sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Cães

O cão (Canis lupus familiaris) é o canídeo mais comum da Terra! Surgiu há 33 000 anos na Eurásia, a partir dos lobos, ou até mesmo do dingo, um canídeo que se acredita ser o seu parente mais próximo. O cão é, dessa forma, a primeira subespécie de animal a ser propriamente domesticada. Ou seja, o primeiro animal doméstico foi o querido cão. Mas, para além, das suas origens, a sua evolução, comportamento e uso humano destes incríveis animais deu-nos um melhor ponto de vista nos olhos do nosso melhor amigo.



-Nome: Cão (Canis lupus familiaris)
-Tamanho: Desde 40 centímetros até 2,5 metros de comprimento
-Alimentação: Ração, restos de comida e alguns animais vivos
-Tempo: 0,03 - 0 milhões de anos (Pleistocénico até hoje)
-Local: Cosmopolita
-Tipo: Mamífero carnívoro





O cão é, de um certo modo, um lobo, pois é uma subespécie de Canis lupus, pois esta espécie também inclui outras subespécies de lobos e de cães-selvagens, como o dingo, o seu parente mais próximo. A razão por diferir em tantas raças, foi a selecção artificial, em que os seres humanos escolhiam os cães com melhores aptidões para certas tarefas e as raças simplesmente mudavam de forma e evoluíam para essas tarefas, segundo a vontade dos seus donos e isso foi acentuando, ao longo, dos milénios. No entanto, existem os cães rafeiros, pois são o resultado de cruzamentos de raças, no qual não se conseguem identificá-las.


Os cães, por terem bom olfacto e audição, podem ser usados para certas tarefas que incluam essa vantagem e, um cão bem treinado, obedece ao seu dono, de forma leal, amigável e inteligente, sendo o perfeito animal doméstico para muitos seres humanos. As doenças físicas e psicológicas de um cão são extraordinariamente semelhantes às de um ser humano, assim como as reacções e as mudanças de humor, sendo que é muito identificável com as pessoas.

Relata-se assim uma forte afinidade amistosa que é alvo de filmes, anúncios e livros apaixonantes, mas também acontece fortemente na vida real. No entanto, o cão pode ser perigoso e assustador, e até mesmo a mitologia invoca essa realidade, ao criar o monstro Cérbero, o horrível e feroz cão com três cabeças.


As origens do cão ainda são um mistério e foi, por muito tempo, especulativo sem nenhuma esperança de se saber concretamente, a não ser a partir dos fósseis, ocasionalmente encontrados e atribuídos a cães. A domesticação do lobo, transformando-o em cão, começou há 33 000 anos, tornando-se mais acentuada há 15 000 anos, mas a evolução de, pelo menos, um quinto das raças modernas, começou há 8000 anos. Outros cientistas acreditam que o cão evoluiu com o cruzamento de espécies de canídeos selvagens e, depois, foi inteiramente domesticada pelos humanos.


Como os seres humanos começaram a domesticar cães é incerto, mas é possível que tenham sentido afectividade por pequenas crias de lobos que ficaram órfãs, após a morte dos progenitores, ou a relativa proximidade de um lobo que sentia menos medo dos humanos, ao aproximar-se para apanhar um pedaço de carne, e a sua ferocidade converteu-se em carinho face à nossa espécie. Quando se tornaram sedentários, há cerca de 8000 anos, os cães tinham mais permanência e afectividade com os humanos e tornaram-se muito mais úteis para várias acções, como cão de guarda, de caça ou de pastoreio. Aqueles cães que cresciam e não conseguiam completar as suas tarefas, previamente decididas, eram mortos, ou impossibilitados de acasalar, ou seja, castravam-lhes, ou seja, a geração sobrevivente residia nos cães fofos, amigáveis, inteligentes e obedientes. Durante milhares de anos, a domesticação do cão provou, por fim, ser um sucesso.



Os cães eram muito úteis como guardas, já que o seu ladrar é bastante alto e significa que algo está por perto, mas os de caça eram ainda mais importantes, pois caçavam para a tribo e ajudavam na caça de presas muito rápidas. Ao longo dos últimos milénios, a história do cão foi contada ao lado da história do homem.

Os egípcios relacionavam os cães com os sabedores do submundo, pois estes comiam as carcaças dos mortos. Alexandre, o Grande, espalhou o cão nas outras culturas da Eurásia, quando este os usava nas batalhas. Os cães mais malvados, fortes e agressivos eram divertidos para os espectadores que vinham para o Coliseu de Roma, no Império Romano. Essas raças acabavam por morrer no combate contra os gladiadores e, provavelmente, estarão extintas nos tempos modernos.


Os cães, por se alimentarem de carcaças, eram bons aniquiladores de doenças, pois, mesmo na época da Peste Negra, os cães alimentavam-se das carcaças das pessoas mortas nas ruas, evitando assim que as doenças fossem transmitidas pelas pessoas que mexessem no cadáver. Mas o facto de comer carcaças humanas diminuiu-lhes o prestígio na Idade Média, sendo mesmo relacionados com as trevas, o mal e a bruxaria. Houve mesmo um momento em que qualquer prisioneiro acusado de bruxaria fosse, mais tarde, encontrado ao lado de um cão, este seria queimado na fogueira.

Após a Idade Média, esse mau relacionamento com os cães desapareceu e os nobres começaram a procurá-los devido à sua beleza extraordinária e variedade de raças. Nessa altura as raças começaram a variar outra vez mais, em diferentes regiões do globo. Assim, as variadas raças de cães começaram a evoluir, não para actividades do quotidiano, mas mais para a beleza de cada raça. O rei Guilherme I de Holanda, no entanto, via os cães como animais de companhia e que eram extraordinariamente fiéis ao dono, a partir do momento em que declarou que o seu cão salvou-o de um atentado. Em regiões frias de neve, quer no Pólo Norte, quer no Pólo Sul, os cães eram bastante úteis para puxar trenós e eram ainda mais vigorosos e adaptáveis, no que toca à alimentação, do que os cavalos e renas, que só comem palha e erva.


Quando os europeus chegaram às Américas, os povos nativos estavam habituados à presença de cães e outros canídeos americanos, no entanto, desconheciam a variedade de raças que o povo europeu possuía. Uma guerra, na República Dominicana, entre nativos e colonos, resultou na vitória dos colonos, usando cerca de 20 cães treinados para detectar e matar os indígenas. Felizmente, os cães já não têm grande uso em grandes guerras e batalhas, mas ainda são usados pelos militares e a sua força é útil para derrubar animais de grande porte, como os javalis.


Muitas raças de cães rastreadores, usados nas guerras mundiais, acabaram por se extinguir, enquanto que as sobreviventes se tornaram muito populares, como o pastor-alemão e o dobermann. Os japoneses ainda eliminaram as raças de outros rastreadores, na substituição do pastor-alemão, mais forte, apesar de os cruzamentos manterem os genes dessas raças extintas ainda existentes em cães modernos. Após as guerras mundiais, surgiram os cães-guia que são treinados para ajudar os seres humanos cegos a movimentarem-se sem problemas.

O facto de o cão ser um animal doméstico, premiado entre os mamíferos carnívoros, deve-se ao facto de ser inteligente e bastante compreensivo com as pessoas.


Os fósseis de cães datam desde há cerca de 33 000 anos, juntamente com os fósseis de seres humanos. O seu antepassado deve ter sido algum canídeo proveniente do seu local de origem, sendo que a China foi, provavelmente, onde o primeiro cão evoluiu, dessa maneira, não podia ser um coiote ou um chacal, mas um lobo ou um dingo. Relações amistosas mais antigas com qualquer subespécie de lobo, começaram há 150 000 anos, com o lobo-de-Zhoukoudian, indicando que este pode ter sido responsável pela origem do cão. Mas é graças a estudos genéticos que chegamos à conclusão de que o cão tem mais probabilidades de vir de um lobo, com 99,8% de semelhanças entre cão e lobo e 96% de semelhanças com o coiote.


O cão diferencia-se, morfologicamente, aos outros canídeos da espécie Canis lupus a partir do seu focinho um pouco mais longo e pela diferenciação da arcada dentária.

O lobo-cinzento é o candidato mais provável para antepassado do cão, chegando a medir 2 metros e pesar 60 kg. O cão, juntamente com a raposa-doméstica, é o único canídeo inteiramente domesticado pelo homem. A incrível variedade de raças em cães deve-se à selecção artificial. Este animal distingue-se do lobo-cinzento devido ao facto de ser muito mais afectivo e compreensivo com as pessoas, para além das suas características físicas. São persistentes durante a caça, cansando a presa até esta sucumbir e ser mais fácil de derrubar. Hoje existem em todos os continentes, excepto Antárctida, mas espalhou-se por continentes que nunca chegaria se não fosse o homem, como as Américas e a Oceânia.


Os lobos-cinzentos são selvagens e caçam em grupo para permitir que tenham comida suficiente para todos. Sendo selvagens estão mais habituados à falta de comida sendo que, após se satisfazerem, um lobo adulto pode passar quase uma semana sem comer. A domesticação tornou os seus descendentes cães demasiado sôfregos a comer e até podem correr o risco de se engasgar ou sufocar. Para além disso, o cão perde o hábito de comer comida viva e passa a comer rações fabricadas pelo homem. Enquanto que o lobo vai evoluindo a sua comunicação à medida que cresce até à idade adulta, muitas raças de cães estão perfeitamente seleccionadas para manter a linguagem que aprenderam desde criança, sendo que, nesse aspecto, o que mais se assemelha ao lobo é o husky siberiano. Apesar da intensa interferência humana, o instinto e comportamento dos cães e lobos não é muito diferente e encontram-se incríveis semelhanças.


A selecção natural é um processo em que os seres vivos evoluem perante as adversidades existentes no seu meio, pois acontece espontaneamente e aleatoriamente, sendo que a geração sobrevivente de, por exemplo, uma gazela com pescoço comprido sobrevive, pois a região deixa de ter erva no chão e estas têm de procurar comida nas árvores... e forma-se uma girafa, pois a geração sobrevivente é, provavelmente, aquela que tinha arsenal para sobreviver. No caso da selecção artificial, vejamos, um cão pequeno, os seres humanos têm tendência a deixar os cães mais pequenos reproduzirem-se e, assim, a geração sobrevivente será de cães pequenos e, neste caso, surge o Chihuahua, por exemplo. O ser humano dirige o curso da evolução da genética do cão levando a que certas raças evoluam características que nunca mudam quando se cruzam entre si, excepto se cruzar com outra raça.




Mas estas selecções artificiais podem, não só trazer benefícios, mas também maus resultados. As raças mais puras, são mais vulneráveis a surdez, miopia, doenças de pele, etc. Mas, talvez mais importante, é que as características destes cães tornam-se tão extremas que podem provocar um desconforto no animal, por exemplo, o buldogue (com um focinho atarracado, pode ter dificuldades em respirar), o shar pei (cheio de pele, pode facilmente ganhar micoses e infecções nas bordas), o border collie (demasiado inteligente, pode tornar-se até hiperativo) e o basset hound, na imagem (não me admira que tropece regularmente nas suas próprias orelhas).


No entanto, são os cães-rafeiros que mais capacidades têm para contornar tais problemas, pois uma raça pode hibridar com outra e o seu descendente terá as imunidades dos dois progenitores.

Num tempo antigo, a palavra cattus significava tanto cão como gato, apesar de a etimologia se assemelhar à do segundo animal. O nome cattelus significava cachorro e catula significava cadela, o que mostra que na realidade a palavra cão tem mais assimilações com a mesma palavra de origem do gato. O nome cattus evoluiu para cato, pois, os romanos, muitas vezes confundiam a palavra gato, com um tipo de catapulta do mesmo nome, e, mais tarde, derivou para gato. O nome cachorro, no entanto, derivava de qualquer tipo de cria de animal mas, mais tarde, o significado mudou e agora sabemos que um cachorro é apenas um filhote de cão.


O cão é considerado qualquer espécime que pertence à subespécie de mamíferos canídeos mais antigos a serem inteiramente domesticados. De facto, a palavra cão também pode ser usado com o objectivo de ofender alguém e isso remonta desde a Idade Média, quando as pessoas, praticamente, rejeitavam os cães na altura. O nome cachorro, ou cão, tem uma variedade de significados por todo o mundo.

Apesar de ter sido, inicialmente, considerado uma espécie distinta, outros taxonomistas classificavam o cão como sendo um sinónimo de lobo, visto que têm várias semelhanças.


A origem do cão, um outro mistério, podia ser a chave para saber a sua taxonomia, mas a especulação dizia que o cão pode ter derivado de várias espécies de canídeos, incluindo o chacal-dourado, o lobo ou o cruzamento de várias espécies de canídeos. No entanto, estudos usando testes de ADN mitocondrial demonstraram que o lobo é o único ancestral do cão.

De um certo modo, o cão, para além de várias características de raça em raça, não é nada mais nada menos do que um simples lobo. No entanto, certos cientistas defendem que o cão tem características que o distinguem totalmente do lobo para permitir uma vida no ambiente antrópico.


Hoje, é aceite que o cão seja uma subespécie de lobo e, assim sendo, o cão é um tipo de lobo doméstico. No entanto, ainda se discute se se deve, ou não, colocar o cão como uma espécie distinta do lobo.

De um certo modo, as semelhanças anatómicas, como o esqueleto, os músculos e a dentição, nada de diferente têm em comparação entre cão e lobo. No entanto, existem pequenas diferenças, como os gânglios de hormonas, os quais são maiores nos lobos, pois estes precisam de receber respostas e reacções rápidas no ambiente selvagem.


Por serem animais quadrúpedes e digitígrados (ou seja, que andam com as pontas dos dedos, em vez de ser com todo o pé), os cães são animais esbeltos, elegantes e bastante interessantes. Apesar da incrível variedade, à primeira vista, podemos verificar, com mais atenção, que as características anatómicas internas e externas são bastante aparentadas em qualquer tipo de cão. A dentição é sempre a mesma, quando verificada em cada raça de cão. A pele do cão possui uma variedade importante de glândulas fortemente associadas ao sistema imunológico. Certas regiões da pele têm outras utilidades, tal como a pele rija das patas, que funcionam como solas, a pele das orelhas em bico, para amplificar o som, e as glândulas de demarcação de odores.


Os especialistas em cães dividem as raças comparando o seu peso: pequena (menos de 10 kg), média (11 a 25 kg), grande (26 a 45 kg) e gigante (mais de 45 kg). A pelagem difere também bastante, de cão para cão, sendo um importante factor de distinção.





A anatomia interna do cão tem várias semelhanças às dos outros mamíferos.

Tal como nós, os cães desenvolvem o seu esqueleto antes da idade adulta, até chegarem à sua total fase de desenvolvimento. O crânio protege o cérebro e é suportado por uma coluna vertebral, com as características sete vértebras do pescoço, característica essa que é comum em quase todas as espécies de mamíferos modernos. As articulações permitem que o cão tenha uma agilidade extraordinária durante a corrida. É na parte frontal do corpo do cão em que existe maior concentração de músculos, incluindo os responsáveis pelo fluxo cardíaco e respiratório e as variadas complexidades das expressões e movimentos faciais do animal.


A organização dos órgãos internos do cão é bastante característica. Na caixa torácica, existe o coração, dividido em duas aurículas e dois ventrículos, situado no lado esquerdo e que pode variar desde 120 gramas a 15 kg, dependendo da raça. No abdómen, situa-se o sistema digestivo, composto por vários órgãos, desde a boca ao ânus. O sistema urinário distingue-se por possuir um rim, sem qualquer tipo de fixação em nenhum osso, mas o outro situa-se agarrado às vértebras. O baço proporciona um elemento de protecção de problemas digestivos, sendo que puxa o estômago para que o excesso de comida passe a caber.


O cão pertence à família dos canídeos, que inclui também os lobos, dingos, coiotes, chacais, raposas, etc. Apesar de o cão não precisar tanto dos sentidos incríveis dos seus parentes selvagens, no ambiente urbano, praticamente nada deles perdeu, durante a sua evolução.

A reprodução do cão tem vindo a ser bastante manipulada. Nós, os seres humanos, controlamos a fertilidade dos cães e cadelas e deixamos nas nossas mãos o destino reprodutório de cada cão.




Antes do acasalamento, existe a troca de cheiros (não se esqueça que este comportamento também é válido para outros relacionamentos amistosos entre cães). Durante o acasalamento, as contracções vaginais mantêm o pénis do macho preso, permitindo que o esperma entre directamente no útero da fêmea. Também existe a inseminação artificial em cães.

As fêmeas dão à luz um número variado de crias, após dois meses de gestação. A alimentação da cadela tem de ser especialmente rigorosa, mesmo antes do acasalamento e depois do desmame dos filhotes. Os cachorros também devem receber especial atenção. Os cachorros que desenvolvem bem o olfacto e o tacto, ao lado da mãe, acabam por desenvolver bem a visão e a audição, tornando-se assim cães fortes e saudáveis.


A castração tem vindo a ser bastante comum em cães, no qual resulta a remoção das funções reprodutoras do sistema reprodutor. Enquanto que se retira o útero e os ovários na fêmea, nos machos retiram-se os testículos, deixando o escroto vazio, e apesar de não ser muito justo para com o sucesso do animal tem vindo a desfavorecer o aumento tremendo de população de cães no mundo.

As características do envelhecimento de um cão podem variar de raça para raça. A crença popular afirma que por cada ano que um ser humano vive, mais sete anos passaram para a vida de um cão. Segundo estudos, as raças, conforme o peso, vão variando na idade a que chegam à maturidade: pequena (8 a 12 meses), média (12 a 16 meses), grande (16 a 18 meses) e gigante (24 meses). De um certo modo, as raças pequenas vivem 5 anos, por cada ano de vida humana. Mas as raças grandes, ou gigantes, vivem 7 anos por cada um ano de vida humana, sendo, curiosamente, os mais pequenos a viverem mais!


Os cães envelhecidos costumam estar mais vulneráveis a doenças, dores e sofrimento. Entre eles destacam-se as artroses, o Alzheimer e a depressão, o que é extraordinariamente aparentado com o envelhecimento humano. Problemas de visão, audição, olhos caídos, focinho esbranquiçado e perda de pêlo são normais num cão em envelhecimento.

A linguagem dos cães é uma parte incrivelmente interessante na sua ciência, pois além de ladrarem, podem uivar, rosnar, chorar, mas, além de tudo, são capazes de se comunicarem de maneiras diferentes para poderem ser entendidos por outros cães e pelos seres humanos também.


A linguagem dos cães, por vezes, não é entendida pelos humanos, tais como o facto de estarem a ladrar, a cheirar ou a morder sem motivo, aparentemente, nenhum. Sendo animais inteligentes, o cão procura, desde cedo, perceber o seu estatuto na sociedade familiar. Nas primeiras 8 semanas, o cachorro aprende a comunicação com a sua mãe. A partir do desmame, o cachorro tem de desenvolver a sua linguagem com o contacto entre os seus irmãos. Uma das formas mais importantes da comunicação é a comunicação corporal. Outra, também bastante importante, é a troca de odores, pois o cão precisa de treinar o seu olfacto.


Para o ser humano comunicar com o cão é preciso, pelo que se diz, usar frases simples e distintas para que o animal perceba. Para além do latido (usado para pedir atenção, quando estão aborrecidos) existe também o lamentoso choro. Certos cães usam o choro como maneira de receber atenção, mas é mais comum usarem-no quando estão assustados. O rosnar é sempre agressivo e não há como ignorar! O uivo é usado durante a caça, mas também para desejar a companhia dos seus amigos e familiares. Se o ser humano não compreender estes sinais, os resultados podem correr mal.

A locomoção do cão tem bastantes similaridades morfológicas com outros mamíferos. Comparado com o ser humano, possui duas estruturas de suporte de membros locomotivos, como as espátulas e a pélvis, apesar de o ser humano apenas andar com as pernas, suportadas pela pélvis. As patas possuem glândulas sudoríferas que mantêm-nas flexíveis. Possui uma coluna flexível para poder saltar e dar um maior impulso, ainda melhor que outros mamíferos campeões de corrida, como o cavalo.


Cada raça tem o seu estilo de corrida, sendo que o são-bernardo é um grande corredor, mas no outro extremo situa-se o buldogue, com pernas curtas, mal consegue correr. O andar, trotar e correr têm um processo metódico e é bastante característico. A corrida é uma das grandes razões entre competição de cães.

Oficialmente, as raças são classificadas segundo a sua função:

  • Grupo 1 - cães pastores e boieiros
  • Grupo 2 - pinscher, schnauzer, molossóides e boieiros suíços
  • Grupo 3 - terriers
  • Grupo 4 - dachshunds
  • Grupo 5 - spitz primitivos
  • Grupo 6 - sabujos farejadores
  • Grupo 7 - cães com a função de apontar e fazer parar
  • Grupo 8 - cães d'água, levantadores e retrievers
  • Grupo 9 - cães de companhia
  • Grupo 10 - galgos
  • Grupo 11 - outras raças não reconhecidas pela FCI (Federação de Cinofília Internacional)


Eleitas no ano de 2009, as raças mais populares são o labrador retriever (amigável com as crianças), o golden retriever, na imagem (simpático e brincalhão), o yorkshire terrier (protector, bom para cão de guarda), o pastor-alemão (uma das raças mais leais), o beagle (com faro apurado), o dachshund (com grande beleza), o boxer (activo e leal), o poodle (grande companheiro), o shih tzu (outro excelente companheiro) e o schnauzer miniatura (cão esperto e amigável).


No entanto, existem os cães rafeiros, sem qualquer definição de raça, pois são uma mistura de várias raças.

É no cérebro, claro, onde existem as memórias e os instintos de aprendizagem do cão. Tal como os lobos, os cães aprendem com os erros e sabem lidar com as experiências falhadas. Assim, o cérebro raciocina para evitar o mais possível os erros.





A inteligência comunicativa constitui a obediência do cão. O labrador retriever é um cão bastante obediente e possui uma alta capacidade de concentração.

Se um cão estiver a mastigar a erva, não o interrompa, pois este está a acrescentar fibra ao seu regime alimentar, mesmo que este seja um cachorro, pois estes sabem instintivamente o que comer e o que não comer. Podem criar mapas mentais e têm boa memória. Podem mesmo prever acontecimentos, a partir das vibrações que sente, sendo capaz de prever algo tão catastrófico, como um terramoto, ou algo tão banal, como uma onda marítima.




As raças têm comportamentos diferentes, umas das outras, mas certos desses comportamentos evoluem precisamente para cada raça, tal como o poodle, na imagem, adaptado para o bom companheirismo. O racismo, não se aplica, propriamente, aos cães, mas certas reacções entre homem e cão de raças diferentes, respectivamente, podem mesmo dar-se mal devido a esse factor. Alguns cães podem comer as suas próprias fezes, ou as fezes de outros cães, como a cadela que come os dejectos dos seus filhotes para manter o ninho limpo, mas pode também significar que o animal tem deficiências no seu organismo. Mas para ajudar um cão, nunca deve deixá-lo fazer as coisas sozinho. Existe um velho ditado "Se quiser saber se o seu cão é seu, deixe-o ir. Se ele voltar, então é porque é seu".


O cão tem de ser treinado ao longo da vida, para se acostumar aos bons actos e, assim, viverá mais seguro. Não se deve exagerar nas capacidades do nosso cão e temos de ser tolerantes e ter respeito com o seu animal. Ele mantém-se saudável e contente a partir das suas actividades diárias e brincadeiras. Mas tem de se treinar bem o cão, para evitar maus resultados.

Os cães, praticamente, diferem dos lobos, devido ao facto de evoluírem o seu comportamento para uma vida ao lado de um ser humano. Como sendo o humano o dono do cão, o animal tem de o entender desde o início. Ao saber que as suas necessidades vão ser cumpridas, se o cão for obediente, este vai se sentir muito mais seguro na sua vida e na vida ao lado do homem. Os cães aprenderam a evoluir a capacidade de imitar os humanos, ou seja, os seus donos. Comparado com outros mamíferos, os cães destacam-se bastante, pois viveram muito tempo ao lado da nossa espécie.


O cão também beneficia dessa interacção com o ser humano, já que recebe comida em abundância, protecção e felicidade.

Praticamente, todos os cães estão domesticados e cada raça está adaptada para uma tarefa a ajudar o homem. Essas raças existem, pois, evoluíram certas características para se adaptarem às actividades propostas. A cinologia é uma ciência que estuda a classificação das raças de cães, a qual enumera as características, o comportamento, a função, etc. 



Acredito que os mais indispensáveis para a sociedade são os cães-guia, que guiam os cegos e os surdos para caminhos que não conseguiriam ou que teriam mais dificuldade se fossem realizados sozinhos.

Sem dúvida alguma, a espécie que maior amizade possui com o homem é a do cão... "o melhor amigo do homem". Isto foi ditado pela primeira vez por um advogado chamado George Graham Vest, num tribunal dos EUA, em que o seu cliente, Charles Burden, denunciou o seu vizinho por este ter-lhe assassinado o seu galgo.



O cão quer lá saber onde vive, a religião ou a nação do seu dono. O cão não se importa com o aspecto, mas com a acção. Aprendeu a viver com os seres humanos e a integrá-lo na matilha, tal como aconteceu com o raro caso de Oxana Malaya, uma menina ucraniana que viveu 5 anos no quintal de sua casa com uma matilha de cães. Isso é uma prova concreta que tanto cães como pessoas vivem em sintonia e aceitam-se uns aos outros na hierarquia. No ponto de vista de pessoas cépticas, o cão apenas "hipnotiza" o dono para que este cumpra as suas necessidades básicas, sem qualquer amor pelo homem, mas isso é completamente absurdo, pelo que percebemos aqui.


O convívio entre cão e humano tem vindo a evoluir e temos experimentado momentos bons e maus.

Segundo Aristóteles, o cão apenas procurava a felicidade a partir da vida simples, sem pensar em riqueza ou prazer, e que tratava o homem como seu amo. Alexandre Magno, apesar de integrar cães nos seus exércitos, achava que era um animal inferior e que pouco seria de comparar com a forma humana.





As artes mais antigas a representarem cães remontam desde a pré-história, no ano 4500 a.C., em que a raça provavelmente estará hoje extinta. Os romanos começaram a fazer as primeiras famosas placas e avisos a dizer "Cuidado com o cão"! Na Idade Média, a arte retratava os cães quase sempre como animais de caça.

Mais tarde, as pinturas retratavam os cães como fiéis amigos ao lado de seus donos e donas. No século XVII surgiram os primeiros retratos de cada cão, sendo que o dono pedia que lhe fizessem um retrato do seu animal de estimação. No século XVIII começaram a retratar os cães com emoções e sentimentos para dar um melhor ar na moldura.


As esculturas também retrataram grandiosamente a importância do cão. Inicialmente retratavam-nos como sendo parte do mundo espiritual e místico. Mostra-se assim as esculturas asiáticas que retratam uma mistura mística entre leão e cão. Foi no Próximo Oriente onde a escultura de cães foi mais evoluída durante esses tempos e eram feitas com incrível detalhe. Na Idade Média, essa arte de representar cães ficou menos desenvolvida na Europa, sendo, no máximo, representados como adornos dentro de casa. Hoje, a maior parte das esculturas caninas desenvolveram-se para o estudo da anatomia do próprio animal.

Também se praticam artes de desporto, em que se compete a obediência do cão com os outros cães. Também existem competições de beleza e elegância entre várias raças de cães. As suas habilidades também são postas à prova, para demonstrar se a raça é realmente pura. Estamos hoje numa era em que o cão é considerado uma mascote, para alguns. Não nos devemos esquecer que o cão não é um objecto ou um súbdito dos seres humanos, e temos de tratá-lo como um amigo. Não é complicado saber o porquê de certas pessoas acreditarem que os cães são os animais mais humanos de todos.


Existem os chamados cães de laboratório, os quais são a prova de que devemos ter cuidado com o tratamento dos animais, para que estes vivam felizes. A área da tecnologia, em vez de incluir os cães, como animais, procuram estudá-los e reproduzir as suas capacidades e emoções em cães-robot. Como certas pessoas preferem mais a companhia de animais de estimação do que de pessoas, começou a surgir esse conceito. Para redesenhar um cão, em forma de robot, teriam de criar outras capacidades mais vantajosas, como ter a inteligência necessária para colocar a ficha na tomada para recarregar. Pode se adicionar extra-inteligência e obediência, assim como o extermínio da sua agressividade, sendo que desta maneira podemos criar o cão, à nossa própria imagem!


Apesar de a maioria das pessoas olharem para os cães como animais queridos e fofos, em certas culturas, porém, são vistos como iguarias culinárias. Apesar de tal tradição, na qual o cão é considerado comida, parecer macabra, tem vindo a desaparecer devido à ocidentalização e à ideia de que os cães são amigos do homem. Na Coreia do Sul e na China, consomem-se cães, e tal iguaria culinária tem existido há, pelo menos, 3000 anos.

Os cães são bastante conhecidos também pelas várias histórias e acontecimentos icónicos que acabaram por envolver personagens famosas pertencentes à subespécie Canis lupus familiaris. Um famoso cão, chamado Balto, um híbrido entre husky siberiano e lobo-cinzento, percorreu milhas para buscar remédios e tratamento para um grupo de pessoas infectadas com difteria. Um são-bernardo chamado Barry foi conhecido por salvar cerca de 70 pessoas perdidas nos Alpes Suíços durante 14 anos e, quando morreu, foi embalsamado e exposto no Museu de História Natural de Berna. Uma cadela, chamada Snuppy, tornou-se famosa por ser o primeiro canídeo a ser clonado. Outros cães exemplares são conhecidos, como o cão japonês Hachiko. Quando o dono de Hachiko morreu, foi adoptado por outra gente, mas este sempre esperava pelo seu antigo dono, no mesmo local, e continuou fazendo isto durante os seus últimos 10 anos de vida, demonstrando que este cão era muito fiel ao seu dono. Greyfriars Bobby foi um skye terrier que fez algo de dimensões semelhantes à de Hachiko. Este cão, conhecido por guardar o túmulo do seu dono por 14 anos, foi responsável pela inspiração de alguns filmes e histórias emocionantes.


O porquê de a palavra cão ser, por vezes, ofensiva, é o facto de, na Idade Média, essa palavra estava associada ao diabo e, por isso, no Brasil costuma-se pronunciar a palavra cachorro, em vez de cão.

A introdução de certos aspectos culturais dos muçulmanos na Península Ibérica deu-nos a sua visão de que os cães eram animais cobardes, surdos e medrosos. Tal visão se deteriorou após a Idade Média, mas a linguagem desses tempos perdurou um pouco mais nos Açores, nos quais estes colonos introduziram-na no Brasil.


No Brasil foi também introduzido, na sua linguagem, registos dos tempos em que se acreditava que os cães viam os espíritos. Quando o cão uiva, diz-se "Todo o agouro, para o teu couro", para evitar desgraça. Caso o cão dormir com a barriga para cima, é mau sinal, mas se este urinar à porta de casa, traz boa sorte.

No Brasil é popular a expressão "o cão do segundo livro", no qual expressa uma situação difícil, desagradável ou insuportável. No Segundo Livro de Leitura, na 17ª lição, é contada uma lenda acerca dos malefícios do alcoolismo. Nessa lenda, existe uma personagem, o diabo (ou seja, o cão).


Todos nós conhecemos a crença popular de que os cães são os arqui-inimigos dos gatos, e vice-versa. Apesar de tanto cães e gatos viverem lado a lado com o homem, possuem comportamentos muito diferentes, mas não significa que são inimigos de um modo geral.

É fácil perceber o porquê dessa ideia, pois não é raro ver disputas entre estas duas espécies de mamíferos carnívoros. A disputa entre cães e gatos é muito mais comum de se encontrar em qualquer outra disputa entre cão e outro animal, pois ambos destes animais são bastante comuns na casa de um ser humano e são facilmente encontrados no mesmo ambiente. Como o gato silva à frente do cão, o segundo trata este aviso como sendo de ameaça e, assim, desperta o seu instinto de perseguição, acabando por ser o gato a perder durante a luta. Vários filmes e desenhos animados retratam esta relação nada amistosa.


A mais antiga relação entre cão e mitologia data desde a Suméria, com a deusa Bau, nome que pode ter originado a partir do som produzido pelo nosso melhor amigo.

A seguir, temos o horrível Cérbero, o cão gigante de três cabeças que pertencia ao mal da mitologia greco-romana. Cérbero era o cão de guarda do deus Hades. Apesar de ser retratado com três cabeças, não se sabe ao certo qual era a sua aparência original na mitologia greco-romana.

No mesmo género de mitologia, temos, desta vez, um cão de boa natureza, Argos. Argyreos, Chryseos e Ortros eram outros cães famosos da mitologia grega.


Na mitologia oriental, o cão aparece na forma do Tien Koan, um cão celestial, e de Hökö, uma besta de cinco caudas. Existem também os cinocéfalos, criaturas com qualquer corpo, patas e cauda de qualquer tipo de animal, mas com uma cabeça de cão.

Os judeus não tinham grande apreço pelos cães, pois estes alimentavam-se de restos e de cadáveres. No entanto, estes defendem os cães, pois foi a natureza que lhes deu um regime alimentar impuro, e esse ponto de vista foi mais reconhecido também no Catolicismo.

Os cães foram, mais tarde, introduzidos na cultura a partir da televisão, livros e bandas desenhadas.




Êxito na televisão foi o filme 101 Dálmatas, retratando a beleza, amizade e ponto de vista do cão. Outro cão ainda mais conhecido da televisão é o Pluto, um bloodhound, bastante popular nas produções de desenhos animados da Disney. Foi nessas histórias televisivas que nos deu o ponto de vista geral dos cães, como a obediência pelo dono e, por vezes, os seus instintos mais óbvios. Outra produção famosa da Disney é o romance canídeo "A Dama e o Vagabundo".




Existe outra estrela de cinema, pertencente à espécie: o Scoobydoo.

Existe também, na literatura, certas personagens canídeas, como o cachorro Quincas Borba em "Quincas Borba", escrito por Machado de Assis. Esta cultura literária e digital moderna retratou, por muitas vezes, o cão como tendo personalidades semelhantes às de uma pessoa.

Segundo o que vimos nesta edição de hoje, podemos ter a visão geral sobre como a ideia de cão evoluiu. Na minha opinião, posso realçar que o que importa não é a definição, mas o seu incrível comportamento e a sua adaptação para viver connosco. Cães podem ter sido retratados como animais selvagens, demónios ou quase humanos. Para qualquer lado que formos, os cães vão connosco. Na luta contra doenças, na salvação de pessoas necessitadas, na descoberta das ciências e na conquista do espaço. O cão era tão diferente do ser humano... mas provamos agora o contrário.

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