quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Mamíferos marinhos

Os mamíferos há muito tempo que rondaram a terra e eram mestres na vida arborícola, subterrânea e terrestre. Mas ao longo do tempo adaptaram-se a viver em rios depois chegou aos extremos: os vastos oceanos. Foram colonizados pelos mamíferos há 55 milhões de anos e saberemos mais acerca dos mamíferos marinhos extintos e vivos.

Os mamíferos marinhos estão divididos em 3 ordens vivas (Than e Corey estão originalmente incluídos na ordem Carnivora):

  • Sirenia (manatim, dugongo)
  • Carnivora (urso-polar)
  • Than (pinípede, leão-marinho, morsa)
  • Corey (lontra-marinha, lontra-felina)
  • Cetacea (baleia, golfinho, toninha)
  • Desmostylia



A ordem Sirenia constitui os famosos manatins.

O manatim é um animal singular. Pode-se parecer com uma foca, mas é mais parente do elefante, devido ao seu invulgar focinho flexível. Este focinho ainda é usado para arrancar plantas marinhas como o elefante e não para caçar peixe. Como pasta, o manatim é chamado também de peixe-boi ou de vaca-marinha. Os manatins não são propriamente marinhos, porque a maioria prefere viver em estuários e muitas vezes entra pelos rios adentro. Os manatins gostam também desses sítios porque há abundância de água doce para beber, o que é raro em animais marinhos. A maioria extrai água do seu alimento.


Aqui temos um vídeo de um manatim a beber água de uma mangueira:


















O dugongo é um parente próximo do manatim.

O dugongo é um parente próximo do manatim. Mas qual é a sua diferença principal? A cauda do dugongo tem a forma em meia-lua, enquanto que o manatim tem a forma de uma pá.
É muito mais ágil e muito mais marinho que o manatim e sofre constantemente ataques de tubarões. Os dugongos fêmeas têm um par de seios semelhantes ao da fêmea humana e, outrora, foram confundidos com os seios de uma sereia.
Existiam várias espécies de dugongos no passado, sendo o maior o dugongo-de-steller. Ao contrário da maioria dos dugongos actuais o dugongo-de-steller vivia nas regiões frias do Alasca e foi rapidamente caçado até à sua extinção.


A ordem Carnivora constitui os ursos-polares.

Os ursos-polares podem ser os únicos ursos marinhos, mas não são só isso. São também os maiores Carnivora terrestres de todos (os maiores são os elefantes-marinhos).
Os ursos-polares são tanques corpulentos contra o frio, adaptados para a vida no gelo e o calor só lhe escapa a partir dos olhos e narizes. O calor fica tão isolado que são quase invisíveis na câmara de infra-vermelhos e o branco também os camufla muito bem na neve. Mas a maior fraqueza é o calor, toda aquela camada de gordura não iria suportar todo aquele calor que provoca o degelo o que está a causar a sua própria extinção.
A caça preferida dos ursos-polares são as focas. Quando as focas vão respirar em buracos no gelo, o urso dá uma patada e a foca facilmente é morta. O urso-polar só come a gordura da foca para se manter no Inverno, enquanto que a carne fica para as raposas-árcticas e para as gaivotas.


Aqui temos um vídeo de um urso-polar fêmea a sair da sua toca de Inverno com as crias:


















A ordem Than (originalmente constituído na ordem Carnivora) constitui os pinípedes.

Os pinípedes são todos os Than (Carnivora) que estão adaptados à água de tal maneira que possuem barbatanas peitoriais que são os membros posteriores e as barbatanas caudais que são os membros anteriores. Na imagem temos o leão-marinho-do-sul. Os pinípedes dividem-se em 3 famílias: Phocidae (focas), que não têm orelhas e com movimentação terrestre desajeitada, Ottaridae (leões-marinhos), com orelhas e com uma movimentação terrestre mais avançada chegando mesmo a correr, e Odobenidae (morsas), semelhantes às focas, mas com um inconfundível par de presas de 1 metro.


O leão-marinho é um dos mais primitivos de todos os pinípedes.

Porque é que digo que o leão-marinho é um dos mais primitivos de todos os pinípedes? Porque a maneira como ele se movimenta assemelha-se à de vários mamíferos terrestres, seus antepassados. As barbatanas do leão marinho podem-se esticar na vertical, mesmo as de trás, podendo andar e até correr como um animal terrestre.
O nome leão-marinho deve-se a duas coisas: o macho tem uma espécie de juba imponente e é um predador implacável. O leão-marinho é perito na caça de peixes e moluscos, mas a sua maior presa são aves, como os petréis e os pinguins, ou focas bebés. E não é brincadeira, porque mesmo seres humanos já levaram mordidelas horríveis nas pernas. Não nos esqueçamos que o leão-marinho é um predador com caninos afiados e não um golfinho semi-aquático.



Outro pinípede é o inconfundível habitante do Árctico: a morsa.

A morsa é o segundo maior pinípede do Árctico, a seguir à foca-de-capuz (esta foca enche um enorme saco vermelho do nariz para atrair as fêmeas).
As morsas têm os maiores dentes de qualquer animal terrestre, apenas ultrapassados pelas maiores presas de um elefante e pelo dente do narval. Estes dentes são usados como muletas, picaretas, arpões e espadas samurai para arrastar-se, retirar moluscos de rocha, agarrar-se e lutar contra rivais. Ambos machos e fêmeas têm presas deste tipo e usam-nas para várias dessas tarefas.
As crias muitas vezes chegam a perder as mães nas multidões, mas há sempre fêmeas que estão dispostas a adoptá-las.


A ordem Corey (também originalmente incluída na ordem Carnivora) constitui a lontra-marinha.

A lontra-marinha é da família Mustelidae, a mesma que constitui as doninhas, texugos e glutões. Poucos desses são aquáticos e ainda poucos desses são marinhos como a lontra-marinha e a lontra-felina.
A lontra-marinha é única por ser a mais conhecida e por ser a mais intimamente relacionada com o mar. Ela dorme de costas em camas feitas com algas e alimenta-se de ouriços-do-mar e amêijoas, partindo a superfície dura com uma rocha para depois provar o interior macio.
No Oceanário de Lisboa ainda há lontras-marinhas: as crias dos icónicos Eusébio e Amália falecidos.


Sem contar com a lontra-marinha na América do Norte, ainda há outro mustelídeo marinho: a lontra-felina.

A lontra-felina é outra lontra do mar, mas nativa da América do Sul. Está em vias de extinção tal como a sua parente norte-americana.
Vive nos mesmos ambientes, em vastas florestas de algas onde pode construir a sua cama, mas ao contrário da lontra-marinha, esta chega mais frequentemente à costa e até mesmo dentro de rios.
Alimenta-se predominantemente de peixes, moluscos e crustáceos tal como a sua parente.
A principal diferença entre as duas espécies, lontra-marinha e lontra-felina, é não só a localização, mas também a quantidade de pêlos que numa lontra-marinha lembra um espesso bigode e o tamanho, sendo que a lontra-marinha é um pouco maior.


Aqui temos um vídeo de uma lontra-felina e uma foca-comum perto de um porto:


















A ordem Cetacea constitui os maiores animais da Terra: as baleias.

Mais velhas que uma tartaruga, maiores que um camião TIR, mais pesados que um dinossauro... as baleias são indiscutivelmente os maiores animais que vivem e que já alguma vez viveram no planeta Terra. Esta baleia-franca é uma das mais velhas e o seu nascimento pode ter ocorrido durante a Revolução Francesa no século XVIII. A baleia-azul é a maior com 30 metros de comprimento e capazes de se alimentar com 3 toneladas de krill (um camarão do tamanho de um grão de arroz) por dia!
As baleias também são incrivelmente agressivas e estrondosas e as mais estrondosas são, com certeza, as baleias-de-bossa.


Aqui mostramos a incrível e colossal caça das baleias-de-bossa:


















A inteligência da baleia é um grande passo partilhado com os seus parentes: os golfinhos.

Viu a última página que falava sobre os golfinhos (veja "Mamíferos")? Bem e se os golfinhos pudessem realmente falar connosco? Recentemente um sistema, com um nome irónico, CHAT (Cetacean Hearing And Telemetry) permite reproduzir as frequências do chamamento dos golfinhos e reproduzi-las em palavras em língua inglesa. De repente, um golfinho apareceu a dizer uma palavra: "sargaço" (um tipo de alga).
Esta inovação pode levar ao primeiro dicionário inter-espécies, o que não é nada comparado com um papagaio que sabe a nossa língua ou um chimpanzé a aprender língua gestual. Desta vez somos nós que vamos aprender a língua deles e isso está a começar agora!


A toninha é um parente próximo do golfinho.

Este é o Semirostrum ceruttii uma toninha pré-histórica. Viveu entre 5 e 3 milhões de anos na Califórnia e usava o seu maxilar inferior maior que o superior para arrastar no leito marinho para procurar moluscos e peixes chatos para comer.
Uma toninha actual é igual ao Semirostrum, mas com um maxilar inferior mais pequeno que o superior para lhe dar uma forma mais, bem, confortável. A toninha é por vezes chamada de falsa-orca devido à cor de algumas espécies que lembram a de uma orca. Ironicamente, essas falsas-orcas são as presas preferidas das orcas verdadeiras.


A ordem Desmostylia constitui seres marinhos extintos que datam de 30 a 5 milhões de anos.

Este é o Desumon um mamífero semi-aquático semelhante a um hipopótamo que se alimentava de plantas marinhas. Devia ter um focinho preênsil para arrancar as algas e ervas-marinhas e era um parente próximo dos manatins e elefantes, podendo mesmo ser o elo perdido entre eles.
Estes mamíferos marinhos davam à luz debaixo de água como os manatins, ou podiam andar para terra para dar à luz na costa como os leões-marinhos.




Curiosidades sobre mamíferos marinhos:

Por vezes, nas praias do Congo, os hipopótamos tocam com o mar e passam lá a viver como se fossem animais marinhos.

O urso-polar é o urso mais carnívoro que se conhece e só às vezes complementa a sua dieta com algas, líquenes e bagas.

Por vezes, o urso-polar nada como os golfinhos, abanando o corpo ondulante como um auténtico cetáceo.



O maior mamífero semi-aquático deve ser o elefante-marinho com seis metros de comprimento, uma tromba, única nos machos, dentes afiados e uma enorme camada de gordura contra o frio.

O narval é um cetáceo com um enorme dente de mais de 2 metros usado na luta contra os rivais. Esse dente, estranhamente, fica situado na ponta do focinho. Outrora, exploradores por todo o mundo caçavam narvais para lhes tirar o dente e entregavam a pessoal da nobreza dizendo-lhes que eram um chifre de unicórnio!

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