sábado, 2 de novembro de 2013

Canídeos

Os canídeos constituem os cães, os lobos, os chacais, os coiotes, as raposas e parentes. Vivem solitários, em pares ou em grupo. Os seus parentes mais próximos são os ursos, as focas e os guaxinins. As hienas não são canídeos.

Existem 3 subfamílias de canídeos:

  • Hesperocyoninae
  • Hesperocyon
  • Borophaginae
  • Borophagus
  • Epicyon
  • Caninae
  • incertae sedis
  • Eucyon
  • Leptocyon
  • Vulpini
  • Vulpes
  • Alopex
  • Urocyon
  • Prototocyon
  • Otocyon
  • Canini
  • Canis
  • Cynotherium
  • Cuon
  • Lycaon
  • Indocyon
  • Cubacyon
  • Atelocynus
  • Cerdocyon
  • Dasycyon
  • Dusicyon
  • Pseudalopex
  • Chrysocyon
  • Speothos
  • Nyctereutes


Da subfamília Caninae da tribo Vulpini, o género Vulpes constitui as raposas.

A raposa-vermelha vive na Europa e Ásia, mas já foi introduzida na América do Norte e na Austrália. Caça coelhos e galinhas se invadir uma quinta. Na natureza caça coelhos, lebres e faisões. As raposas também são omnívoras podendo comer bagas e pedaços de fruta!
O feneco tem orelhas enormes e vive em desertos de África e Ásia. As suas orelhas são usadas para se arrefecerem no calor e ouvir as passadas dos gafanhotos, lagartos e ratos de que se alimenta.



O género Alopex constitui a raposa-do-árctico.

A raposa-do-árctico vive nas zonas geladas e polares da Europa, Ásia e América do Norte. Caça lemingues e colónias de aves marinhas. Para além das focas e morsas, a raposa-do-árctico foi o único carnívoro a chegar à ilha da Islândia naturalmente.
No Verão tem uma cor castanha e no Inverno tem uma cor branca devido à muda dos pêlos. É uma das raposas mais bem sucedidas de todas, pois consegue também alimentar-se de bagas e frutos. Por vezes chega a seguir os ursos-polares para comer as carcaças de focas e pode até comer os excrementos dos bois-almiscarados!




O género Urocyon tem algumas espécies que estão ameaçadas, extintas ou pouco preocupantes.

A raposa-cinzenta pertence a uma linhagem de 3 espécies vivas (ou 2). Vivem na América e são muito primitivas.
Partilham com o cão-mapache o recorde dos únicos canídeos capazes de subir árvores.
A raposa-cinzenta está no estatuto de "pouco preocupante", mas a sua parente, a raposa-das-ilhas, está em "perigo crítico" e vive apenas em 7 das 8 ilhas do arquipélago da Califórnia!
A raposa-de-Cozumel pode estar incrivelmente ameaçada, ou, possivelmente, extinta.




O género Otocyon tem apenas 1 espécie: o otócion.

O otócion assemelha-se ao feneco (ou raposa-do-deserto), mas esta pertence ao género Vulpes, sendo mais parente da raposa-vermelha. O otócion pertence a um género diferente, mas as orelhas largas têm a mesma função que as do feneco.
O otócion é também chamado de raposa-orelhas-de-morcego. Vive em África, mas prefere savanas abertas e secas, mas pode se encontrar perto de desertos arenosos.




Da tribo Canini o género Canis constitui as maiores espécies de canídeos do Mundo.

O lobo vive na América do Norte, Europa e Ásia. Foi este que deu origem ao dingo do Sudeste da Ásia e que foi introduzido na Austrália e Papua Nova-Guiné. Na Papua Nova-Guiné deu origem ao cão-cantor-da-Nova-Guiné. O cão tamém foi resultante da domesticação do lobo. O lobo-etíope foi outro descendente do lobo e vive na Etiópia.
Em África há outros parentes próximos como os chacais.
Depois vem o coiote das planícies, desertos e montanhas da América.




O género Cuon constitui o cão-selvagem-asiático.

Parente próximo do género Canis, mas parece estar mais afastado.
O cão-selvagem-asiático vive nas florestas da Índia até aos Himalaias onde não existem dingos. É um caçador de grupo e está ameaçado de extinção. Caça macacos, veados e antílopes.
Há um macho e uma fêmea dominantes e são os únicos que acasalam na alcateia. Quando as crias chegam à maturidade podem abandonar a alcateia e acasalar com uma outra fêmea.
Há autores que incluem o cão-selvagem-asiático no género Canis.




No género Atelocynus temos o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas.

Aqui temos alguns canídeos típicos da América do Sul.
O cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas vive na América do Sul e é solitário e nocturno. Não lembra um canídeo, mas os seus comportamentos lembram mais uma doninha, ou um texugo.
É carnívoro, mas de vez em quando torna-se omnívoro e come frutos e bagas.
Este predador está no estatuto de "quase ameaçado".
No entanto, este canídeo demonstra muitas semelhanças com os seus parentes mais próximos: os mustelídeos, ursídeos, focídeos e procionídeos.
Tal como um texugo, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas produz uma secreção mal cheirosa para demarcar o território.



O guaraxaim é o único canídeo do género Cerdocyon.

Este pequeno canídeo sul-americano pode parecer um coiote. Mas para além da cauda peluda típica dos canídeos, a cabeça assemelha-se um pouco à de um gato!
O guaraxaim é um animal nocturno, tal como a maior parte dos outros carnívoros. É pequeno, pois mede cerca de 65 centímetros de comprimento.
Está perfeitamente adaptado às pampas argentinas.
É um omnívoro, porque, para além das carcaças, roedores, ovos e répteis de que se alimenta, ingere também alguns frutos.




O género Dusicyon constitui a extinta raposa-das-falkland.

A raposa-das-falkland vivia nas remotas ilhas do Atlântico que hoje pertencem à Argentina e Reino Unido.
Chegou lá quando o nível do mar baixou durante a Idade do Gelo. As raposas ficaram presas nas ilhas quando o mar subiu e dedicou, provavelmente, a sua vida a caçar pinguins, albatrozes ou até leões-marinhos e elefantes-marinhos bebés.
Escondidas nas matas das ilhas Falkland (ou Malvinas), criavam as suas crias sem problemas até os seres humanos chegarem e colonizarem as ilhas Falkland.
A raposa-das-falkland foi extinta pela caça que tinha como objectivo usar a pele para fabricar casacos!



O género Pseudalopex tem outras espécies de canídeos típicas do continente Sul-Americano.

Este canídeo aqui é o graxaim. Esta raposa vive em pampas e pode ser muito tímido. Pode fugir para buracos nas árvores, tocas de tatus ou até pode fingir-se de morto, como os opossums.
Do mesmo género temos a raposa-do-campo. Tal como a raposa-vermelha é muito comum vê-la perto de zonas urbanas e chega a caçar galinhas e coelhos das quintas.
Outra espécie é a raposa-de-Darwin que é mais pequena e é preta. Infelizmente está em "perigo crítico"!



Na América do Sul temos também o género Chrysocyon.

O lobo-guará é o único do género.
É enorme e chega a ser agressivo! É do tamanho de um cão normal e vasculha o lixo à volta da cidade.
No entanto pode atacar crias de nandu ou até caçar jovens de guanacos e vicunhas.
São solitários excepto na época de acasalamento, quando o macho e a fêmea ficam juntos até ao fim.
É necrófago, mas muitas vezes chega a caçar outros animais.
Apesar de ser muito bem sucedido está no estatuto "quase ameaçado".



No género Speothos temos o cachorro-vinagre.

Não parece um canídeo e lembra mais um furão. Também vive na América do Sul.
Este animal é semelhante a um mustelídeo, mas vive em grupos de caça e a estrutura social é muito parecida com a dos lobos. Com esta força cooperativa pode caçar cutias e pacas, mas por vezes pode até caçar capivaras!
Criam as suas crias em buracos na terra como vários outros canídeos.
Este carnívoro de 60 centímetros vive em planícies abertas e, por alguns índios na Bolívia e no Peru, são considerados ainda animais de estimação.



O género Nyctereutes só constitui uma espécie viva.

O cão-mapache parece-se mais com um guaxinim (ou mapache). Daí o seu nome!
Gosta muito de água e é natural do continente asiático.
Criam-se cães-mapache em cativeiro para a obtenção da sua pele, o que levou a que alguns destes canídeos fugissem e se refugiassem nas florestas e bosques da Europa.
É a última espécie do género, as outras foram extintas no passado!





Outros canídeos:

A raposa-tibetana é parente próxima da raposa-vermelha e do feneco (género Vulpes).
É nativa das montanhas dos Himalaias. O que tem de mais estranho é a sua "juba" que lhe dá o aspecto de uma raposa com uma cabeça maciça e gorda! No entanto é necessário para aguentar os meses frios de Inverno.
Não é muito territorial podendo interagir com outras raposas frequentemente.
A sua presa preferida é a pika-de-lábios-negros (parente próximo dos coelhos, mas assemelha-se a um hamster).


O cão-selvagem-africano, ou mabeco, pertence ao género Lycaon.
É um caçador de grupo nas savanas africanas. Está no estatuto de "em perigo".
As suas crias nascem numa toca, geralmente uma que foi abandonada por porcos-formigueiros ou facoqueros. Elas aprendem a caçar e a perceber o Mundo à sua volta enquanto crescem.
São caçadores natos com 85% de hipóteses de matar uma presa! Fazem uma espécie de caça-à-corrente para apanhar um antílope. Comem o herbívoro logo no momento em que é apanhado (comem-no vivo!) e não fazem o frenesim típico das hienas. Assim têm a garantia de que a carcaça não é roubada por leões e outros predadores!

2 comentários:

  1. Optaste por não falar dos cães domésticos? Também deve haver muita coisa sobre isso, ou não?
    "Há autores que incluem o cão-selvagem-asiático no género Canis." Pensava que a classificação era fixa, que não havia autores que diziam que era de uma maneira ou outros de outra. É mesmo assim?

    P.S. - Já agora, o nome das estações, com o novo acordo ortográfico escrevem-se com minúscula (uma vez professor, sempre professor) :-)

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    1. Bom dia!
      Eu achei que os cães domésticos não teriam muita informação para poder publicar. Posso criar um novo assunto do blog que mostre mais informações acerca dos cães domésticos.
      Respondendo à pergunta, existem vários autores que propõem ou defendem que uma espécie devia estar incluído num género diferente ou numa família diferente. Graças a diferenças anatómicas e genéticas podemos incluir algumas espécies num grupo diferente. Por exemplo: a coruja-das-neves foi classificada no seu próprio género (Nyctea), mas hoje sabe-se que pertence ao género Bubo.

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