entanto, a rã produz glicogénios que mantêm a criopreservação das células, apesar de a rã estar praticamente morta!
Durante o Inverno, a rã permanece nesta animação. Mas quando acaba, o gelo derrete, o glicogénio dispersa-se pelo corpo e a energia remanescente é suficiente para fazer bater o coração. Após um longo Inverno, a rã-dos-bosques ressuscita dos mortos!


Nome: Urso-d'água (Hypsibius dujardini)
Tamanho: 0,8 milímetros de comprimento
Alimentação: Detritos animais e vegetais
Tempo: 145 - 0 M.a. (Cretácico Inferior até hoje)
Local: Cosmopolita
Tipo: Parachaela (tipo de tardígrado)

O urso-d'água é muito estranho. À primeira vista, este animal assemelhar-se-ia mais a um alienígena de outro planeta, do que a um ser terráqueo. Mas de facto está entre as criaturas mais comuns do nosso mundo. Estão connosco desde o início e, acredito bastante, que estarão connosco até ao fim. O urso-d'água, uma espécie de tardígrado, é um parente muito distante dos insectos, aracnídeos, crustáceos, centopeias, etc. São muito pequenos, quase imperceptíveis a olho nu. Mas têm um poder que supera todos aqueles que estão nesta lista. Aliás tem vários poderes.
Os tardígrados estão cá por milhões de anos e sobreviveram às cinco maiores extinções em massa dos últimos 540 milhões de anos... sem mudarem nada! São munidos de reprodução autónoma, tal como o tubarão-cabeça-de-pá, a capacidade de auto-criogenação, tal como a rã-dos-bosques e a resistência a temperaturas extremas (muito calor ou muito frio). No caso da resistência a temperaturas, os tardígrados são os melhores, aguentando a temperaturas da ordem dos 100ºC e dos -200ºC. No entanto, estes pequenos animais não se congelam nem suam! Estes são também os animais mais "secos" da Terra, pois têm muita pouca água no corpo e a maior parte dela é substituída por açúcares e outros fluídos orgânicos. Desse modo conseguem aguentar a altas e baixas temperaturas, assim como altas e baixas pressões. Encontram-se desde o topo do Monte Evereste até ao fundo das Fossas Marianas. São mesmo capazes de sobreviver ao vácuo do espaço, evitando o congelamento e a morte.
Normalmente, um tardígrado sobrevive alguns minutos a temperaturas de 150ºC e de -270ºC, mas pode sobreviver alguns dias em -200ºC e cerca de 30 anos, congelados a -20ºC.


De um certo modo, os animais evoluíram de modos espantosos e possuem super-poderes fantásticos. Garras que saem dos dedos para fora, controlo de mentes, imitação de outros animais, previsões de catástrofes futuras, línguas super-compridas, flexibilidade esplêndida, indestrutibilidade, resistência extrema, criogenação e resistência ao calor! Quem dera que os seres humanos, alguma vez, tivessem tais capacidades. Mas estes super-poderes são limitados. Alguns como super-saltos e super-força encontram-se em pequenos animais, em vez de grandes animais. Em média, todas as espécies desta lista medem 60 centímetros. Mas tem tudo a ver com a competitividade, pois os animais mais pequenos lutam para sobreviver e vivem muito menos tempo, por isso são muito mais bizarros, alienados, mas incrivelmente poderosos! Ou seja, deveria estar orgulhoso de ser grande, pois não necessita desses poderes para sobreviver.
Mas não se deixe intimidar pois o ser humano também é um animal com um super-poder fascinante. Pare para pensar no que já fizemos! Somos a única espécie que mudou o mundo à sua imagem, que explorou todos os cantos do planeta, sozinho! Chegou ao espaço, à Lua, exploramos o que está para fora de nossa casa, dentro da nossa casa e por aí fora. Construímos uma nova perspectiva do mundo em que nos rodeia e, o que mais me admira, é a nossa capacidade de pensar e, se for necessário, mudar a nossa atitude. Por isso é que nós também merecemos algum mérito e daí estarmos a falar sobre os nossos feitos nesta lista de super-poderes animais!

1 comentário:

  1. UAU! Desde o primeiro todos os postes são bons, mas este é o máximo. Fantástico!

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