domingo, 15 de dezembro de 2013

Aves

As aves vivem em todos os continentes, tem uma alimentação variada e adaptações impressionantes. São 9900 espécies sendo os mais numerosos de todos os vertebrados terrestres.

Existem 27 ordens vivas de aves:

  • Archaeornithes
  • Archaeopterygiformes (arqueoptérix)
  • Confuciusornithiformes
  • Neornithes
  • Paleognathae
  • Apterygiformes (quivi)
  • Dinornithiformes (moa)
  • Casuariiformes (casuar)
  • Aepyornithiformes (ave-elefante)
  • Struthioniformes (avestruz)
  • Rheiformes (nandu)
  • Tinamiformes (macuco, inhambu)
  • Neognathae
  • Sphenisciformes (pinguim)
  • Gaviiformes (mobelha)
  • Podicipediformes (mergulhão)
  • Procellariiformes (albatroz, petrel)
  • Pelecaniformes (pelicano, ganso-patola, corvo-marinho, rabo-de-palha)
  • Ciconiiformes (cegonha, garça, urubu, íbis)
  • Anseriformes (pato, ganso, cisne)
  • Falconiformes (águia, gavião, falcão)
  • Galliformes (galo, peru, faisão, perdiz, pavão, araçuã, jacu, mutum)
  • Gruiformes (grou, saracura, jacamim, seriema)
  • Charadriiformes (batuíra, maçarico, gaivota, jaçanã)
  • Columbiformes (pombo, dodô)
  • Psittaciformes (papagaio, arara, periquito, cacatua)
  • Cuculiformes (cuco, anu)
  • Strigiformes (coruja)
  • Caprimulgiformes (noitibó, urutau)
  • Apodiformes (andorinhão, colibri)
  • Coliiformes (rabo-de-junco)
  • Trogoniformes (surucuá)
  • Coraciiformes (guarda-rios, rolieiro)
  • Piciformes (pica-pau, tucano)
  • Passeriformes (pássaro)



A subclasse extinta Archaeornithes constitui a ordem Archaeopterygiformes e um exemplo é o arqueoptérix.

Esta é a primeira ave. Há 150 milhões de anos, na Alemanha, o Archaeopteryx lithographica vivia numa ilha isolada onde usava as suas garras nas asas para trepar. Tinha dentes de carnívoro para comer insectos e outros pequenos animais.
O seu modo de locomoção ainda é desconhecido, mas muitos alegam que o arqueoptérix planava de árvore em árvore com as suas asas e a cauda óssea e longa com longas penas como um leme. Há quem diga que, apesar das suas asas serem desenvolvidas, ainda não voava.
O arqueoptérix também vivia em Portugal.




A ordem Confuciusornithiformes foi extinta há 65 milhões de anos na extinção K-T.

Na Ásia vivia uma variedade de dinossauros com penas e muitos desses deviam se assemelhar aos antepassados das primeiras aves (também dinossauros). Entre eles haviam um grupo de aves primitivas do Cretácico. Este é o Zhongjianornis que teria uma plumagem brilhante.
Os mais impressionantes deviam ser o Confuciusornis e o Eoconfuciusornis. Foram descobertos fósseis de Confuciusornis em que havia um com longas rectrizes (penas da cauda) e outros com penas da cauda mais curtas.
O Eoconfuciosornis tinha longas rectrizes para poder se equilibrar.
Eles eram insectívoros ou omnívoros. Aves actuais que têm longas rectrizes são o pato-de-cauda-afilada, o quetzal e a ave-lira assim como outros.
Extinguiram-se na extinção K-T quando o asteróide extinguiu quase todos os dinossauros não avianos há 65 milhões de anos.



A subclasse Neornithes tem a superordem Paleognathae, aí há a ordem Apterygiformes que só constitui as 5 espécies de quivis.

A ave quivi é natural da Nova Zelândia. Não consegue voar pois tem asas demasiado atrofiadas.
As suas penas parecem pêlos e o seu longo bico tem narinas na ponta para cheirar as suas presas (minhocas e larvas)! É a ave com melhor olfato!
Na época de reprodução os machos atraem as fêmeas com um som caraterístico: kiii - wiii, kiii - wiii. Quando os maori chegaram à Nova Zelândia deram ao quivi este nome por causa da sua vocalização.
O quivi põe o maior ovo em relação ao seu próprio corpo e precisa protege-lo dos predadores introduzidos (ratos, furões e gatos).


A ordem extinta dos Dinornithiformes constitui as moas.

A moa era a maior ave do Mundo. Vivia na Nova Zelândia onde se alimentava de plantas. Existiam 11 espécies de diferentes tamanhos. Esta ave não voadora assemelhava-se a uma avestruz e era mais parente desta do que do seu parente ainda vivo: o quivi.
A moa era tão grande que só podia ser morta se estivesse ferida, debilitada ou ainda muito jovem. O seu predador era a águia-de-haast que tinha garras tão longas como as de um tigre e que perfuravam a pele espessa da moa. Esta águia era a maior de todas. Com o isolamento da Nova Zelândia, as aves evoluíram para dominarem.
Mas tudo mudou por volta do século XII. Quando os polinésios chegaram à Nova Zelândia evoluíram para uma nova nação: os maori. Estes, como tinham pouca prática em pecuária e agricultura, começaram a caçar as moas com gordura e carne que dava para alimentar a tribo durante muito tempo. Quando os europeus chegaram à Nova Zelândia as moas já só continham alguns exemplares. Por momentos os europeus consideraram a moa como um animal mítico das tribos. Mas foi comprovada a existência delas a partir de provas com as tribos e de fósseis encontrados nas ilhas.


A ordem Casuariiformes constitui o casuar.

Outra ave não voadora do continente Oceânia. O casuar vive na Austrália e na Papua Nova-Guiné.
Existem 3 espécies de casuares que são diferentes a partir do número de pedúnculos. O da imagem é o casuar-comum com 2 pedúnculos. O casuar-de-pescoço-amarelo tem 1 pedúnculo. O casuar-de-bennett não tem nenhum pedúnculo.
O casuar-comum é o mais perigoso. A maior parte dos ataques de casuares têm a ver com pessoas que os alimentam. No entanto só houve um caso mortal de ataques de casuar. O casuar mata por causa das suas longas garras nas patas que podem ser tão afiadas como navalhas.
Alimenta-se de frutos e insectos e só raramente come carne.
Curiosamente é o macho que trata das crias e dos ovos, tal como o quivi.


Na ordem Aepyornithiformes temos a extinta ave-elefante.

Esta é uma reconstituição da ave-elefante. Era uma ave muito impressionante e também era uma das maiores do mundo. Também não voava.
Esta ave vegetariana era nativa de Madagáscar. Esta vivia em matas tropicais onde partilhava o seu habitat e a sua alimentação com um animal que ainda hoje vive: o lémur sifaca.
Este animal deve ter sido extinto quando Madagáscar foi colonizado e as pessoas tiveram de cortar árvores para viverem. A desflorestação levou a que as áreas de nidificação da ave-elefante desaparecessem e esta fosse extinta.
Um recorde da ave-elefante é o de pôr os maiores ovos de toda a história. Um ovo teria o tamanho de uma abóbora enquanto que o de um dinossauro teria no máximo o tamanho de uma bola de basquetebol.




A ordem Struthioniformes tem a avestruz.

Na ordem Struthioniformes temos só uma espécie, mas muitos autores dizem que todos os Paleognathae (excepto os Tinamiformes) fazem parte desta ordem.
A avestruz é a maior ave viva do Mundo. Esta também põe o maior ovo do nosso tempo que é o mais pequeno em relação ao seu próprio corpo no mundo das aves actuais. Esta também é a mais rápida das aves que correm.
É omnívora e faz muita coisa para proteger os seus filhotes. Tem 2 dedos almofadados nas patas que lhe dá o título de uma das aves mais perigosas do mundo por causa do seu veloz pontapé.


Na ordem Rheiformes temos o nandu.

O nandu é outra ave não voadora, mas esta vive na América do Sul. Possui três dedos tal como a ema e o casuar. Vivem em grupos onde se defendem dos predadores como lobos-guará, pumas e jaguares.
Olhando bem para as penas do corpo e das asas, podemos ver que contêm muitas semelhanças com as aves voadoras. O parente mais próximo do nandu que tem estas penas é o inhambu. Provavelmente o nandu evoluiu a partir de um inhambu que se adaptou às pradarias desta forma!
Os nandus eram muito mais abundantes, mas hoje só persistem em pampas sul-americanas.
Só existem 2 espécies de nandus: o nandu e o nandu-de-darwin. Este último foi classificado e descoberto por Charles Darwin durante a sua expedição à Patagónia.


Na ordem Tinamiformes temos o macuco.

O macuco é um inhambu que vive na América do Sul. É um omnívoro, comendo insectos, sementes, folhas e frutos ou até rãs e pequenos mamíferos.
Na época de reprodução, os macucos cantam uma canção melodiosa, trémula e prolongada. A fêmea é maior e mais pesada que o macho e é esta que faz a parada nupcial.
O macho choca os ovos postos pela fêmea que são verde-azulados.
É por muitos cozinheiros uma iguaria na carne das aves e os caçadores costumam caçá-lo para venda da carne.



O inhambu é uma ave americana.

Este é o inhambu-chororó. É uma fêmea porque tem o bico vermelho-carmim vivo, enquanto que o macho é mais escurecido na ponta do bico.
Os inhambus pertencem a uma ordem de 48 espécies. O macuco está entre elas.
Não voam por que não têm a quilha que o ajuda a voar. Ao grupo de aves sem quilha chamamos ratites. Os inhambus são mais parentes das avestruzes, casuares e nandus do que as galinhas. Estas aves devem se assemelhar aos antepassados dos quivis, casuares, emas, avestruzes e nandus.



A superordem Neognathae constitui a ordem Sphenisciformes que são os pinguins.

Os Neognathae são as aves carenadas, ou com quilha. A quilha suporta os músculos das asas o que lhes permite voar.
Mas a ordem Sphenisciformes (pinguins) é a única ordem de aves carenadas em que nenhuma espécie sabe voar.
Vivem no hemisfério Sul. O pinguim-imperador, da imagem, é o maior e o único que se reproduz no inverno antárctico. O pinguim-das-galápagos é o único que nidifica nos trópicos. O pinguim-africano é o único que nidifica em África. O pinguim-das-fiordland chega a caminhar nas selvas remotas da Nova Zelândia!


Na ordem Gaviiformes temos as mobelhas.

Esta é a mobelha-grande. Vive na Europa, Norte de Ásia, América do Norte e, raramente, no Norte de África.
As mobelhas pertencem a 5 espécies distintas. São todas comedoras de peixe, mergulhando até 81 metros de profundidade (recorde entre as aves de água doce). Têm as patas muito para trás permitindo a de mergulhar bem, mas não é boa a andar em terra. Nidifica em terra.
A mobelha-grande é um invernante raro em Portugal tal como a mobelha-pequena.



Na ordem Podicipediformes temos os mergulhões.

São muito semelhantes às mobelhas. Há, no entanto, algumas provas de semelhança genética entre os mergulhões e os flamingos.
Alimenta-se de peixes e crustáceos. Faz o ninho numa massa flutuante de ervas, penas e plantas aquáticas.
Em Portugal temos o mergulhão-pequeno e o cagarraz. Também há o mergulhão-de-crista que atrai as fêmeas com uma dança aos pares. Correm lado a lado pela superfície da água.



A ordem Procellariiformes constitui as aves pelágicas, entre elas os albatrozes.

O albatroz-errante, na imagem, ganhou o recorde da ave com maior envergadura, cerca de 3,5 metros.
Os albatrozes vivem nos oceanos do hemisfério Sul, no Pacífico Norte e zonas tropicais do Atlântico Norte. Existem acidentais genuínos no Atlântico Norte temperado. Em Portugal é registado o albatroz-errante e o albatroz-de-sobrancelha.
Estas aves marinhas podem planar durante longos 2 anos até chegarem à sua terra natal onde vão se reproduzir e depois chocar o seu único ovo.
O albatroz-das-galápagos só se reproduz na ilha Hispaniola das Galápagos. A explicação ainda continua um mistério.


Os petréis pertencem ao resto das aves pelágicas.

Esta é a freira-do-havai. O grupo das freiras pertence à família Procellariidae. As freiras de Portugal são a freira-do-bugio e a freira-da-madeira. O pombalete pertence à mesma família e defende-se dos predadores com um vomitado oleoso, malcheiroso e cor de laranja. O petrel-gigante-antárctico come carcaças de focas.
Na família Hydrobatidae temos os painhos como o roque-de-castro, o painho-de-swinhoe e o painho-do-monteiro.
Na família Pelecanoididae temos os petréis-mergulhadores que evoluíram de forma semelhante aos alcídeos (airos, tordas e papagaios-do-mar).


Na ordem Pelecaniformes temos a espécie que lhe dá o nome: o pelicano.

O pelicano pertence à família Pelcanidae, que constitui 8 espécies diferentes.
O pelicano-branco e o pelicano-crespo são os únicos nativos da Europa. O pelicano-branco é por vezes registado em Portugal devido a fugas de cativeiro.
O pelicano-cinzento é nativo de África. O pelicano-branco-americano e o pelicano-pardo vivem na América do Norte.
É na Austrália onde vive o pelicano-australiano que tem o bico mais longo de todas as aves. Têm a capacidade de caçar em grupo. Um bando de pelicanos abrem os bicos e encurralam os peixes que ficam presos nas suas bolsas de pele.


O ganso-patola pertence à família Sulidae.

Este é o ganso-patola. Existem várias espécies, mas esta é a única nativa de Portugal.
Os gansos-patola voam durante longos períodos no mar onde procuram peixes, lulas e crustáceos para se alimentarem. Para os caçar propulsiona-se em voo picado a cerca de 144 km/h! Cai na água de cabeça a partir de uma altitude muito elevada (10/40 metros). Consegue sobreviver ao impacto graças a um crânio super-resistente e a airbags na cabeça e corpo.
Outra espécie é o ganso-patola-de-patas-azuis das Galápagos que atrai as fêmeas com uma dança, constantemente mostrando as suas patas azul vivo.


O corvo-marinho pertence à família Phalacrocoracidae.

O corvo-marinho, da imagem, é uma espécie típica de Portugal. Outra espécie é a galheta, mais pequena com reflexos esverdeados na época de reprodução assim como uma crista no topo da cabeça.
Na China, usavam corvos-marinhos para a caça de peixes. Estes são mergulhadores exímios, mas as suas penas não são impermeáveis. Para as secar tem de abrir as asas ao Sol.
O corvo-marinho-áptero é o único que não voa e vive nas Galápagos.



O rabo-de-palha pertence à família Phaethontidae.

Este é o rabo-de-palha-de-bico-vermelho. Existem acidentais genuínos desta espécie em Portugal.
É por muitos aceite na sua própria ordem: Phaethontiformes. Mas alguns ainda o põem na ordem tradicional: Pelecaniformes.
Alimentam-se de peixes, lulas e crustáceos que guardam no papo para satisfazer as suas crias. São alvo das fragatas, parentes dos corvos-marinhos, que obrigam os rabos-de-palha a vomitarem o seu alimento para a fragata comer o vómito.



Na ordem Ciconiiformes temos a cegonha.

Esta é a cegonha-branca. É uma migradora que vem de África para à Europa no Verão. Comunica através do bater dos maxilares. É muito comum em Portugal.
Outra espécie portuguesa é a cegonha-preta que é pouco comum vê-la.
Outras espécies de cegonhas são o marabu e a cegonha-de-bico-aberto-asiática. O marabu é a maior de todas, vive em África e é uma necrófaga. A cegonha-de-bico-aberto-asiática assemelha-se à cegonha-branca, mas o bico não consegue se fechar porque cada um dos maxilares é curvo.


As garças pertencem à família Ardeidae.

A garça-branca-grande, da imagem, é rara em Portugal. Já foi considerada do género Egretta (garça-branca) e do seu próprio género (Casmerodius). Hoje é considerada do género Ardea (garça-real e garça-vermelha).
A garça-branca-grande, a garça-branca, a garça-real e a garça-vermelha são habitantes portugueses. Usam o seu longo bico para caçar peixes, propulsionando o seu pescoço como uma seta. Ainda há o carraceiro, o papa-ratos, o abetouro, o garçote-comum e o goraz, este último é nocturno.



O urubu pertence à família Cathartidae.

O urubu, ou condor, é tradicionalmente classificado na ordem Falconiformes. Mas têm grandes semelhanças com as aves da ordem Ciconiiformes, o que levou a muitos classificarem o urubu como sendo da ordem dos abetouros, carraceiros, garças, íbis, garçotes, socós, socoís e flamingos.
O urubu-de-cabeça-vermelha costuma ser um necrófago, comendo carcaças de mamíferos marinhos ou restos de lixo. O condor-dos-andes é a maior ave de rapina com cerca de 3,25 metros de envergadura. O condor-da-califórnia é o mais ameaçado, só restam 80 exemplares em liberdade.




Os íbis pertencem à família Threskiornithidae.

O íbis-escarlate, na imagem, vive nas florestas tropicais e pântanos da América do Norte. Usa o seu bico para apanhar larvas e insectos do lodo aquático.
O íbis-preto é uma espécie pouco comum em Portugal.
O íbis-sagrado é uma espécie africana que, no Antigo Egipto, era considerado um animal importante e que até inspirou a formação de um deus egípcio.
O íbis-de-crista-do-japão é o mais ameaçado porque o seu habitat foi praticamente destruído. Foram tomadas medidas para proteger esta espécie.



Na ordem Anseriformes temos os patos.

Os patos são uma grande variedade de aves da família Anatidae. O pato real, na imagem, é o mais comum em Portugal. Outros patos de superfície portugueses são a frisada, o arrábio, o pato-escuro-americano, a piadeira, a marrequinha, o marreco e o pato-colhereiro. Este último tem um bico em forma de colher. Nos patos mergulhadores portugueses temos o zarro, o pato-de-bico-vermelho, a pêrra, o negrelho, a negrinha, a negrola e o merganso-de-poupa.
Todos eles alimentam-se de larvas, insectos, plantas aquáticas e ervas. Os mergansos têm um bico longo e serrilhado para caçar peixe. Os patos-da-Geórgia podem alimentar-se de carcaças de mamíferos marinhos.


O ganso é outro representante da família Anatidae.

Este é o ganso-doméstico, um descendente do ganso-das-neves. O ganso-das-neves é muito defensor dos seus ninhos e território, o que dá ao ganso-doméstico um comportamento agressivo...!
O ganso-bravo, o ganso-de-faces-pretas e a tadorna são os gansos portugueses mais comuns.
Os gansos variam em formas, tamanhos e capacidades. O ganso-do-canadá, originário da América do Norte, é um migrador bem sucedido. O ganso-do-egipto assemelha-se mais a um pato devido ao seu pescoço demasiado curto, mas, tal como os outros gansos, está muito habituado à terra seca. O ganso-de-cabeça-listada é originário dos Himalaias. Diz-se que é a ave que voa mais alto, depois do grifo-pedrês. Os primeiros alpinistas que chegaram ao topo do Monte Evereste avistaram estes gansos a voar por cima das suas cabeças.
Os gansos são mais herbívoros que os patos.



Os cisnes pertencem ao género Cygnus.

Não existe nenhuma espécie de cisne nativa de Portugal. O cisne-bravo, na imagem, é um acidental genuíno em Portugal.
Outros acidentais portugueses de cisnes são de cisne-mudo e cisne-pequeno. O cisne-mudo pode ser perigoso, pois é muito defensor do território e das crias.
O cisne-negro é originário da Austrália, mas há registos de fugas de cativeiro em Portugal. Este é muito mais meigo que os cisnes europeus.
Uma curiosidade sobre cisnes: o cisne-mudo não é mudo. É comum um "heeorrr" e, na época de acasalamento, um macho solitário emite um "ga-oh". Os juvenis emitem um "bui-bui-bui-...".


Na ordem Falconiformes temos a ave mais emblemática: a águia.

A águia-de-cabeça-branca, na imagem, é uma pescadora exímia. Usam o seu bico largo para rasgar a carne de peixe. As garras são usadas para suportar o peixe. A harpia, da América do Sul, caça macacos e preguiças. A águia-pesqueira-africana luta contra os rivais agarrando-se com as patas e fazendo piruetas no ar. A águia-marcial é uma caçadora corajosa da savana africana.
Em Portugal temos a águia-pesqueira, a águia-imperial, a águia-cobreira, a águia-calçada, a águia-de-bonnelli, a águia-de-asa-redonda e a águia-real. Esta última é habitante da América do Norte, Norte e Centro de Ásia, Europa e Norte de África e está dotada de visão muito avançada que lhe permite detectar uma lebre branca no meio da neve.


O gavião pertence à família Acciptridae.

Os gaviões pertencem à mesma família das águias e dos abutres (a águia-pesqueira pertence à família Pandionidae).
Os gaviões constituem o género Accipter, mas a forma de o classificar pode diferir. Os milhafres, tartaranhões, bútios-vespeiros e os do género Melierax e Elanus podem ser chamados de gaviões.
Em Portugal temos o milhafre-real, o milhafre-preto, a águia-sapeira, o tartaranhão-cinzento, a águia-caçadeira, o bútio-vespeiro, o gavião, o açor e o peneireiro-cinzento.
Curiosidade: existe uma espécie de milhafre norte-americano em que os irmãos caçam em grupo uma lebre e têm uma hierarquia estabelecida para quem come primeiro.


Os falcões pertencem à família Falconidae.

Este é o falcão-peregrino. É o animal mais rápido da Terra, porque em voo picado pode ir a 380 km/h! Esta capacidade permite-lhe caçar um pombo-doméstico sem ele perceber o que aconteceu! Ao descer põe as patas à frente da cabeça para não perder a presa. Também vive em Portugal.
Outros falcões portugueses são o francelho, a ógea, o falcão-da-rainha, o esmerilhão e o peneireiro. Este último fica a pairar no ar para observar a sua presa no chão até atacá-la.




Na ordem Galliformes temos o mais conhecido de todos os seus representantes: o galo.

Sim, existem várias raças de galos e galinhas, mas espécies só existe uma. Pertence à família Phasianidae e o seu nome científico é Gallus gallus. O galo-doméstico é uma subespécie (Gallus gallus domesticus).
O galo-selvagem, ou galo-banquiza, vive nas florestas tropicais remotas do Sudeste Asiático. Esta subespécie selvagem é esquiva e tímida. Um exemplar tinha penas da cauda com mais de 10 metros, o que lhe deu um recorde no mundo das aves!
A galinha-doméstica pode pôr ovos todos os dias, dependendo da radiação solar emitida (no Inverno, uma galinha não põem ovos se o galinheiro não estiver iluminado artificialmente). De todos os ovos que põem, só dão pintainhos se estiverem fertilizados.
Os galos podem cantar todos os dias. Normalmente, têm um relógio no cérebro que lhe dão uma hora marcada do canto. No entanto, também tem a ver com a intensidade da luminosidade podendo cantar, não só ao amanhecer, mas também ao entardecer.


O peru é outra ave doméstica da família Phasianidae.

O peru-doméstico, na imagem, tem como nome científico Meleagris gallopavo. Os perus têm origem na América do Norte e América Central.
Devido à sua bela carne, o peru-selvagem tornou-se uma ave de caça incomparável na América do Norte. Foi até competida contra a águia-de-cabeça-branca em qual ia ser a ave emblemática dos Estados Unidos. Infelizmente (para o peru), a águia-de-cabeça-branca ganhou esse título.
Os perus são enormes e, se for importunado, pode ser muito agressivo e perigoso. Apesar de o conceito "ave grande" estar relacionado com aves como a avestruz ou o casuar, podemos também referir isso com o peru...!


O faisão é o nome de um grupo de espécies coloridas da família Phasianidae.

O faisão, da imagem, é um macho. É nativa da Ásia tropical e temperada, mas já no tempo dos Romanos que foi introduzido na Europa, incluindo Portugal. Ainda conseguiu ser introduzido na América do Norte.
Existem várias espécies de faisões: o faisão-arlequim, o faisão-dourado, o faisão-de-lady-amherst, etc.
O faisão-argos é o mais impressionante. Tem uma cauda em forma de leque que mostra grandes olhos, como o pavão. O leque é tão grande que ganhou o recorde da segunda ave com as maiores penas da cauda: cerca de 2 metros!


A perdiz constitui uma variedade de pequenos galináceos da família Phasianidae e Odontophoridae.

A perdiz-da-califórnia, na imagem, é uma espécie da família Odontophoridae. É nativa dos desertos e planícies da América do Norte, mas foi introduzida na América do Sul e até na Europa. Há registos destas aves em Portugal.
Outras perdizes portuguesas são a perdiz-comum, a charrela e a codorniz. A charrela, ou perdiz-cinzenta, vive em grupos onde o macho tem um grupo de fêmeas.
O francolim-escuro é uma espécie asiática que avisa os herbívoros de predadores na área com um grito alto e insurdecedor.


O pavão é outra ave da família Phasianidae.

O pavão-azul, da imagem, é, obviamente, um macho.
Existem 3 espécies de pavões: o pavão-azul, o pavão-verde e o pavão-do-congo. O pavão-azul tem longas penas em forma de leque, azuis e com olhos. Mas as penas da cauda são mais pequenas. As longas penas com olhos crescem no dorso da ave, como vemos aqui.
O pavão-verde, ou lofóforo-resplandecente, vive nos Himalaias.
O pavão-do-congo não tem longas penas em forma de leque e é o maior Phasianidae de África.



O aracuã é uma ave da família Cracidae.

O aracuã é um grupo de espécies da família Cracidae e do género Ortalis. Existem desde o Texas à Amazónia.
Alimentam-se de frutos e folhas. Para complementar a sua dieta alimenta-se de vermes, insectos, anfíbios e pequenos répteis. As folhas de que se alimentam são venenosas, para nós e para o aracuã. Para impedir que o aracuã seja morto pelo veneno, ele tem de encontrar uma fonte de argila ou barro que lhe serve de antídoto.
É arborícola, pois precisa de subir as árvores para encontrar o seu alimento.



O jacu é da mesma família do aracuã.

O jacu é do género Penelope. Pertence também à família Cracidae e vive na América Central e do Sul.
É um omnívoro, alimenta-se de rãs, insectos, larvas, folhas e frutos tão venenosos que o ser humano não consegue suportar.
Os pintos são nidífugos, tal como todos os galináceos. Ao contrário de outras aves, como, por exemplo, o pardal, já nascem com penugem, olhos abertos e já têm capacidade de andar. É alimentada pelos pais até aos 21 dias. Já aos 15 dias, conseguem voar.
O jacu também precisa de uma fonte de argila para ter imunidade ao veneno das folhas que come.



O mutum é um grupo mais variado da família Cracidae.

Porque será que este mutum tem o nome de mutum-de-penachos? É arborícola ou terrestre, debicando sementes, insectos, frutos e folhas.
Os mutuns vivem na América Central e na América do Sul. Os mutuns são considerados todas as espécies de aves da família Cracidae e dos géneros Crax e Mitu.
Apesar de ser tradicionalmente da ordem Galliformes, existem autores que põem a família Craciidae e a família Megapodiidae na sua própria ordem: Craciiformes.




Na ordem Gruiformes temos o grou.

Este é o grou-do-Japão. É um grou, da família Gruidae. Na época de reprodução fazem danças ritualizadas no meio da neve.
Só existe uma espécie de grou nativa de Portugal: o grou-comum.
Os grous usam o seu bico para apanhar insectos, anfíbios e répteis. Existem várias espécies com a mesma alimentação: grou-pequeno, grou-siberiano, grou-americano e o grou-coroado.
O grou do filme "O Panda do Kung Fu" pertencia aos 5 sensacionais: o louva-a-deus, a víbora, o grou, o tigre e o macaco. E foi bem merecido este título. Caso uma águia-de-steller atacar no meio da época de reprodução do grou-do-Japão, a ave pernalta dá pontapés ameaçadores!


O saracura pertence à família Rallidae.

Esta ave sul-americana pertence à família dos codornizões, frangos-de-água, frangas-de-água, galinhas-de-água, galeirões e camões. O saracura é omnívoro, para além dos insectos, larvas e crustáceos, também alimenta-se de plantas aquáticas.
Tem grandes dedos que lhe permitem andar sobre os nenúfares e pela lama sem afundarem. Os dedos distribuem o peso o que lhes permitem, em vez de enterrar os pés na lama, faz com que os pés simplesmente pousem na superfície da terra.





Os jacamins pertencem à família Psophiidae.

Este belo desenho mostra os jacamins no seu próprio habitat. A espécie aqui representada é o jacamim-de-costas-brancas.
Os jacamins são omnívoros. E, ao contrário dos Rallidae, são predominantemente terrestres. O seu habitat são as florestas tropicais remotas da América do Sul.
Os jacamins vivem em pequenos grupos no meio da floresta, debicando sementes, folhas, frutos, insectos, larvas e aranhas.
O seu modo de vida assemelha-se muito ao dos galináceos.



A seriema pertence à família Cariamidae.

A seriema tem longas pernas vermelhas adaptadas para correr nas planícies sul-americanas.
É omnívora, alimenta-se de gramíneas, frutos, insectos, sapos, lagartos, serpentes e ratos.
Para alguns, a família Cariamidae pertence a uma ordem própria: a ordem Cariamiformes.
A seriema sobreviveu nas planícies sul-americanas durante milhões de anos quando o continente da América do Sul estava isolado no oceano. Nessa altura havia uma ave não voadora e carnívora: a ave do terror. Essa extinta ave tinha 3 metros de altura e um bico maciço para rasgar a carne. Acredita-se que a seriema é o parente vivo mais próximo da ave do terror.


Na ordem Charadriiformes temos a batuíra.

Este é o borrelho-de-coleira-interrompida que também existe em Portugal. Também há o borrelho-pequeno-de-coleira, o borrelho-grande-de-coleira, a tarambola-cinzenta, o borrelho-ruivo, a tarambola-dourada e o abibe.
As batuíras têm um pequeno bico que lhes dão a capacidade de debicar pulgas-do-mar e insectos na superfície da areia da praia. Estão muito habituados à vida nas praias, quer tenham muitas pessoas ou nenhuma.
A tarambola-dourada é uma migradora sendo muito comum aqui no Inverno.



O maçarico pertence à família Scolopacidae.

Este é o maçarico-das-rochas. É uma espécie que costuma se encontrar perto de costas de água doce, debicando pequenos insectos e vermes. Existe em Portugal.
Outros maçaricos portugueses são: a seixoeira, o pilrito-das-praias, o pilrito-escuro, a rola-do-mar, o pilrito-de-peito-preto, o pilrito-de-bico-comprido, o pilrito-de-temminck, o pilrito-pequeno, o maçarico-de-dorso-malhado, o maçarico-bique-bique, a perna-vermelha, a perna-vermelha-bastarda, a perna-verde, o milherango, o fuselo, o maçarico-real, o maçarico-galego, a galinhola, a narceja, a narceja-galega e o combatente. Todos usam o seu bico para debicar insectos na superfície da areia ou vermes nas profundezas do solo.


As gaivotas pertencem à família Lariidae.

Esta espécie de gaivota chama-se gaivota-de-patas-amarelas. É uma espécie muito abundante em Portugal.
Outras gaivotas portuguesas são: o guincho, o famego, a gaivota-de-bico-riscado, a gaivota-de-cabeça-preta, a gaivota-de-audouin, o gaivotão-real, a gaivota-de-asa-escura, a gaivota-pequena, a gaivota-tridáctila e a gaivota-de-sabine.
As gaivotas são conhecidas por serem oportunistas. Alimentam-se de peixes e lulas, mas estão sempre à disposição para carcaças de peixes e cetáceos e mesmo alimento com gramíneas como pão ou bolachas!


A jaçanã é da família Jacanidae.

A jaçanã, neste imagem, é uma espécie sul-americana que pode ser encontrada nos pântanos brasileiros.
As jaçanãs podem se assemelhar à forma dos Rallidae da ordem Gruiformes. Mas tem muitas semelhanças com os abibes, como com o abibe-do-índico.
As jaçanãs também são habitantes dos pântanos de África. A jaçanã-africana tem um bico azul-claro com longas pernas e longos dedos. Os dedos da jaçanã são os maiores do Mundo das aves. Usam os dedos para caminhar lentamente por cima dos nenúfares. É raro ver uma jaçanã-africana em terra firme!


Na ordem Columbiformes temos os únicos sobreviventes da ordem: os pombos.

O pombo-das-rochas é a espécie de pombo mais comum de Portugal.
Outras espécies de pombos portugueses são: a seixa, o pombo-torcaz, o pombo-da-madeira, a rola-turca e a rola-brava.
Os pombos encontram-se em variadíssimas partes do globo. A rola-das-galápagos não voa. O pombo-corado-gigante vive na Papua Nova-Guiné e é o maior pombo de todos. É azul-turqueza e tem uma poupa com os olhinhos típicos da cauda do pavão.
Os pombos-domésticos têm um grande sentido de orientação, podendo lembrar-se do caminho de volta a casa mesmo que esteja a centenas de quilómetros de distância.


O dodô pertence à única família de Columbiformes para além dos pombos: a família Raphidae.

A família Columbidae (pombos) é a única da ordem Columbiformes que ainda sobrevive. A família Raphidae (dodôs) foi a única família para além desta, mas foi extinta.
O dodô tem um bico grande e curvo provavelmente para arrancar sementes e frutos típicos do seu habitat natural que eram as florestas tropicais das ilhas Maurícias.
A causa da sua extinção foi os navegadores. No século XVII, os navegadores iam para as ilhas Maurícias para capturar os dodôs, pois a sua carne era muito apreciada. Como não havia predadores para os dodôs, os humanos podiam pegar neles sem estes reagirem. Por causa do hábito de os dodôs não fugirem dos humanos é que deram-lhe o nome que se pensa ter vindo da palavra bobo!


A ordem Psittaciformes pertence à do papagaio.

Os papagaios pertencem à família Psittacidae. Existem variadíssimas espécies por todo Mundo. O papagaio-de-coroa-azul, da Ásia, dorme de cabeça para baixo como os morcegos. O papagaio-dimórfico é uma espécie com dimorfismo sexual muito nítido: o macho é verde e a fêmea é vermelha com a zona púbica azul. O papagaio-cinzento é uma espécie de cor cinzenta comum em lojas de animais.
Na família Strigopidae temos 2 espécies impressionantes, nativas apenas na Nova Zelândia. O kea vive em montanhas nevadas e chega a assaltar os acampamentos dos alpinistas. O kakapo é um papagaio não voador e está incrivelmente ameaçado: restam menos de 80 exemplares!


A arara também pertence à família Psittacidae.

As araras pertencem a todas as espécies pertencentes aos géneros: Anodorhynchus, Cyanopsitta e Ara. As da imagem são uma arara-vermeha e uma arara-azul-e-amarela.
São todas muito inteligentes. As araras chegam a comunicar ou até perguntar e responder! Por exemplo, quando o progenitor vem para o ninho dar comida aos filhotes estes podem perguntar-lhe qual é a comida e podem avisá-lo até de alguma necessidade.
A arara-vermelha era considerada, na cultura Maia, como sendo um símbolo de fogo e energia solar.


O periquito é outro membro da família Psittacidae.

O termo periquito pode ser usado para várias espécies da família Psittacidae, desde que sejam pequenos e normalmente com uma cor predominantemente verde. Em Portugal, todas as espécies são introduzidas como o periquito-rabijunco e a caturrita. Uma espécie típica da América do Sul, o periquito-da-patagónia, faz o ninho nas árvores araucária.
O periquito-australiano, na imagem, é talvez o mais notório. Encontra-se hoje em todo o Mundo devido à popularidade como animal de estimação. Existem várias raças, mas a verde e amarela são as únicas nativas do seu habitat natural. Na vida selvagem, costumam viver em enormes bandos nas florestas de eucalipto ou a voarem pelo deserto árido.


A cacatua é pertencente à família Cacatuidae.

Existem 3 famílias de Psittaciformes: Psittacidae (papagaios, araras e periquitos), Strigopidae (kakapos e keas) e Cacatuidae (cacatuas).
Existem cerca de 22 espécies com variadíssimos tamanhos e cores. A cacatua-de-coroa-amarela, na imagem é uma habitante das florestas tropicais e ilhas da Australásia. Existem outras espécies como a cacatua-branca, com a crista branca e o resto do corpo também, a cacatua-das-palmeiras, verde-escura com bochechas vermelhas, o galah, sem crista e com vários tons de rosa e cinzento, e a caturra, cinzenta com cabeça amarela e bochechas laranjas.
Toda esta variedade de cores tornou-as animais de estimação adorados. No entanto várias espécies estão a perder o habitat e tornou-as incrivelmente ameaçadas. Por exemplo, a cacatua-de-coroa-amarela está em perigo crítico (para dar uma ideia só existem cerca de 7000 exemplares).


Na ordem Cuculiformes temos o cuco.

O cuco-rabilongo, da imagem, e o cuco-europeu são as 2 espécies nativas de Portugal. Todas alimentam-se predominantemente de insectos como larvas e lagartas.
Os cucos são conhecidos por serem aves parasitas, ou seja, parasitam os ninhos das outras aves e põem o seu próprio ovo. Podem pôr mais do que um ovo, mas cada um tem de ser posto num ninho diferente.
O ovo de cuco, ao eclodir, dá origem a uma cria (como seria de esperar). Mas logo que nasce tem o instinto de atirar todos os outros ovos do ninho, já que o cuco nasce primeiro. Mesmo quando a mãe está no ninho a cria continua a fazer o seu trabalho! A cria é alimentada mesmo quando o progenitor adoptivo tem um porte muito menor que esta.
Outra espécie de cuco é o cuco-da-califórnia. Não é uma ave parasita, mas assemelha-se mais a um faisão sem cores vivas, com patas de 2 dedos para à frente e 2 para trás e com a capacidade de correr a 50 km/h. Muitas vezes é chamado, em inglês, como "roadrunner" que, traduzido em português, é "corredor da estrada". E é verdade: gosta de correr ao lado de carros.


O anu é outra espécie da família dos cucos.

O anu, tal como os cucos, pertence à família Cuculidae. Alguns autores incluem o anu na sua própria família: Crotophagidae.
O anu-preto, da imagem, vive na América do Sul. O seu bico é largo o suficiente para arrancar frutos e apanhar mais facilmente um insecto grande.
Outra espécie é o anu-coroca com uma cauda longa. Alimenta-se de insectos, outros artrópodes e peixes pequenos.
Os anus vivem em bandos, nidificando em ninhos colectivos. Nas áreas rurais são fáceis de se encontrar, mas estão a habituar-se ao habitat urbano. É fácil ver estas aves perto de rebanhos de gado.
A distribuição geográfica do anu-preto vai da Flórida à Argentina. Gosta de sol e de poeira para tomar banho. Os bandos desordenados constituem de 7 a 15 indivíduos.
Para além dos insectos e bagas, alimenta-se também de peixes, rãs, lagartos e cobras, mas também pode comer pequenos mamíferos e ovos de outras aves.




A ordem Strigiformes constitui as mais nocturnas das aves de rapina: as corujas.

Existem variadíssimas espécies. A coruja-das-neves é branca e feroz. O bufo-real, da imagem, é a maior de todas. Mas o bufo-real é tímido comparado com a coruja-lapónica de garras afiadas e ferocidade enorme. O mocho-duende faz ninhos em cactos. A coruja-escavadora faz buracos no solo ou aloja em galerias abandonadas por cães-da-pradaria e viscachas. A coruja-pesqueira-de-pel tem patas aperfeiçoadas para a caça de peixes.
A maior parte das corujas tem uma cara plana que serve como sonar para detectar o movimento das presas. As penas da coruja são macias e o resultado é um voo completamente silencioso!


Na ordem Caprimulgiformes temos o noitibó.

Os noitibós pertencem à família Caprimulgidae e Podargidae.
No nosso país existem 2 espécies: o noitibó-cinzento (na imagem) e o noitibó-de-nuca-vermelha. Os 2 pertencem à família Caprimulgidae. Tal como todos os noitibós, alimentam-se de insectos detectando-os com as cerdas na base da boca. Estas cerdas abrem-se no voo para apanhar melhor os insectos.
O noitibó-boca-de-rã, da Austrália, pertence à família Podargidae e tem uma boca enorme.
O noitibó-de-nuttal vive na América do Norte e é a única ave que tem o hábito de hibernar.


O urutau pertence à família Nyctibiidae.

Este parente dos noitibós, é nativo da América do Sul. Os urutaus são as melhores aves no contexto da camuflagem.
Tal como os noitibós, é nocturno. Enquanto que os noitibós se escondem em buracos nas árvores ou no chão da floresta, o urutau aproveita a forma do seu corpo para se camuflar num tronco e fingir que é um ramo a crescer.
O urutau-grande, por exemplo, usa a sua cor cinzenta-acastanhada para que seja inconfundível no tronco de uma árvore seca. Podemos passar por um urutau com 37 centímetros de comprimento sem sequer o ver!


A ordem Apodiformes constitui os andorinhões.

O RIAS (centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens), de Ria Formosa, libertou um andorinhão-preto.
O andorinhão-preto é a espécie mais comum de andorinhão em Portugal. Outras espécies portuguesas são o andorinhão-pequeno, o andorinhão-pálido, o andorinhão-real, o andorinhão-cafre e o andorinhão-da-serra.
Os andorinhões têm asas forcadas perfeitas para voar e fazer acrobacias aéreas. As patas do andorinhão são demasiado pequenas e unidas para andar e saltitar (as patas dificultam-lhe o pouso). Por causa disto, o andorinhão passa a maior parte da sua vida a voar! Pode dormir, comer e até copular durante o voo.
No entanto, ele precisa de pousar em penhascos para fazer o seu próprio ninho. O seu ninho é em forma de taça onde os ovos são postos. Mas o mais bizarro é o facto de o ninho ser feito com a sua própria saliva e excrementos que solidificam à temperatura ambiente!



A família Trochilidae constitui o colibri.

É verdade, os parentes mais próximos dos colibris são os andorinhões! Apesar de não se assemelharem em aspecto, têm muito em comum: os colibris podem rodar as asas num ângulo que só é possível nas espécies da família Apodidae (andorinhões) e da Hemiprocnidae (outras aves semelhantes aos andorinhões, também pertencentes à ordem Apodiformes).
Existem várias espécies de colibris, todos nativos da América. O colibri-de-anna voa rapidamente por entre o ar e emite um guincho que é produzido pelo ar a passar pelas suas próprias penas! O colibri-bico-de-espada tem um bico com 10,5 centímetros e um corpo com 7,5 centímetros e usa-o para extrair o néctar das flores mais difíceis e para usar como espada de esgrime durante a corte. Para limpar as suas penas, o colibri-bico-de-espada usa as suas patas.


A ordem Coliiformes constitui espécies pouco conhecidas de África: os rabos-de-junco.

O rabo-de-junco-de-dorso-branco, na imagem, tal como todos os outros rabos-de-junco, alimenta-se de bagas e insectos.
Podem ter evoluído há 55 milhões de anos no Eocénico. Devido ao clima tropical que se instalou por quase todos os continentes (incluindo a Antárctida) neste período, os surucuás sul-americanos expandiram-se por quase todos os continentes (hoje só persistem na América do Sul e Central, África e Ásia). Mas quando as florestas tropicais começaram a desaparecer algumas espécies africanas tiveram de se adaptar às savanas e matas e aqui surgiu uma nova ordem de aves: a ordem Coliiformes.



A ordem Trogoniformes constitui os já falados surucuás.

Este é o surucuá-de-peito-azul. Existem variadas espécies de surucuás, a maioria vive na Amazónia e na América Central, mas ainda existem espécies no Sudeste Asiático e 3 espécies nativas das florestas e matas africanas.
Os surucuás costumam alimentar-se de insectos e bagas. Algumas bagas venenosas são um alimento predilecto. Essas bagas podem ser perigosas para a própria ave, por isso ingere argila para ganhar imunidade ao veneno.
Os surucuás têm penas da cauda de forma rectangulares. O macho do quetzal-resplandecente tem penas de 60 centímetros de comprimento, mas, apesar de em vários livros dizer que essas longas penas são da cauda, na verdade não são. A cauda do quetzal macho é rectangular como a fêmea quetzal e os outros surucuás.


A ordem Coraciiformes constitui aves como o guarda-rios.

A ordem Coraciiformes constitui os Alcedinidae (guarda-rios), Upupidae (poupas), Meropidae (abelharucos), Coraciidae (rolieiros), Brachypteraciidae, Todidae (todus), Momotidae (udus), Phoeniculidae, Bucerotidae (calaus) e Leptosomatidae.
A família Alcedinidae constitui os guarda-rios. Só existe 1 espécie portuguesa: o guarda-rios-europeu, da imagem. Os guarda-rios são conhecidos por se "despenharem" do céu até à água para apanhar um peixe em flagrante. Mesmo em águas pouco fundas, a ave chega a atirar-se. Consegue mesmo calcular o ângulo de refracção, que lhe permite saber a profundidade real da água e a posição certa do peixe. Por este motivo é também chamado de pica-peixe.
O guarda-rios-europeu tem, no entanto, penas castanhas no dorso e não azuis! O reflexo da luz nas penas do dorso dá-lhe o aspecto de ser azul-claro.


A família Coraciidae (rolieiros) deu o nome à sua própria ordem.

Esta ave extraordinária é o rolieiro-europeu. É a única espécie nativa da Europa e prefere as zonas do Mediterrâneo. Esta espécie também se encontra em Portugal. Para observadores de aves é difícil não conseguir distingui-la. Infelizmente é pouco comum de se ver (eu nunca vi nenhum).
Alimenta-se de insectos voadores, larvas e minhocas. Pode ser considerado um bom amigo para a agricultura, já que também come caracóis e lesmas.
Outra espécie mais colorida é o rolieiro-de-peito-lilás que vive em África e tem um peito lilás, obviamente!


Na ordem Piciformes temos o pica-pau da família Picidae.

Apesar de haver muitas espécies populares da região, como o peto-real, o pica-pau-malhado e o torcicolo, têm muitas mais coisas impressionantes.
O pica-pau tem um bico e um crânio super-resistente, membranas espessas nos olhos e um intrincado sistema de veias e artérias que lhe permite oxigenar o cérebro. No entanto ele não come a madeira das árvores. Faz buracos para o seu abrigo, extrai seiva de árvore e larvas para se alimentar e até a pode usar como substituto da sua própria vocalização, batendo 20 vezes por segundo no tronco de uma árvore.


A família Ramphastidae constitui os tucanos.

Os tucanos-toco, da imagem, estão perfeitamente adaptados à floresta tropical, mas este é o habitat mais improvável...
Todos os tucanos vivem em florestas tropicais e matas da América Central e América do Sul. O seu longo e largo bico parece dificultá-lo nas suas tarefas diárias, mas o facto é de que o bico do tucano é oco. O bico também tem serrilhas que lhe ajudam a cortar e arrancar os frutos, mas por vezes pode usar o bico para comer rãs, roedores e até aves pequenas!


A ordem Passeriformes (pássaros) é a mais diversificada de todas as ordens de aves.

Os pássaros pertencem a um ramo constituído por mais de 5000 espécies! São tantas espécies e famílias que não pude referi-las.
Os pássaros, só para dar uma ideia constituem cerca de 50% de todas as aves. Se quiser saber a diferença entre ave e pássaro é de que pássaro associa-se a todas as espécies da ordem Passeriformes e as aves chamam-se a todas as outras aves e pássaros.
Existem variados grupos: os pardais, as felosas, as estrelinhas, os vireonídeos, os corvos, os tordos, os beija-flores, as aves-do-paraíso, os tentilhões, as cotovias, as andorinhas, as petinhas, os melros-de-água, os picoteiros, os hipocólios, as tutas, os pássaros-de-cetim, etc.


Curiosidades sobre aves:

As aves conseguem ver a luz ultravioleta, que é invisível para nós. Provavelmente as aves vêm as cores de um modo muito mais fantástico!

Apesar de os colibris serem conhecidos por serem autênticos comedores de néctar, não são as únicas aves a fazê-lo. Os colibris também são chamados de beija-flores, mas existem grupos distintos de Passeriformes que também são chamados de beija-flores. Como não existem colibris no Velho Mundo, os beija-flores evoluiram para tomar o seu lugar. O mais bizarro de todos os Passeriformes comedores de néctar é o akiapolaau. Esta ave é nativa do Havai e o mais estranho de tudo é o facto de pertencer à família dos canários, pintassilgos e tentilhões!

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