quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Peixes II

Os peixes são animais incrivelmente diversificados. Podem chegar desde o pequenino Paedocypris progenetica de 7,9 milímetros até ao extinto Leedsichthys de 25 metros. Os peixes têm rondado os oceanos durante 520 milhões de anos e a variedade incrível em que se encontram no mar, nos rios, nos lagos e até em terra tem lhes dado uma enorme capacidade de domínio na Terra durante todo esse tempo. Nesta edição "Peixes II" vamos falar sobre as características e curiosidades gerais sobre os peixes.


Sem contar com a classificação filogenética, os peixes são vertebrados aquáticos de sangue frio, com membros transformados em barbatanas (alguns desprovidos de membros), com ossos ou cartilagem, com guelras para filtrar o oxigénio da água (os dipnóicos têm um pulmão primitivo) e têm o corpo coberto de escamas, com algumas excepções.

Os peixes foram muito importantes na cultura popular em religiões, artes, livros e mesmo filmes.



Peixes não é uma classe, como antes Carl von Linné tinha classificado. De facto os peixes incluem hoje todos os Craniata que também incluem tetrápodes como os anfíbios, répteis, aves e mamíferos, por isso nós somos peixes!

Os primeiros peixes não tinham coluna vertebral, mas um notocórdio flexível para se mover melhor do que alguns invertebrados marinhos.






Originalmente, os peixes foram considerados vertebrados aquáticos, com barbatanas, ou não, com guelras ou um pulmão e com escamas salientes (excepto em alguns casos). No entanto isto não é uma classificação concreta para se tornar um grupo monofilético, daí juntarem-se os tetrápodes aos peixes.

Agora a classificação de Linné para os peixes já não é mais aceite pela ordem científica.


Por vezes a palavra "peixe" é usada para definir outros animais marinhos como o dugongo, também chamado de peixe-mulher.

Os peixes encontram-se em quase todos os ambientes aquáticos desde o mar até às águas doces desde as poças na praia até às profundezas dos oceanos.

Desde os primórdios da humanidade que os peixes têm sido uma importante fonte de alimento durante os momentos mais difíceis.



Existem algumas espécies de peixes perigosos, como o peixe-escorpião (na imagem) e o peixe-pedra com os seus espinhos venenosos para se defender dos predadores e ainda algumas espécies de tubarões que podem desferir um golpe mortal com as suas mandíbulas.

A ictiologia é a ciência que estuda os peixes não tetrápodes.





Os peixes, principalmente os marinhos, identificam-se a partir do papel que têm nos diferentes ambientes oceânicos:

  • Pelágicos - peixes que costumam andar em cardumes no mar alto como sardinhas, arenques e tubarões-martelo.
  • Demersais - peixes que gostam do fundo marinho como os peixes chatos (linguados e solhas), as garoupas e as moreias que caçam polvos como se fossem serpentes.
  • Batipelágicos - peixes que têm liberdade para nadar em mar aberto sem precisar de nadar em cardumes.
  • Mesopelágicos - peixes que vivem nas profundezas do mar de dia e à noite vão à superfície se alimentar, como os peixes-lanterna.



O plâncton é a alimentação base de vários pequenos peixes e de enormes peixes como o peixe-frade e o tubarão-baleia (o maior de todos os peixes).

Os peixes demersais podem ser predadores, como as garoupas e as moreias, herbívoros, como o peixe-papagaio, ou detritívoros, como a rémora que se cola a tubarões e outros animais marinhos com uma ventosa para comer restos do alimento do hospedeiro e ainda parasitas na pele do hospedeiro.




Uma espécie de peixe-pescador tem um hábito alimentar bizarro, em que o macho é parasita da fêmea, fundindo a boca com o corpo dela para se reproduzir e alimentar-se.

As fêmeas de peixe de cardume desovam na água onde estão para os machos por fim fertilizarem com o seu esperma. Noutros casos os ovos são postos em enormes números ao sabor das correntes onde haja poucas probabilidades de que todos os ovos sejam comidos.


Existem espécies que desovam na água doce, mas vivem grande parte da vida no mar, como os salmões.

Alguns peixes têm cuidados parentais alguns deles curiosos. Alguns ciclídeos do Lago Malawi protegem os filhotes na boca quando há perigo, os cavalos-marinhos chocam os ovos numa espécie de bolsa marsupial e o peixe-disco amamenta as crias com uma espécie de leite materno.

Alguns peixes reproduzem-se a partir de partogénese, ou seja, as fêmeas produzem células masculinas e fertilizam-nas com as suas células femininas originando crias como o tubarão-martelo. Isto é uma espécie de Virgem Maria natural!


Os peixes não tetrápodes nunca dormem. Eles repousam num estado imóvel, mantendo o equilíbrio com movimentos lentos.

Alguns, como o tubarão-ama e o tubarão-tapete repousam no fundo marinho enquanto que os mais pequenos tentam descansar em segurança nos esconderijos.





Os peixes fazem longas migrações e as razões são maioritariamente reprodução, como as enguias e salmões, e alimentação, como os tubarões-brancos e as sardinhas.

Os peixes migratórios classificam-se assim:

  • Diádromos - peixes que migram entre rio e mar (peixes-serra, etc.).
  • Anádromos - peixes que vivem no mar, mas reproduzem-se nos rios (salmões).
  • Catádromos - peixes que vivem nos rios e reproduzem-se no mar (enguias).
  • Anfídromos - peixes de água doce que mudam o seu habitat para a água salgada não para fins reprodutivos (cabozes).
  • Potamódromos - peixes que só fazem migrações nos rios de água doce.
  • Oceanódromos - peixes que só fazem migrações nos oceanos e mares (atuns, sardinhas, etc.).




Os salmões existem em vários rios e, com certeza, durante a migração de alguns salmões, eles encontram-se com barragens pelo caminho. Felizmente as barragens abrem fácil caminho a partir de umas portas apropriadas para a passagem dos salmões.

A camuflagem de algumas espécies é usada para se esconderem de predadores ou para caçar presas numa emboscada.



A anatomia interna do peixe tem:

  • O esqueleto coberto de ossos ou cartilagem.
  • O coração dividido em 3 cavidades (excepto em alguns tetrápodes).
  • O sistema digestivo único.

A bexiga natatória é um órgão derivado do intestino que se pode contrair e estão forradas de guanina que a tornam impermeável a gases comuns. A bexiga natatória é o órgão que permite aos peixes ósseos não se afundar e o que mantém os peixes mortos à tona da água.



A bexiga natatória tem uma abertura chamada "janela oval" que liberta oxigénio para a corrente sanguínea, controlando a flutuabilidade do próprio peixe.

Ser provido de bexiga natatória tem uma desvantagem: o peixe não pode fazer uma subida rápida com o risco de a bexiga rebentar com a pressão!



A classificação da maioria dos peixes modernos tem como base a sua própria anatomia.

A maioria dos peixes tem o corpo fusiforme, adaptado para nadar em águas abertas, tendo como exemplo, os peixes pelágicos que costumam viver em cardumes como os atuns.

Os peixes demersais e abissais têm um corpo gordo e com protuberâncias para atrair as presas.


A solha, à medida que se desenvolve, muda o olho para um dos lados (esquerdo ou direito, dependendo da espécie), o que o torna um peixe bizarro.

Os cabozes também desenvolvem as barbatanas ventrais para formar uma ventosa e não serem levados pela corrente.





Os peixes nadam principalmente a partir de barbatanas ou nadadeiras. As barbatanas são suportadas por raios flexíveis ou espinhos rígidos e ocos que também podem ser úteis para a transmissão de veneno.

Normalmente, um peixe tem estes tipos de barbatanas:
  • uma barbatana dorsal
  • uma barbatana anal
  • uma barbatana caudal
  • um par de barbatanas ventrais
  • um par de barbatanas peitorais


Por vezes acontece a junção entre barbatanas, por exemplo, os cabozes juntam as barbatanas ventrais para fazer uma ventosa e a barbatana dorsal e caudal pode se juntar no caso dos linguados.

As barbatanas também podem ser muito bonitas como o cauda-de-véu, uma raça de peixe-dourado, e as graciosas "asas" da raia.




Existem também tipos diferentes de barbatanas como uma semelhante a uma ventosa, perto da barbatana caudal que se encontra em salmões e bacalhaus (na imagem).

A pele do peixe está coberta de muco que é útil para diminuir a resistência da água durante o movimento e para escapar de predadores, como a enguia-de-casulo faz para sufocar os predadores com muco peganhento. Este muco também faz os peixes ficarem mais escorregadios.



Os peixes têm quatro tipos básicos de escamas:

  • Ciclóides - sub-circulares com a margem lisa e finamente serrilhada
  • Ctenóides - sub-circulares, mas rugosa com a margem serrilhada ou mesmo espinhosa.
  • Ganóides - sub-romboidais e muito grossas, como os esturjões e os salmões.
  • Placóides - duras com um ou mais espinhos.



Há peixes que têm uma armadura rígida coberta de placas ou espinhos com fendas onde surgem as barbatanas.

Os peixes têm um sistema nervoso complexo com um cérebro avançado. Ao contrário dos outros vertebrados, os peixes não tetrápodes têm um cérebro que activa primeiro o sentido do olfacto e só depois o resto dos sentidos.

O cerebelo coordena o movimento do peixe e a medula espinal controla os órgãos internos.

Os peixes também têm quimiorecetores que detectam diferenças químicas na água e que deram ao origem aos nossos sentidos do paladar e do olfacto.


Em 2003, uns cientistas escoceses da Universidade de Edimburgo descobriram que os peixes podem sentir dor. Peixes-gato e tubarões podem sentir dor porque detectam correntes eléctricas, responsáveis pela dor.

Também é possível saber a idade de um peixe a partir dos seus ouvidos. Os peixes têm otólitos nos ouvidos que crescem ao longo do tempo e ainda podem determinar a variação da composição química do meio ambiente e do que se tem alimentado durante toda a vida do animal.


Em 2006, foram registadas 1173 espécies de peixes em vias de extinção. Os peixes vivem debaixo de água e é muito mais complicado saber o estado da população do que animais terrestres. O peixe chamado por "buraco do demónio" tem 6 metros de comprimento e costuma viver em corpos de água doce pequenos por isso está muito ameaçado.



Uma espécie de peixe extinta comercialmente significa que a espécie já não é sustentável para a pesca.

A sardinha do Pacífico caiu em pique de 790 000 toneladas em 1937 até 24 000 toneladas em 1968.

Na Escócia, Terra Nova e Alasca, a pesca é um enorme negócio sendo que o governo esteja disposto a apoiá-la.





Para peixes de água doce, as maiores ameaças são a poluição da água, a construção de barragens, a remoção da água para consumo humano e a introdução de espécies invasivas como este siluro europeu.

A introdução de espécies invasoras é muito comum. O Rio Nilo perdeu já 500 espécies de ciclídeos nativos devido a espécies invasoras. Dessas espécies invasoras temos carpas, tilápias, trutas e lampreias.



A classificação dos peixes modernos define-se desta forma:

  • Domínio Eukariota
  • Reino Animalia
  • Clado Metazoa
  • Clado Bilateria
  • Clado Deuterostomia
  • Filo Chordata
  • Clado Craniata



Dentro dos Craniata temos os vertebrados que se dividem em:

  • Hyperoartria (lampréias - vertebrados sem maxilas)
  • Gnathostomata (todos os outros vertebrados com maxilas)
  • Mais sete grupos fósseis
Os peixes ósseos e os tetrápodes estão dentro do grupo Teleostomi.

Os Osteichtyes constituem os actinopterígios, os sarcopterígios e os tetrápodes (anfíbios, répteis, mamíferos e aves).



No entanto, os taxa Agnatha (lampréias), Ostracodermis (peixes extintos com carapaça e sem maxilas, na imagem) e Myxina (enguias-de-casulo) não devem estar nesta classificação porque são monofiléticos.


Vídeos de peixes:


Aqui temos um vídeo de um tubarão-branco a caçar um leão-marinho:



Aqui temos um vídeo sobre o dipnóico, o peixe que respira ar:



Curiosidades sobre peixes:

O maior peixe de hoje é o esplendoroso tubarão-baleia. Com 12 metros é um tubarão inofensivo com uma boca larga para filtrar plâncton. Na pré-história havia um tubarão ainda maior de 15 metros e uma mandíbula forte chamado de Megalodon. Mas nada se compara com o Leedsichtys de 25 metros. Este também era um filtrador, como o tubarão-baleia, mas era mais parente das amias e dos peixes-aligátor.


Este é o peixe mais pequeno de todos: o Padeocypris progenetica. Este pequeno peixe vive nas águas do sul da Indonésia e é quase transparente na água, sem contar com as barbatanas e com a cabeça. Alimenta-se quase inteiramente de plâncton e não é fácil de pescar (é preciso mais do que um anzol e uma minhoca para apanhá-lo).


Se pensou que o horrível tubarão-branco, ou outra espécie de tubarão, fosse o peixe mais perigoso então está errado. Os tubarões atacam várias e várias pessoas por ano, mas, quando as mordem, largam-nas quase logo e nuca chegam a comer a vítima. Dessa maneira há cerca de 5 pessoas que morrem por tubarões e talvez esse número ainda seja um exagero. Mas talvez o peixe mais mortífero seja um parente próximo: a uge. A uge tem uma longa cauda e muitas vezes é dócil, deixando-lhe dar a comida à mão! Mas se a assustarmos ou se a pisarmos ela chega a picar-nos com um aguilhão venenoso na ponta da cauda. O veneno é fácil de tratar, mas mesmo assim morrem 6 pessoas por causa do veneno de uge e estes números estão mais correctos.


Alguns peixes não tetrápodes chegam a ir para terra tal como os nossos antepassados fizeram. Os dipnóicos respiram e rastejam em terra e podem ficar fora de água durante cerca de 4 anos! Mas há vários outros que rastejam em terra. O perioptalmo, ou saltador-do-lodo, rasteja em terra e armazena água nas suas bochechas para respirar aí. A enguia não respira ar, mas tem a capacidade de rastejar em terra como uma serpente durante as suas migrações. Existe até uma perca chamada perca-indiana que usa as suas barbatanas semelhantes a ventosas para trepar as árvores!


Se os peixes dominam nas águas e rastejam em terra sem problemas, porque não haveriam de chegar aos céus? Bem, o único problema é que não existe nenhum peixe que voa, mas, apesar do nome, o peixe-voador usa as suas barbatanas longas para planar na água e escapar dos predadores. Outros peixes gostam de saltar como o peixe-machado e a carpa-asiática. Mas talvez o mais gracioso seria a jamanta. Esta raia enorme salta de vez em quando fora de água, mas não se sabe o porquê. Mas na água ela transforma-se num verdadeiro anjo do mar com as suas enormes barbatanas peitorais a "voar" debaixo de água.

Sem comentários:

Enviar um comentário