quarta-feira, 8 de julho de 2015

Pandas

Existe um urso nas remotas florestas de bambu da China que é conhecido pela sua aparência e estatuto de conservação. Sem dúvida nenhuma este é o panda, um urso preto e branco que inspirou muitos filmes, jogos, emblemas e empresas. Os pandas surgiram há cerca de 3 milhões de anos e isolaram-se nas remotas florestas de bambu chinesas e adaptaram-se à dieta de bambu indigesto. Se quiserem saber mais sobre a realidade dos pandas, vejam aqui...


Dados:


  • Espécie: Ailuropoda melanoleuca (panda-gigante)
  • Tamanho: 1,9 metros de comprimento
  • Alimentação: Omnívoro
  • Tempo: 3 - 0 milhões de anos (Pliocénico até hoje)
  • Local: China
  • Tipo: Mamífero carnívoro




O panda gigante (Ailuropoda melanoleuca (do grego "pés de gato pretos e brancos")) é um urso que vive nas florestas remotas da China que se adaptou à dieta vegetariana. Apesar de ser um urso, é bastante dócil e raramente ataca, excepto se irritado.

Em 1869, o panda foi originalmente classificado como um urso, mas Alphonse Milne-Edwards reparou que tinha mais semelhanças com os procionídeos (guaxinins, etc.) e o panda-vermelho, uma espécie semelhante a um guaxinim só que vermelho e que vive no mesmo local que o panda-gigante e alimenta-se das mesmas coisas. Em 1871, propôs uma mudança de nome: Ailuropus melanoleuca.


O panda-gigante foi alvo de várias sugestões de classificação, já que se encontravam várias características semelhantes no panda-vermelho (na imagem) como o osso sesamóide opositor na mão (um "sexto dedo"). Em 1885, George Jackson Mivart dividiu o género Ailurus (panda-vermelho) e o género Ailuropoda (panda-gigante) e colocou-os na família Procionidae (guaxinins). Em 1895, Herluf Winge relacionou o panda-gigante a uma espécie de urso extinto: o Agriotherium (11-0,01 milhões de anos). Em 1921, Reginald Innes Pocock separou os dois pandas em duas famílias diferentes: Ailuridae (pandas-vermelhos (aceite hoje em dia)) e Ailuropodidae (pandas-gigantes). Em 1945, George Gaylord Simpson defende que ambos os pandas deveriam estar incluídos na família Procyonidae, e assim foi.

Em 1964, o Ailuropoda foi, de volta, considerado um urso. Em 1979, Erich Thenius volta à velha ideia de que o panda-gigante deveria estar outra vez incluído na sua própria família Ailuropodidae. Em 1985, é sugerido que ambos os pandas estariam incluídos na família Ailuridae. Mas, em 2005, chegaram finalmente à conclusão que o panda-vermelho era um ailurídeo e o panda-gigante um ursídeo (uma grande confusão já que o panda-gigante parece tanto um urso e os taxonomistas ainda tinham dúvidas).


Duas subespécies de pandas-gigantes são reconhecidas (Ailuropoda melanoleuca melanoleuca (o panda com a coloração característica) e o Ailuropoda melanoleuca qinlingensis (um panda ligeiramente mais acastanhado)), no entanto, ainda não se sabe, entre os ursos, os seus parentes mais próximos, mas é possível que os melhores candidatos sejam os ursos-de-óculos da América do Sul.

O panda-gigante só vive na China, nas províncias de Gansu, Shaanxi e Sichuan.



Os registos fósseis demonstram que os pandas estavam espalhados por toda a China Central e Oriental e até mesmo em Myanmar e Vietname. Em finais do século XIX, o panda-gigante já estava restringido às terras isoladas das Montanhas Qingling.

Vivem em florestas temperadas de bambus nas altas montanhas entre 1200 e 4100 metros de altitude.

O panda-gigante, preto e branco, alimenta-se principalmente de bambu. Tem manchas oculares, orelhas, membros e ombros pretos, às vezes mais acastanhados. As populações de Qingling apresentam contrastes mais acastanhados.


Não existe, com certeza, algum outro urso que se iguale ao panda-gigante, tornando-o inconfundível.

Apesar de pertencer à ordem Carnivora e ter um sistema digestivo de carnívoro, este especializou-se para a alimentação herbívora que consiste quase só bambu. Podem comer cerca de 25 tipos diferentes de bambu, mas a desflorestação tem limitado os territórios de bambus em terras baixas e as florestas restantes permanecem em terrenos mais altos e mais íngremes. Ainda têm garras, dentes, estômago e força para caçar animais, mas os pandas-gigantes raramente o fazem.


Apesar de os pandas absorverem a água necessária do bambu, os bebés, já que não comem bambu regularmente, bebem água líquida ou comem neve.

Tal como a maioria dos ursos, os pandas são solitários. Comunicam-se a partir de grunhidos e marcam o seu território com marcas de garras nas árvores e urina, tal como muitos ursos. Os pandas não hibernam e, em vez disso, descem a montanha no Inverno, onde é mais quente. Os pandas utilizam mais da memória espacial do que da memória visual.



As fêmeas de panda têm em média uma gestação de 135 dias. Geralmente, a mãe dá à luz dois filhotes, mas , geralmente, só opta por criar um deles, pois é muito difícil criá-los aos dois. A cria começa a comer bambu a partir dos 6 meses e é desmamada a partir do seu primeiro aniversário.

Apenas 10% dos pandas em cativeiro acasalam. Isto devido ao facto de 60% dos pandas em cativeiro não demonstrarem qualquer tipo de desejo sexual.




Os pandas costumam viver 13 anos, mas, em 2005, uma panda chamada Basi (na imagem) comemorou os seus 25 anos de idade, o que equivale a 150 anos num humano (uma idade que nenhum humano conseguiu chegar).

A baixa taxa de natalidade, a alta taxa de mortalidade infantil e a desflorestação ameaçam o panda para a extinção. Em 1995, um fazendeiro foi sentenciado a prisão perpétua por ter abatido um panda. A partir de 1997, passa-se a punir os infractores com uma pena de 20 anos de prisão.


Estima-se que existam cerca de 1600 pandas selvagens na China. No entanto, em 2006, exames de ADN em fezes de pandas, indicam uma diversidade genética que coincide em quase o dobro dos indivíduos primeiramente estimados (cerca de 3000 indivíduos). A maioria dos pandas em cativeiro estão na China, mas apenas 20 estão em zoos no resto do mundo.

Em 2005, a reprodução de pandas em cativeiro entrou numa explosão positiva, pois o número de bebés pandas sobreviventes quase triplicou (25 bebés nesse ano e 9 no ano anterior), um fenómeno chamado "Baby Boom".


Originalmente, o nome em chinês do panda-gigante é 大熊猫 que significa "grande urso-gato". Os registos históricos mais antigos retratam o panda-gigante sob o nome de "pi" e "pixiu".

Os pandas foram sempre considerados animais emblemáticos. A sua natureza vulnerável torna estes animais incrivelmente interessantes e parece que nos dá esperanças para salvar, não só os pandas, mas muitas outras criaturas ameaçadas. Quer seja urso, quer não seja urso, não podemos simplesmente ignorar estes animais pela sua aparência ou por acharmos que estão condenados. Se aprendemos alguma coisa com o panda é que teremos de salvar aquilo que ameaçamos destruir apenas devido às nossas necessidades e se tal não acontecesse poderíamos nós mesmos estar extintos por termos destruído o nosso próprio lar...


O que é o panda-vermelho?


O panda-vermelho (Ailurus fulgens) pertence à família Ailuridae (apenas inclui o panda-vermelho) e está menos ameaçado que o panda-gigante. O seu parente mais próximo é a doninha-fedorenta. No entanto, já foi incluído na família dos guaxinins e dos ursos.
O panda-vermelho não é muito parecido com o panda-gigante, mas é assim chamado por ambos se alimentarem de bambu, terem patas semelhantes, viverem no mesmo local e habitat e por ambos limparem os genitais da mesma maneira. Apesar da sua semelhança, o panda-vermelho é muito mais aparentado com os mustelídeos e o panda-gigante com os outros ursos.

1 comentário: