segunda-feira, 28 de abril de 2014

Répteis

Os répteis surgiram há 310 milhões de anos no período Carbonífero. Desde então várias espécies conquistaram o planeta, entre eles os dinossauros. O seu reinado foi tão longo que assistiram a várias extinções em massa. Hoje restam ínfimos grupos daqueles que reinavam a terra há centenas de milhões de anos (tartarugas, escamosos, tuataras e crocodilianos).

Existem 4 ordens de répteis actuais, mas várias foram extintas:


  • Amniota
  • Synapsida
  • Pelycossauria
  • Therapsida
  • Mammalia
  • Sauropsida
  • Anapsida
  • Testudinata
  • Captorhinida
  • Mesosauria
  • Procolophonomorpha
  • Diapsida
  • Araeoscelidia
  • Avicephala
  • Younginiformes
  • Thalattosauria
  • Icthyosauria
  • Icthyopterigea
  • Lepidosauromorpha
  • Sauropterygia
  • Placodontia
  • Nothosauroidea
  • Plesiosauria
  • Lepidosauria
  • Sphenodontida
  • Squamata
  • Archosauromorpha
  • Prolacertiformes
  • Choristodera
  • Trilophosauria
  • Archosauria
  • Crurotarsi
  • Crocodylomorpha
  • Crocodylia
  • Aetosauria
  • Phytosauria
  • Rauisuchia
  • Rhynchosauria
  • Avemetatarsalia
  • Ornithodira
  • Pterosauria
  • Dinosauria
  • Saurischia
  • Ornitischia
  • Aves



Estes Amniota, da classe Synapsida, pertencem à ordem Pelycosauria.

Esta imagem artística pertence a um dos predadores mais icónicos da ordem: o Dimetrodon. Tal como todos os répteis, o Dimetrodon era um amniota, ou seja, desenvolvia-se no líquido amniótico. Actualmente, todos os répteis, aves e mamíferos ficam a desenvolver-se neste líquido que pode ser dentro de um ovo ou de um ventre materno.
O Dimetrodon viveu há 280 milhões de anos na América do Norte. Era um réptil-mamaliano, porque tinha sangue quente como os mamíferos. Quem sabe estaria coberto por proto-pêlos e a sua enorme vela nas costas serviria para absorver o calor do sol. Desta maneira podia-se movimentar rápido ou ser lento como demonstra as curtas pernas que possui. Não era grande problema, pois talvez as suas presas seriam igualmente lentas. Muita gente pensa que podiam pôr ovos ou que as crias nasciam directamente do ventre materno.
As suas presas favoritas eram o anfíbio Seymouria e o pelicossauro Edaphosaurus com uma vela semelhante à do Dimetrodon, mas era herbívoro.


A ordem Therapsida constitui predadores reptilianos muito diferentes.

Este é o Sinophoneus. Tal como os Pelycosauria, os Therapsida são répteis-mamalianos. Na realidade, os parentes actuais destes répteis são, sem dúvida, nós: os mamíferos. O Sinophoneus era um predador de 2 metros e provavelmente teria o nicho ecológico do coiote há 270 milhões de anos. Mas haviam predadores muito maiores como o Inostrancevia. Teria cerca de 5 metros de comprimento e possuía dentes-de-sabre com 12 centímetros.
Outros eram os cinodontes que estavam cobertos de pêlo e também eram predadores.
Já os dicinodontes eram herbívoros com no máximo 3,5 metros e estavam armados com presas semelhantes às do javali para arrancar tubérculos e a casca das árvores. Estes foram os últimos terapsídeos tendo sobrevivido até ao fim da era dos dinossauros.


Os descendentes destes répteis formaram uma classe que não pensariam pertencer a esta edição: Mammalia.

Não é difícil de perceber que a classe Mammalia pertence à nossa própria classe: os mamíferos. É verdade, pensa-se que os mamíferos são uma espécie de "raça" de répteis coberta de pêlos (apesar de alguns, como as baleias e golfinhos, não terem pêlos).
Aqui representei esta classe com o nosso parente mais próximo: o chimpanzé-comum. Nós também somos mamíferos.
Os mamíferos surgiram há 220 milhões de anos a partir dos cinodontes. Daí surgiu o primeiro mamífero que se assemelhava aos actuais musaranhos: o Morganucodum. Existe uma espécie muito semelhante a este pré-histórico mamífero: o solenodonte. Os solenodontes vivem nas ilhas das Caraíbas e são relativamente lentos, o que puseram em causa a sua existência pois é um alvo fácil para gatos domésticos. Tal como as cobras, o solenodonte tem uma dentada venenosa, mas ao contrário destas ele raramente morde e não é mortal para o homem. Sabiam que o solenodonte não é imune ao seu próprio veneno? O veneno fica armazenado nos dentes para o mamífero não ser infectado.


Na classe Sauropsida temos a subclasse Anapsida com a ordem Testudinata.

Há vários grupos distintos da ordem Testudinata, mas todos podem ser tratados com o mesmo nome: tartarugas.
A maioria tem carapaças duras para se protejerem de predadores. No caso das tartarugas-marinhas protegem-se de tubarões e orcas. Já as tartarugas terrestres e de água doce protegem-se de linces, raposas ou lontras. Mas há tartarugas sem carapaça ou com uma carapaça menos desenvolvida. A tartaruga-de-couro, a maior tartaruga do mundo (2,9 metros de comprimento), tem colunas de osso que suportam couro espesso em vez de carapaça. A tartaruga-de-carapaça-mole tem uma carapaça menos desenvolvida porque não tem predadores.
A alimentação das tartarugas é maioritariamente constituída por vegetais e pequenos invertebrados. Mas há espécies que se alimentam só de peixes ou só de plantas. A tartaruga-de-couro come alforrecas e é imune ao veneno dos seus tentáculos.
As tartarugas mais velhas têm cerca de 150 anos, normal para criaturas que sobrevivem há milhões de anos, se, quando forem crias, sobreviverem às inúmeras ameaças como aves e caranguejos. Cerca de 1% das crias de tartaruga chegam à idade adulta.


A ordem Captorhinida não parece, mas era uma ordem extinta aparentada com as tartarugas.

Répteis deste tipo teriam cerca de 250 milhões de anos de idade. Seriam omnívoros ou herbívoros.
As pernas curtas destes répteis mostram que talvez não tinham energia para correr a grandes velocidades e a longas distâncias.
Talvez estes seriam os primeiros antepassados das tartarugas e talvez teriam escamas mais duras que, mais tarde, iriam dar origem a carapaças. No entanto seriam bastante rápidos para tartarugas.


A ordem Mesosauria também constituía parentes das tartarugas, mas talvez ficaria em dúvida se os visse.

Acreditem ou não este réptil, parecido com um crocodilo sem armadura, é um descendente dos antepassados das tartarugas. Vivia nos oceanos abertos do período Pérmico e Triásico.
Muitos acreditam que foram os primeiros répteis marinhos a surgirem!
Podiam nadar a 35 km/h normalmente e alimentavam-se de peixes e alforrecas. Talvez estes répteis conseguiram impedir o progresso dos primeiros anfíbios marinhos, como o Prionosuchus. Esse anfíbio tinha 9 metros de comprimento e nunca chegou a partilhar com a sua descendência uma geração de anfíbios marinhos. A partir da conquista reptiliana dos mares, os mesossauros nadaram pelos mares fora.
Infelizmente para os mesossauros, outros répteis já estavam a planear essa conquista. Assim, os mesossauros foram superados por répteis como os placodontes, os notossauros, as tartarugas-marinhas e os ictiossauros, que já vamos falar mais tarde.



A ordem Procolophonomorpha constituía répteis herbívoros com 4,5 metros de comprimento!

Esta paisagem seria algo parecida com o que veríamos se viajássemos até há 250 milhões de anos. Estes são os Scutosaurus. Tinham escamas duras na parte da frente para se protegerem de predadores como o Inostrancevia. Eu gosto de olhar para estas imagens pré-históricas e imaginar o que fariam. Poderiam estas ser fêmeas a vaguear pelo deserto (ou uma praia) para depositar os seus ovos em buracos na areia molhada. Talvez deviam pôr cerca de 40 ovos num só ninho.


A subclasse Diapsida é a mais antiga e diversificada e a primeira ordem foi a Araeoscelidia.

Há 310 milhões de anos, um anfíbio deixou de pôr ovos na água ou em sítios húmidos, mas em sítios secos em terra firme. Esses ovos tinham casca! Daí nasceram os primeiros de uma nova geração: os répteis. Os primeiros répteis surgiram num mundo em que 25 % da atmosfera estava coberta com oxigénio. Aí os insectos e artrópodes cresceram a tamanhos desde 1 mm até 1,8 metros e dominaram a Terra!
O primeiro réptil era o Hylonomus. Este também deu origem a outros como o Petrolacosaurus e o Westhlothiana. No fim do reinado dos artrópodes gigantes, estes pequenos répteis, parecidos com lagartos, deram origem a uma gama gigantesca de criaturas como os répteis-mamalianos, as tartarugas, os Scutosaurus, os répteis marinhos, os placodontes, as tuataras, os Champsosaurus, os aetossauros, os rincossauros, os dinossauros, etc.


A ordem Avicephala constitui répteis arborícolas do Pérmico e do Triásico.

Este desenho, pouco nítido, demonstra a variedade de répteis exóticos que viveram entre o Pérmico e o Triásico. Entre eles temos uma espécie de Avicephala conhecida como Coelurosauravus.
A única espécie a que se parece assemelhar hoje em dia é o lagarto-voador. Tal como este lagarto das florestas do Sudeste Asiático, o Coelurosauravus abria um leque de costelas com membranas de pele para planar de árvore em árvore. A razão seria movimentar-se mais depressa na floresta densa e escapar de predadores.
Mas talvez o mais extravagante, a que não tem animal semelhante ao que parece, é o Longisquama. Viveu há 240 milhões de anos no que é hoje o Quirguistão. Seria semelhante a um lagarto actual se não fosse uma coisa: um leque de longas escamas semelhantes às penas do pavão. Eu concordo com a opinião de vários paleontólogos: as escamas bizarras serviriam para atracção sexual. Esta é uma prova concreta para aqueles que procuram responder a origem das penas, algo que iremos debater depois.


A orem Younginiformes constitui outros répteis marinhos.

Este é o Tangasaurus. Tal como todos os da sua ordem vivia no mar para caçar peixes e camarões. Apesar de ter patas e não se saber ao certo o seu parente actual mais próximo, a sua estrutura parece ser muito semelhante à da serpente-marinha. Talvez serpenteava ao longo dos recifes de coral em busca de presas. Quem sabe poderia possuir veneno nos seus dentes para paralisar as presas.
No entanto, tal como as serpentes-marinhas, raramente usa o veneno para defesa. Os répteis marinhos como os notossauros e os ictiossauros conquistaram os mares e provavelmente o Tangasaurus e os seus parentes não tivessem sobrevivido à invasão dessa nova geração de sáurios pré-históricos.


A ordem Thalattosauria é talvez o grupo mais aparentado com os Younginiformes.

Esta ilustração demonstra a cabeça destes répteis marinhos. Teriam sem dúvida a capacidade para caçar peixes de surpresa graças ao seu pescoço flexível e ao seu focinho longo. A sua manobra de caça era semelhante à da cobra e à do crocodilo. O seu pescoço contorcia-se como a da serpente e disparava-o para arpoar a presa com os seus dentes caninos da frente, como o crocodilo.
Viveram no período Triásico e também foram superados pelos placodontes, notossauros e ictiossauros. Provavelmente punha ovos na praia, demasiado primitivo para um réptil que se adaptou a viver na água. Como os ovos não podem ser postos na água, a maioria dos outros répteis marinhos dava à luz crias vivas.


A infraclasse Ichthyosauria constitui répteis muito semelhantes a peixes.

Surgiram no período Triásico e extinguiram-se no Cretáceo. Os ictiossauros não podiam rastejar para terra e pôr ovos, de alguma maneira estes répteis tinham de dar à luz as suas crias. Alimentavam-se de peixes, camarões e polvos, apesar de os maiores serem capazes de caçar amonites e até répteis marinhos.
O maior era o Shonisaurus de há 220 milhões de anos com 20 metros de comprimento (a maioria dos ictiossauros era 10 vezes menor). Sem sombra de dúvida, o Shonisaurus era o maior réptil marinho que já existiu!
Deviam ser anti-sociais, tal como muitos lagartos hoje em dia.


A infraclasse Lepidosauromorpha com a superordem Sauropterygia constituía uma ordem primitiva de répteis marinhos: Placodontia.

Este é o Palatodonta. Assemelha-se muito a um lagarto marinho. O único lagarto actual que vive no mar é a iguana-marinha das Galápagos. Tal como ela o Palatodonta provavelmente iria mergulhar até 90 metros de profundidade para arrancar as algas nas rochas. Doutra maneira, o regime alimentar destes animais triásicos seriam crustáceos. Graças às suas escamas duras poderia-se proteger das mordidas e picadas dos caranguejos e lagostins.
Os parentes actuais mais próximos dos placodonte seriam os lagartos, as cobras, os licranços e as tuataras. Mas havia um placodonte que se assemelhava mais a uma tartaruga do que a um lagarto: o Cyamodus. O Cyamodus, e muitos mais outros, teriam uma carapaça denteada para se protegerem dos predadores como o ictiossauro Cymbospondylus de 9 metros.
Os placodontes deviam pôr ovos em terra.



A ordem Nothosauroidea era também um grupo de répteis que só viveu no período Triásico.

Este é o Nothosaurus, o mais conhecido de todos os répteis marinhos do Triásico (apesar de alguns não o conhecerem). Tinha um longo pescoço para apanhar as presas de surpresa por entre os cardumes de peixe, tal como as actuais serpentes-marinhas. Vinham constantemente a terra apanhar banhos de sol, como as iguanas-marinhas, e, ocasionalmente, haviam lutas épicas entre machos, semelhantes às praticadas pelo dragão-de-komodo.
No final do Triásico esses répteis extinguiram-se e, mais tarde, os plessiossauros iriam retomar o seu lugar. Na realidade é desses répteis que vamos falar já a seguir...


A ordem Plesiosauria tornou-se o mais diversificado grupo de répteis marinhos.

Este é o Rhomaleosaurus. Foi um dos primeiros Plesiosauria e viveu no início do Jurássico.
Os Plesiosauria surgiram há 200 milhões de anos e extinguiram-se há 65 milhões de anos, com os dinossauros. Dividem-se em 2 grupos: os plessiossauros e os pliossauros.
Os plessiossauros tinham um longo pescoço para caçar peixes. O Elasmosaurus tinha um enorme pescoço com 72 vértebras (hoje em dia os cisnes têm o maior número de vértebras no pescoço, mas não era nada comparado com ele).
Os pliossauros constituíam répteis carnívoros com cabeças massivas e pescoço mais curto. Incluía o Rhomaleosaurus, o Liopleurodon e o Kronosaurus.
Pensa-se que o monstro do Loch Ness é um plessiossauro que sobreviveu à extinção do Cretáceo e ainda sobrevive hoje em dia.


A superordem Lepidosauria constitui uma ordem que só constitui 2 espécies existentes hoje em dia: Sphenodontida.

Imagine que está a andar numa floresta exótica da Nova Zelândia. Sente que poderá aparecer uma criatura pré-histórica por entre os fetos arbóreos. E lá aparece: a tuatara. Viveu desde há 100 milhões de anos, mas parece que os seus dias já estão contados. Depois da introdução dos gatos e furões na Nova Zelândia este réptil está ameaçado. Mas de resto não tem predadores e pode viver 100 anos!!!
As tuataras passam muitos dias quietas no solo da floresta. Mas quando acordam podem mover-se depressa. Caçam wetas (grilos enormes, como o que aparece na imagem), minhocas, ovos de aves, crias de aves e mesmo bebés de tuatara.


Aqui temos a mais diversificada de todas as ordens actuais de répteis: Squamata.

Este animal não existe cá em Portugal, mas tenho a certeza que podem dizer o que é: um lagarto. Este lagarto pertence ao género Lygosoma.
A ordem Squamata constitui várias espécies de répteis, incluindo os lagartos, as cobras e os licranços.
Os lagartos são os mais diversificados, variando desde as osgas e lagartixas até às iguanas e varanos e do poderoso dragão-de-komodo venenoso até ao bizarro camaleão com olhos independentes, língua comprida e capacidade de mudar de cor.
As cobras e serpentes não têm membros, mas não são os únicos répteis assim: as cobras-de-vidro (lagartos) e os licranços. Movem-se rapidamente e têm variadas tácticas de defesa e de caça. Existem 3400 espécies e só 500 são venenosas. Dessas só existem 250 capazes de matar o homem.
Os licranços existem nos trópicos e na Península Ibérica. São amfisbenídeos, em vez de cobras ou lagartos. São maioritariamente cegos, mas existe uma espécie asiática sem qualquer olho!


A infraclasse Arcosauromorpha constitui uma ordem extinta chamada de Prolacertiformes.

A infraclasse Arcosauromorpha constituía animais muito conhecidos como os crocodilos, pterossauros e dinossauros. Mas este animal parece-se com poucos desses. Do período Triásico, o Tanystropheus nadava e caçava peixes de emboscada. Provavelmente vinha para terra desovar, mas, ao contrário de muitos outros répteis, estaria a guardá-los! Comportamento muito semelhante é visto em crocodilos, os seus parentes actuais mais próximos.
O mais bizarro era o Sharovipteryx. Este prolacertiforme voava ou planava como um pterossauro, mas as suas asas eram as patas traseiras. Este réptil é o equivalente a um pterossauro, mas com os membros trocados!!! Acredita-se que o Sharovipteryx era o antepassado dos pterossauros.


A ordem Choristodera pertence a um grupo de répteis que sobreviveu à extinção dos dinossauros.

Este é o Champsosaurus. Viveu há 50 milhões de anos e assemelha-se muito a um crocodilo, mas o facto é que é mais parente dos Tanystropheus.
Os Choristodera surgiram há 180 milhões de anos, no Jurássico, sobreviveram à extinção dos dinossauros e só foram superados pelos lagartos e crocodilos há 20 milhões de anos no momento em que os mamíferos reinavam durante o Mioceno. Durante esse tempo variaram em tamanho e formas.
O Hyphalosaurus era um Choristodera marinho que arranjou uma maneira de nadar entre os evoluídos plessiossauros e pliossauros do Cretácico. No entanto, foi extinto pela competição desses répteis marinhos.


Ainda havia outra ordem de répteis do Triásico chamadas de Trilophosauria.

Este é o Teraterpeton. É um bizarro Trilophosauria com um focinho semelhante a um bico. O mais provável é que fosse usado para espetar nos peixes como os actuais íbis, garças e anhingas. Tal como as aves e os crocodilos, este réptil punha os ovos e tratava deles, provavelmente.


Agora vamos mostrar a divisão Archosauria, a subdivisão Crurotarsi, com a superordem Crocodylomorpha que tem a ordem Crocodylia.

Não é preciso ser cientista para perceber o que é que a ordem Crocodylia constitui. A imagem demonstra as 3 famílias existentes de crocodilianos: a Gavialidae (gaviais [em cima]), a Crocodylidae (crocodilos [no meio]) e a Alligatoridae (aligátores e caimões [em baixo]).
Os crocodilianos surgiram há 85 milhões de anos e evoluíram a partir de répteis primitivos muito aparentados com estes como, por exemplo, o Junggarsuchus, o Methriorhynchus e o Sarcosuchus.
Hoje em dia, existem 23 espécies na América, África, Ásia e Oceânia. Na Oceânia temos o maior: o crocodilo-poroso com 7 metros! Esse é o mais perigoso de todos os crocodilos.
Ainda há o crocodilo-de-água-doce que pode correr e saltar como uma lebre e à mesma velocidade!
Outro é o aligátor-da-China que está incrivelmente ameaçado, mas tem uma relação relativamente dócil com os humanos. Na China, os aligátores são frequentemente alimentados e tratados pelos humanos, enquanto os caçadores caçam-nos pela sua pele e couro.
Havia um aligátor pré-histórico com cerca de 15 metros de comprimento chamado Deinosuchus. Sem dúvida, seria um caçador de dinossauros.


Ainda existe uma ordem de herbívoros triásicos chamados de aetossauros (Aetosauria).

Este é o Stagonolepis. Estes répteis alimentavam-se de plantas e regularmente de pequenos répteis e insectos atacando-os na água. Muitos aetossauros tinham espinhos laterais para se protegerem dos ataques de dinossauros maiores e de outros arcossauros, mas este não.
O Stagonolepis era sem dúvida um aquático, vendo a partir das suas pernas curtas, mas um corpo longo e achatado para flutuar. Havia talvez uma grande hierarquia entre os machos, sendo que os mais velhos tomavam conta do seu espaço de água e lama, tal como grandes machos de crocodilo.



No grupo dos arcossauros temos também a ordem Phytosauria.

Os Phytosauria assemelham-se muito a crocodilianos, mas têm menos haver do que podem pensar.
Na realidade, os seus parentes mais próximos hoje em dia são os crocodilianos. Tal como estes, deviam caçar peixes e grandes répteis. Existem várias espécies, como o Belodon. Este último tinha um focinho curvo para a frente e provavelmente, seria usado para arpoar as presas.
Apesar de não pertencerem ao grupo dos crocodilos, assemelham-se muito a eles.



Antes de os dinossauros se tornarem os predadores de topo, havia um grupo de assassinos que emboscava no Triásico: os Rauisuchia.

Este é o Decuriasuchus, do Brasil. Tal como todos os Rauisuchia, era carnívoro e caçava as presas de emboscada, talvez na água. Provavelmente, caso a caça fosse um fracasso, podia perseguir a presa em terra. Haviam vários outros Rauisuchia, como o famoso Postosuchus (da América do Norte) e o icónico Saurosuchus (da América do Sul, incluindo o Brasil) que aparece no primeiro episódio do "Dinosaur Revolution".


Tal como os aetossauros, os Rhynchosauria eram herbívoros.

Obviamente, a partir desta imagem, podemos saber qual é o predador e qual é a presa.
Estes herbívoros podem não se parecer com qualquer animal de hoje em dia, a não ser que conhecem vários animais estranhos e exóticos. Eu vejo uma semelhança extrema com um animal africano conhecido como rato-toupeiro-pelado. Esse roedor é o único mamífero com sangue frio, tal como este réptil pré-histórico. Imagino que durante a estação seca vinham montes destes répteis em grutas que antes estavam submersas. Estivavam durante a estação inteira sem comer, beber ou ir à casa de banho!
Quando voltava a estação húmida podiam sair para retomar a comerem as plantas, insectos e pequenos répteis que abundavam no seu habitat.
Ao contrário do roedor, seria bastante territorial tal como os crocodilos e aligátores, os seus parentes mais próximos.



Na subdivisão Avemetatarsalia temos a infraordem Ornithodira com a ordem Pterosauria.

Não os pterossauros não são dinossauros. Surgiram há 220 milhões de anos no período Triásico, sendo os primeiros vertebrados a voar, conquistando os céus, antes dominado pelos insectos. Os primeiros eram semelhantes a este Preondactylus. Os pterossauros viviam em colónias enormes ou podiam ser solitários ou viviam em pares. Alimentavam-se de insectos, peixes, répteis e frutos.
Os mais pequenos tinham o tamanho de um pardal, mas os maiores tornaram uma avioneta num brinquedo! Um dos maiores é o Quetzalcoathlus, com 12 metros de envergadura! Infelizmente, foi um dos últimos, tendo sido superado pelas aves até ser extinto de vez com os dinossauros. Os mais bizarros são tantos. O Nyctosaurus tinha uma longa crista para atracção sexual e não tinha garras nas asas. O Ornitocheirus tinha 2 cristas na ponta do bico, semelhante à do pelicano-branco-americano. O Tapejara tinha um bico de papagaio (usado para apanhar mais do que 1 peixe) e uma crista longa. O Pterodaustro tinha 1000 dentes semelhantes às barbas das baleias e filtrava camarões como os flamingos. O Rhamphorynchus tinha um bico coberto com dentes afiados para prender a presa.


Agora temos a superordem Dinosauria com a ordem Saurischia.

A ordem Saurischia é a mais icónica ordem dos dinossauros. Os dinossauros podem vir desde o tamanho de um pardal até tão grandes como uma baleia-azul e meia! Os dinossauros dividem-se em 2 ordens, a Saurischia e Ornitischia, distinguindo-se facilmente pela forma da pélvis. A pélvis dos Saurichia é assim. O vermelho representa o ílio, o castanho representa os ísquio e o rosa o púbis.
Os Saurichia são os mais diversificados e os que pensamos logo à primeira quando ouvimos a palavra "dinossauro". São representados nesta ordem os poderosos predadores que aterrorizaram a Terra durante 135 milhões de anos como o Tyrannosaurus e o Velociraptor. Estes dois caçavam usando os seus dentes e garras para paralisar e matar a presa rápido. Outros grandes predadores eram o Torvosaurus (existente em Portugal) e o Spinosaurus, este último com uma enorme vela semelhante à do Dimetrodon e com um focinho de crocodilo. A enorme vela servia para fazer sombra que atraia os peixes e que mais tarde ia ser usado o seu focinho para apanhar a presa. Mas haviam também animais menos aterrorizadores como o Ornithomimus semelhante a uma avestruz e o Therizinosaurus com longas garras que talvez não teriam utilidade.
Ainda haviam os poderosos saurópodes, com pescoço comprido, como o Brachiosaurus e o Amphicoelias, este com 45 metros!


Agora vamos à ordem de dinossauros chamada Ornithischia.

Esta é a pélvis dos Ornitischia com o ílio (em cima), o ísquio (à direita) e o púbis (à esquerda).
Nesta ordem constituem animais herbívoros ou omnívoros. Constitui, por exemplo, o poderoso Ankylosaurus com uma armadura que podia mesmo cobrir as pálpebras! Ainda tinha uma moca na cauda, como se não fosse suficiente, mas a barriga estava desprotegida. Ainda há o Stegosaurus que tinha placas dorsais enormes para exibição e uma cauda com 4 espigões de meio metro. E o Triceratops com uma enorme crista e 3 chifres ameaçadores. Havia também o Heterodontosaurus com dentes caninos para lutar contra os rivais e cortar plantas e carne de pequenos animais. O Pachycephalosaurus tinha um crânio espesso que podia suportar as quedas enormes que estes gigantes podiam sofrer. O Iguanodon tinha uma garra enorme no polegar que lhe era incrivelmente útil para segurar nas plantas. O Parasaurolophus tinha uma enorme crista em forma de trompete que servia para amplificar os sons, tal como os calaus de hoje. O Shantungosaurus era o maior com cerca de 15 metros de comprimento.


E agora uma outra "raça" de répteis: a classe Aves.

As aves também não parecem lagartos, cobras e crocodilos, mas muitos cientistas acreditam que as aves serão os descendentes de uma geração de répteis com penas o que ainda continua a ser um enorme mistério para a ciência de como e quando as penas surgiram. As provas de que as aves evoluíram dos répteis estão nas suas patas que se parecem muito com as dos dinossauros, os seus antepassados.
E mesmo nós apresentamos evidências, na zona superior das nossas mãos podemos ver pequeninos losangos percursores das escamas dos cinodontes, outros répteis extintos nossos antepassados.
Muitos paleontólogos consideram que as aves são dinossauros!


Curiosidades sobre répteis:

Sabiam que existem crocodilianos que usam ferramentas? O aligátor-americano foi encontrado a usar paus para atrair as presas como peixes e aves!!!

Os crocodilos são os parentes mais próximos das aves! Análises nas células da pele dos crocodilos demonstram que os seus antepassados tinham penas, por isso, talvez, a questão deve ser não como as aves tiveram penas, mas como os crocodilos as perderam!

Os crocodilos têm mais uma curiosidade! Sabiam que estes répteis têm uma dieta equilibrada, podendo comer de vez em quando alguns frutos carnudos!!!

Os mosassauros são répteis marinhos com cerca de 19 metros de comprimento! Podem-se assemelhar muito a pliossauros, mas são de facto descendentes dos antepassados das cobras!



Paleontólogos sugerem que as aves são um auténtico acidente evolutivo, quando as escamas dos répteis manteve uma alteração genética que lhes permitiu evoluir penas.



Existem mais de 700 espécies de répteis no Brasil, constituindo iguanas, jibóias, licranços, tartarugas e caimões.



A cobra-voadora é uma serpente invulgar, pois comprime as costelas de modo a poder planar de árvore em árvore.

A tartaruga-de-Pinta era uma tartaruga das Galápagos que foi extinta recentemente. Só restava um macho velho que foi mantido em cativeiro. Para quem encontrasse uma fêmea de tartaruga-de-Pinta, ganharia 10 000 dólares! Mas parece que, com a morte recente do macho, seja tarde demais para quem encontrou alguma...



10 dinossauros especiais:

  • 10 - O Eoraptor, na imagem, era um predador de 1 metro que viveu há 230 milhões de anos. Pertence aos dinossauros mais antigos do Mundo.


  • 9 - O Microraptor tinha 4 asas com penas para planar. Análises aos melanossomas (células existentes nas penas) fossilizados num esqueleto de Microraptor demonstram que seria preto.


  • 8 - O Anchiornis tinha também 4 asas, mas as asas inferiores tinham penas menores. É famoso por ser o primeiro dinossauro a saber-se a cor: preto, com asas negras providas de listas brancas e uma crista vermelha, semelhante ao galo-da-rocha.
  • 7 - O Sinosauropteryx era outro dinossauro a que se sabe a cor. Era laranja com cauda às riscas brancas.
  • 6 - O Epidendrosaurus também tinha penas e apresentava um longo dedo para retirar os insectos das árvores ou mesmo o usando para escavar os troncos e fazer buracos para se abrigar.

  • 5 - O Therizinosaurus era um dos mais bizarros de todos os dinossauros, com enormes garras que antes se pensava serem para defesa, mas hoje pensa-se que seria para intimidar adversários, atrair fêmeas ou só estariam escondidas debaixo da plumagem.
  •  4 - O Epidexipteryx tinha longas 4 penas na cauda semelhantes à do pavão as mais antigas penas já descobertas.
  • 3 - O Oviraptor tinha um bico bizarro e pensa-se que podia comer quase de tudo, desde plantas e frutos a ovos e dinossauros.
  • 2 - O Miragaia era um dinossauro nativo de Portugal. Assemelhava-se com um Stegosaurus, mas tinha um pescoço comprido, um espinho em cada ombro e um número incontável de espinhos a descer desde os ombros até à ponta da cauda.
  • 1 - O Velociraptor era um dinossauro que conviveu com o Oviraptor, com uma ameaçadora garra enorme e curva em cada pé. Pensa-se que era usada para prender as presas como as patas de uma águia, falcão ou mocho.

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