sexta-feira, 5 de junho de 2015

Eu sou um dragão-de-komodo

Em 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. No dia 22 de abril de 2015, o Google lançou um questionário do Dia da Terra para saber qual é o seu animal. Se quiser saber qual é o seu animal, visite o site https://www.google.pt/search q=question%C3%A1rio+do+dia+da+terra&oq=question%C3%A1rio+do+&aqs=chrome.1.69i57j0l3.7777j0j1&sourceid=chrome&ie=UTF-8. O animal que me correspondia era o dragão-de-komodo. Mas, o que teria de fazer se estivesse na pele de um dragão-de-komodo? Será que o dragão-de-komodo me corresponderia?
Talvez tu tenhas uma parte de dragão-de-komodo. Tenta descobrir...


Dados:


  • Espécie: Varanus komodoensis
  • Tamanho: 3 metros de comprimento
  • Tempo: 3,8 a 0 milhões de anos
  • Alimentação: Carnívoro
  • Local: Indonésia
  • Tipo: Réptil escamoso





O dragão-de-komodo não é nenhum dragão, mas o maior lagarto do mundo que vive nas ilhas da Indonésia de Komodo, Rinca, Gili Motang e Flores. Há quase 4 milhões de anos, uma espécie de varano australiano atravessou os mares a nado até a estas ilhas da Indonésia. Sem grandes predadores, o varano cresceu até tamanhos gigantescos, um processo evolutivo chamado de gigantismo insular. No entanto, é geralmente necrófago, mas não é raro caçar invertebrados, répteis, aves e mamíferos.




O dragão-de-komodo põe os seus ovos em ninhos abandonados de megapódios (uma espécie de ave) por volta de setembro e eclodem em abril, onde existe abundância de insectos. Os primeiros 3 e 5 anos de vida de um dragão-de-komodo são bastante perigosos, devido ao canibalismo feito pelos adultos, mas, se chegarem à idade reprodutiva, podem viver até aos 50 anos.

Esta criatura é tão icónica hoje, porque foi descoberta há 105 anos para a comunidade científica. Infelizmente, é possível que a sua ameaça de extinção começasse a partir desse momento, já que o habitat do lagarto está a desaparecer lentamente no espaço constrangido das ilhas.


Os nativos vivem com os dragões-de-komodo há mais tempo e eles reconhecem estes caçadores com outros nomes, como buaya darat (crocodilo da terra) ou biawak raksasa (varano gigante).

Um lagarto grande e cinzento-acastanhado. Este animal de característica pré-histórica usa a sua língua bifurcada para detectar fortes odores de carcaças por longas distâncias.

Comer carne podre é um lugar propício para a reprodução de bactérias infeciosas na boca do lagarto e se este morder um animal, as bactérias causam sérias infeções. É bastante útil para derrubar animais do tamanho de um búfalo. Se quisermos falar das preferências no prato, o dragão-de-komodo gosta mais da língua e das tripas, as quais come primeiro.


É demasiado adorável para pertencer a um dragão-de-komodo, mas a realidade é que, à medida que cresce, o carniceiro da Indonésia tem mais vantagens, não em aparência, mas em atitude. Um destes répteis pode passar cerca de 90% da sua vida na fase adulta, o que implica chegar até lá. Mas não tenham tanto receio destes falsos dragões, pois as mortes e ataques são incrivelmente raros e pode-se mesmo tomar banhos de sol na praia com estes bichos.



A família que inclui o dragão-de-komodo (Varanidae) constitui outros grandes lagartos, mas o mais pequeno parente do dragão mede apenas 20 cm de comprimento. Os seus parentes são facilmente bons nadadores e, por isso, a sua distribuição geográfica actual sem intervenções humanas estende-se pela Austrália, Sul da Ásia, Nova Guiné e África.

A língua do dragão detecta odores e está ligada a partir do órgão de Jacobson e que é o mesmo órgão que aparece em outros lagartos, cobras e anfisbenídeos.


Parece que as narinas só têm função respiratória. A sua pele escamosa é bastante sensível ao tacto, o que lhe permite sentir as pisadas de animais a quilómetros de distância.

O dragão-de-komodo tem um sentido de audição bastante fraco, pois o olfacto supera muita coisa. A visão não é má, consegue ver a cores, mas também não é a melhor.




Mas o dragão-de-komodo não é surdo, como Joan Proctor demonstrou um dragão exibido no zoo que saía da toca para ir comer só quando ouvia a voz da tratadora do zoo.

O dragão-de-komodo surgiu quando os varanos australianos e papuanos nadaram uma curta distância à medida que o continente avançava para perto do Sudeste Asiático. No fim da Idade do Gelo, as ilhas onde os dragões habitam separaram-se com a subida do nível das águas.



O dragão-de-komodo tem sangue frio, por isso é muito mais activo durante o dia do que de noite. Pode correr até 20 km/h, mergulhar na água por 4,5 metros e trepar árvores com as suas fortes garras afiadas. Mas estas incríveis garras, mais importantes que a sua fraca mordida, são muito mais úteis para derrubar presas grandes.

Tal como muitos grandes predadores, o dragão-de-komodo passa bastante tempo a dormir na sua toca. Fazem a casa perto da praia onde delimitam com excrementos e falta de vegetação em redor.


O maior lagarto do mundo não poderia ser pior se não fosse um comedor de carne. O lagarto faz uma emboscada e espera que a presa esteja no local certo para que o predador corra até ao ventre macio do animal. Às vezes, a sua enorme cauda ajuda a fazer tropeçar presas tão grandes como porcos e veados.

A sua enorme boca flexível permite engolir grandes presas até ao tamanho de uma pequena cabra! A saliva ajuda a que uma cabra escorregue pela garganta abaixo, mas ainda será preciso 20 minutos para a engolir inteira. Para que não sufoquem, os grandes répteis têm um tubo respiratório por baixo da língua. O dragão-de-komodo pode ter mais olhos do que barriga mas, graças a isso, só precisa de comer uma vez por mês. Todos os ossos, cornos, dentes e cascos da cabra são regurgitados juntamente com um muco mal-cheiroso. Depois disso, o dragão esfrega o seu focinho na poeira devido ao cheiro das suas excreções, o que pode significar um aumento de grau de higiene por parte destes animais.


Os dragões-de-komodo têm uma forte hierarquia à volta da carcaça em que os machos mais velhos sibilam e abrem a boca para afastar os machos mais novos, que comem no fim. Quando ocorre lutas, os dragões vencidos geralmente afastam-se com o orgulho ferido, mas já foram registados lagartos vencedores que se vingaram mortalmente dos adversários... e comeram-nos!

Os juvenis alimentam-se de insectos, ovos, osgas e pequenos mamíferos. Alguns adultos escavam as campas dos cemitérios para buscar as carcaças dos mortos, mas os aldeões acabam por mover o cemitério para solos argilosos e protegidos com rochas. O dragão-de-komodo é também um dos lagartos mais inteligentes da Terra, tanto que foram vistos dragões a assustarem veados fêmea grávidas para que estas causassem um aborto espontâneo e os restos ejectados fossem aproveitados pelo réptil.


O dragão-de-komodo não consegue engolir naturalmente por isso, quando bebe, enche a boca toda com água e levanta a cabeça para que esta escorra até à garganta.

Por muitas décadas, pensava-se que o dragão matava com as bactérias infecciosas, mas descobriram que ainda tinha a adição de um veneno fraco, sendo o maior réptil venenoso da Terra.




A sua boca é um lugar propício para a reprodução de bactérias incrivelmente letais. A mais letal é a Pasteurella multocida. Devido à sua mordida mais fraca que a de um gato, a entrada destas bactérias pode causar gangrena e, a área afectada, poderá ser amputada para a sobrevivência da vítima!

Os dragões acasalam entre Maio e Agosto, quando se deve ter cuidado com machos furiosos, e os ovos são postos em Setembro, quando se deve ter mais cuidado com as fêmeas protetoras. As lutas entre machos acabam quando um lutador for derrubado para o chão. O vencedor usa a sua língua para detectar odores de fêmeas no cio. O macho prende a fêmea durante o acasalamento, pois esta pode feri-lo com as suas garras afiadas. O pénis do macho está encolhido para dentro e só de lá sai para ser inserido na cloaca da fêmea. Aliás, uma das maneiras para identificar o sexo de um dragão-de-komodo é colocar o dedo na cloaca e verificar se tem alguma coisa lá dentro (se tiver é porque é um macho). O facto é que, para o fazer, será preciso "testículos" para isso...!


A fêmea de dragão-de-komodo está pronta para pôr ovos, por isso procura um ninho abandonado de megapódio-de-patas-laranjas para se preparar para a postura. A fêmea protege-os e incuba-os com o calor do solo até estes eclodirem em Abril. Para o bebé, o esforço de sair do ovo é frustrante, por isso têm, à nascença, um "dente de ovo", como as aves, para partir a casca. A mãe abandona os bebés após a eclosão, e os recém-nascidos terão de se refugiar nas árvores pois os adultos são canibais. Até a sua mãe vai perdendo o seu instinto maternal para procurar os seus próprios filhotes. Outra maneira é esconder-se nos excrementos e nas carcaças demasiado putridas, onde os adultos não vão persegui-las.


Se não acredita na Virgem Maria então é melhor mudar de ideias, pois, há 10 anos, uma dragão fêmea no Zoo de Londres, chamada Sungai, fez uma postura de ovos sem ter tido a companhia de um macho por mais de dois anos! Os cientistas tiveram a teoria original de que ela armazenou esperma do macho que acasalou dois anos antes mas, no Zoo de Chester, não muito longo do Zoo de Londres, relatou que, quase um ano depois da postura de Sungai, uma fêmea chamada Flora pôs 11 ovos, em que apenas sete eclodiram e eram todos machos! Descobriram então que os ovos de Sungai e de Flora tinham sido eclodidos sem qualquer tipo de fertilização feita por machos!!!


Este macho é o filho de Flora. Nascer sem qualquer tipo de fertilização externa parece quase impossível, mas não é exclusivo de dragões-de-komodo, também acontece em tubarões-martelo, pulgões e até mesmo perus e esse processo é conhecido por partenogénese.

Essa capacidade permitiu a que a primeira fêmea do antepassado do dragão-de-komodo chegasse à ilha. Como não tinha machos na ilha, esta fêmea criou ninhadas que só incluíam machos e, deixando-os crescer, esta podia acasalar com os seus próprios filhos. É uma caraterística pouco bíblica, mas isso nunca foi registado em seres humanos, o que faz com que a Virgem Maria ainda não seja cientificamente verídica.


O Zoo de Sedgwick County, no Kansas, também teve dragões-de-komodo nascidos por partenogénese, dois anos depois da ninhada de Flora. Dois ovos eclodiram e, para comprovar a teoria ainda mais, estes nasceram todos machos.

O dragão-de-komodo era visto há 110 anos como hoje nós pensamos no Monstro do Loch Ness. Em 1910, houveram rumores de um "crocodilo da terra" nas colónias holandesas e os exploradores finalmente encontraram-no e documentaram-no. A partir daí, a ilha de Komodo foi um alvo de várias explorações em busca do lendário lagarto gigante! Uma descoberta excitante que lhe deu um nome digno de honra: o Dragão de Komodo! Esta criatura parece tão pré-histórica que até foi alvo de inspiração para o filme King Kong!


Os Holandeses, que colonizavam a Indonésia na altura, achavam que a caça desportiva e a intensa invasão do seu habitat natural estavam a ameaçar o dragão-de-komodo. Após a 2ª Guerra Mundial, uma expedição mais intensa foi feita para compreender o comportamento do réptil lendário. No mesmo ano em que o homem foi à Lua, a família Auffenberg passou 11 meses na ilha de Komodo, capturaram e marcaram mais de 50 dragões. A família Auffenberg foi uma equipa muito importante para a compreensão do dragão-de-komodo.

A dura realidade é que apenas existem entre 4000 a 5000 dragões-de-komodo no Mundo. Mas é possível que hajam só 350 fêmeas reprodutoras. Para os ajudar, foram feitas duas reservas na ilha das Flores para preservar a espécie. Os vulcões, terramotos, destruição de habitat, incêndios florestais, falta de presas, turismo e caça furtiva ilegal estão a ameaçar constantemente os dragões-de-komodo.


Um parente australiano chamado Megalania foi extinto há 40 000 anos por aborígenes e media cerca de 6 metros, sendo o maior lagarto terrestre de sempre. Um australiano sugere que a introdução de dragões-de-komodo na Austrália ajudaria a salvar a espécie e a conquistar o nicho ecológico do seu parente pré-histórico. A cautela é muita pois os aborígenes caçam muitos varanos australianos e o dragão seria um petisco ainda maior!

Apesar do quão incrível este animal é, o dragão-de-komodo é um predador e já matou um miúdo de oito anos em 2007. A raridade das mortes é tanta que a única morte registada anterior aconteceu em 1974. Para os nativos, o animal é a reencarnação dos seus antepassados, por isso é um animal sagrado.


Existem poucos dragões-de-komodo em zoos devido à susceptibilidade a infecções e doenças parasíticas ou mesmo a falta de reprodução natural, por isso é que todos os registos de partenogénese foram encontrados em zoos.

Os primeiros dragões em zoos viviam, em média, cinco anos.

Os indivíduos que viverão pouco tempo em cativeiro são bastante mansos. Mas têm uma relação muito próxima com os tratadores habituais e podem ser agressivos com outros tratadores que nunca viram, o que sugere que os dragões-de-komodo sabem reconhecer as caras de pessoas.


Estudos demonstram que os dragões-de-komodo brincam já que, num zoo, uma fêmea empurrava uma pá do tratador sobre uma rocha, atraída pelo som metálico a raspar na superfície rugosa. Sapatos, estatuetas e latas não eram vistos como comida para os lagartos, pois estes não cheiravam nem sabiam a carne, por isso limitavam-se a explorar os objectos.

Uma fêmea, chamada Kraken, usava anéis de plástico para colocar latas de alumínio umas em cima das outras para encaixar nos anéis e círculos. O cálculo não era inteligente, mas o lagarto parecia estar apenas a divertir-se. A Kraken é também conhecida por ter sido o primeiro dragão-de-komodo a nascer em cativeiro.


Os ataques em cativeiro são raros, mas um homem estranho chamado Phil Bronstein foi mordido no pé por um dragão-de-komodo. A vítima sobreviveu, mas ainda precisou de religar alguns tendões cirurgicamente.


A minha opinião é que, apesar de ser um incrível animal que não me importaria de estar na sua pele, não tem tanto a ver comigo como eu imaginaria. Eu sou bastante grande, mas não me posso constar entre os maiores da minha espécie. Tenho tido bastante sorte na minha vida por isso não me incluiria numa espécie ameaçada. Poucos apelidos lhe são dados, ao contrário de mim. Não sou reconhecido como munido de garras ou veneno mortal.
Mas o facto é que não sou agressivo, assim como o dragão é comparado a outros grandes predadores. Eu adoro carne, tal como o dragão. Só não sei o que posso referir quanto à partenogénese que não me parece muito natural!
De qualquer maneira, aprecio muito um dragão-de-komodo e, se não me for equivalente, posso pesquisar mais sobre isso. Mas esta criatura, única pela sua reputação lendária, aparência pré-histórica, tamanho descomunal e reprodução bizarra, faz o dragão-de-komodo ser uma das maiores maravilhas da Terra.

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